Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Calafrios, arrrepios e espirros

Migrações e Estado-Providência

Ideias

2017-02-10 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Sempre que se lê os jornais e se vê televisão acaba-se por se compreender a razão por que se sentem sérios calafrios, incontornáveis arrepios e até alguns espirros face às bar- baridades que se vomitam, às incompetências e desconhecimentos que se patenteiam, para além da descarada falta de isenção e independência que grassa nas notícias e comentários, ardilosamente “adoçando-se” situações, “escamoteando-se” verdades, omitindo-se e “colorindo-se” realidades.
Uma sensação que é partilhada pelos portugueses que ainda não hipotecaram nem alienaram a sensatez, o sentido da honestidade e o valor da verdade, deixando-se contaminar pelos sistema e “praga” da política. Que, aliás, se apresentam como tristes, vergonhosas e mentirosas realidades nas suas “promessas”, “conversas” e “trejeitos” de pura bagunça, já desacreditadas e numa perversa e incontornável autofagia.
Dos intervenientes e apaniguados, diga-se, “tomados” de todo e “endoidados” pela necessidade de fazer acreditar no que já nem sequer acreditam. Um sistema em que vinga, e já “enoja”, o populismo foleiro e folclórico do presidente e “irritam” a subserviência e o “acocorar” dos media, lestos com os microfones e as câmaras mas tímidos, sem coragem, arte e força para “arrancar” verdades e “sacar” declarações em que se possa vislumbrar sensatez, isenção, independência, sentido de Estado e consciência das realidades. Assumindo e “dizendo-se” a verdade, por pior que seja.
Aliás, impõe-se uma placa sinalizadora redonda e com um traço vermelho a proibir e vetar certos trajectos e condutas na comunicação com o povo, nas entrevistas e declarações, e uma outra sinalizando com seta azul um “sentido” único, obrigatório, de comportamentos, acção e vida.
Uma regra de conduta e intervenção para Marcelo e todos quantos, “embriagados” pelos poder, penachos, projecção social, cargos e dinheiro, vivem “dominados” e “apaixonados” pelos risos, palmas, beijos, abraços e selfies da populaça, “enojando” o povo com situações onde campeiam o caricato, o ridículo e o “chocarreiro”.
Um povo que, perturbado e arrepiado, vem sentindo calafrios, dores e outros sintomas que sinalizam grave e preocupante doença no sistema, para a qual não basta dizer tratar-se de uma mera constipação ou virose, como hoje é usual ouvir-se em diagnósticos de febre, tosse e pingo no nariz, ou o de artrose se há dores nas pernas, costas e a andar.
O sistema, diga-se, não sofre tão só de virose ou artrose!...
Na realidade provoca calafrios e mal estar a atitude dos políticos no parlamento, onde, nos debates, emergem os dichotes, esgares de ódio, palavras ofensivas, azedas, venenosas e mentirosas, tendo até surgido agora “cartazes”, à semelhança do que se vê no futebol a pedir uma camisola, chuteiras, as luvas. Simplesmente, e com mais propriedade, estamos em crer que se justificariam cartazes iguais aos que se vêem no Campo Pequeno (v.g. a pedir a orelha, o rabo, a muleta ou o capote), pois o parlamento não passa de uma arena em que vêm vingando as “farpas”, as “bandarilhas” e o “estoque” entre as forças políticas, com o ambiente a desenrolar-se em silêncios, respostas vazias, insinuações, acusações, mentiras e inverdades sobre a situação do país e a realidade do déficit. Aliás, se no DN (27.1.17) se escreve que o “perdão fiscal (foi) decisivo para cumprir a meta do défice da europa” e o PERES grande ajuda para o governo, “que não pode agradecer apenas ao comportamento da economia (já que) sem os 600 milhões de receita extraordinária o défice ficava em 2,6”, no JN (27.1.17) exara-se que “todos os dias são pagos 110 milhões em impostos”, “combustíveis e perdão ajudam meta do défice”, dizendo-se ainda que “os 4,6 milhões de euros tributados por hora em Portugal foram suportados em parte pelo IVA, que avançou 1,5%”, mas “o perdão fiscal também ajudou”, por que razão não é assumida em em toda a sua verdade a “realidade” do país?...
Face à resposta vazia do governo “gingão” e “pisca-pisca”, a “lambusar-se” com a baixa do déficit e não explicando como seria sem a receita extraordinária do PERES, é natural que grasse uma pandemia de calafrios e arrepios, para mais quando uma foto no DN do Costa e Centeno sorridentes, apertando a mão, assusta, preocupa e intriga pela ambiguidade e sua possível “leitura”. Se um, de aspecto nédio e “anababado”, revela esperteza num sorriso de vitória, o outro “morde” a língua num esgar “legível” como um «já os f......os!», pois a caranguejola vai rodando, mais furo menos furo, com os empurrões do BE e PC e os esgares dos Galamba e outros destilando ameaças, rancor e ódio.
Mas para a FITCH, “Portugal continua a ser dos mais endividados do mundo”, classifica-se “a dívida nacional como investimento «lixo»” (DN), avisando que “a redução do défice em 2016 pode não significar uma melhoria no rating e alertando que a saída do Procedimento por Défice Excessivo não está garantida” (CM, 27.1.17). O que nos faz arrepiar face à situação económica e ao futuro, até porque “a dívida pública cresceu mais 9,5 milhões” do que em 2015, “ o que representa 129,7% do PIB” (CM2.2.17) e as gentes do poder e do PS, pelas suas atitudes, não são fiáveis. Sócrates, que ainda continua a “mexer”, jantou há dias com Sérgio Figueiredo, da TVI (faltou o Camões, do JN...), os P.de Carvalho assomam como os novos donos disto, pelo menos nos media, e duvida-se que J. Coelho, “o homem que já teve o PS nas mãos”, se contente só com os negócios do queijo e a “Queijaria Vale da Estrela “, e que a “Quadratrura dO Círculo” seja «só para matar o vício». Mas é prematuro e erróneo escrever-se que ”nos dias que correm se alguém se meter com o Partido Socialista não leva nada . Nem um queijo da serra” (JN)...
Aliás, é arrepiante e perturbador constatar-se a crescente perda de valores, do sentido da honra, integridade e lisura nos procedimentos, honestidade, seriedade e verdade, como nos casos do inspector da PJ que numa busca no “Rota do Atlântico” desviou uma quantidade de notas (JN) e dum “gestor público (que) usou carros para fim pessoal“, o que “custou quase 34 mil euros” ao Estado, e que na ERS que liderou “ entre outubro de 2010 e junho de 2016” os dirigentes passaram de 7 para 18, com um “aumento de 12,3% nos gastos com as remunerações”. Com um país assim, a provocar calafrios, não há medicamentos nem caranguejolas que lhes ponham fim, e os “queijinhos” do Coelho podem ser nefastos para a saúde pública face aos teor de gordura, con- dimentos e processos de fermentação e cura.

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