Correio do Minho

Braga,

Cataplanas, arroz de atum e o colesterol

Aceitemos as ervas espontâneas!

Ideias

2019-03-15 às 06h00

Borges de Pinho

O grande problema dos dias de hoje é descobrir o que é melhor para a saúde dos portugueses já que quanto a impostos estamos falados e as sondagens são o que são. Entretanto continua-se a discutir entre o que é ser-se popular e populista, e já há quem se atreva a falar em colesterol bom e colesterol mau, e sua destrinça, que muitas das vezes se embrulha no dia a dia de qualquer cidadão e nas atitudes de qualquer político, incluindo Marcelo. Isto a termos em atenção as palavras do “arauto” de Belém, conselheiro de Estado e comentador da SIC, a 1O.3.19, a propósito do PR, seu “passeio” por Angola, sua popularidade e a quebra nas sondagens. Que comemorou por lá, “pendurado” numa porta de um veículo e entre selfies, beijos, abraços, sorrisos e conversas, o seu 3º ano do mandato.

Que tem agradado a uns e não a outros, que aliás já se sentem “fartos” e “enjoados” com tanta “caldeirada” de afectos embora não esqueçam a sua valia no “apoio” à geringonça e na manutenção de um clima de paz político-governamental, além da sua conhecida “arte” e “habilidade” em gerir um sistema semi-presidencial, minimizando e “adornando” muitas das questões que “afrontaram” o país, como os incêndios, o roubo de armas de Tancos, os problemas dos enfermeiros, as pretensões dos professores, os “Jamaicas” das polícias, as peripécias da banca e seus nefastos efeitos, as questões na Justiça, etc., “dando uma no cravo e outra na ferradura”, como costuma dizer o povo. Claro que há grandes diferenças entre as atitudes e posições dos PRs ao longo dos anos, mas também é verdade e incontornável que os “exageros” e as “farturas” não só enjoam como são de evitar. E em todas as áreas!... Aliás, como alguém hoje dizia e recordava na rádio a propósito disto tudo, se «molhar o dedo e depois pô-lo ao ar para ver de onde sopra o vento» não seja de facto a melhor solução para tudo, problemas e popularidade, a grande e incontornável realidade é que será sempre a mais cómoda, a mais “popular” e ainda mais “garantística”. Como no que dizia respeito ao conflito entre professores e governo ( primeiro veto e promulgação depois ), muito embora uma risada ou gargalhada de Cristina Ferreira não deixe de ter muitos e bons reflexos no “mundo” da política, desde que se tenha cuidado com os ouvidos, já que “no dia de Carnaval, na TVI, António Costa ganhou fôlego eleitoral para mais umas dezenas de greves – as que estão e as que vêm a caminho”(Alexandre Pais, CM, 9.3.19) .

Mesmo que tal tenha ocorrido em dia de Carnaval, numa cataplana bem “cozinhada” entre risos, gargalhadas e ... tomates não lavados, para “humanizar” e “propagandear” a figura dum primeiro ministro que, habilmente, tanto quanto sabemos, não a condimentou com caril, como seria espectável.
Um primeiro ministro que “garantiu” que os contribuintes não vão sofrer com os milhões a injectar pelo Estado no Novo Banco, quase lhes prometendo “recebimento” de juros, e que democraticamente “desfilou” no Dia da Mulher, se manifestou contra a “violência doméstica”, se insurgiu de certo modo contra o estado de coisas e a justiça a tal respeito, “a achincalhar o poder judicial”(CM, JPCoutinho, 10.3.19), se apresentou ladeado pelos candidatos “socratinos” a Bruxelas, P.Marques e S.Pereira, e que, numa acção da Associação 25 de Abril sobre os 45 anos da revolução disse ”«quando Vasco Lourenço evoca a canção (de Chico Buarque), de que foi bonita a festa, pá, quero garantir: A festa continua a ser bonita, pá»” C.M.8.3.19). Mas ele lá saberá por que razão o diz, até porque P.Marques (cabeça de lista pelo PS às europeias) “fazia parte de um núcleo que alimentava o blog Câmara Corporativa, que seria financiado pelo amigo de Sócrates para defender o então menino de ouro socialista e zurzir em todos os que o criticassem” (CM, 9.3.19) .

Mas se a cataplana do Carnaval na “casa” da Cristina Ferreira não tenha provocado grande mal ao mundo político português, já muito habituado a tais “cozinhados”, crê-se no entanto que com uns tampões se defenderia melhor a saúde pública tão só se fazendo votos de que os “temperos” usados não tenham causado azias nem a enfartamentos digestivos, muito embora haja quem tivesse ficado indeciso entre tal caldeirada e o arroz de atum da Cristas, que também terá os seus segredos e especiais condimentos, como o “ensopado proletário” do PCP e a “xaropada” servida pelo Bloco. Aliás cada “prato” não deixa de ser uma “especialidade” da casa, ainda que Costa, com um “acompanhamento” de Belém, esteja já muito habituado a caldeiradas e a geringonças, fazendo até pública propaganda, e já esteja mesmo se prevenindo para as eleições que se aproximam, preparando-as à sua maneira: com promessas, dicas e «faKe news», até porque estas últimas “fazem parte da guerrilha política, sob a forma de «propaganda» e que “políticos contra «fake news» é como raposas a proteger galinhas” (JPCoutinho, CM, 8. 3 19).

Umas que nem serão bem assim, já que se “vestem” e “usam” porque convenientes e de interesse, mesmo que não tenham a sua origem no famoso «hacker» ou «whistleblover» Rui Pinto, o português detido em Budapeste e que muitos, sobretudo os “benfiquistas”, querem trazer para cá por causa dos e.mails e do que ele mais saberá. No entanto a grande realidade é que tudo tem o seu tempo, ainda que de conveniência e consonância com o momento e interesses em jogo, sendo que o caso do juiz Neto Moura passará à história, ultrapassados que sejam certos frenesins e “aproveitamentos” duma situação em que à falta de sensibilidade jurídica e sensatez da personagem se aliaram a insensatez, a falta de tacto e a estupidez de outros, com o CSM, a OA, certos comentadores e outra gente à cabeça. Como aliás passará também à história a pretensão de Ivo Rosa em ter acesso à auditoria feita à CGD para melhor “ver” e “perceber” quem beneficiou quem no processo Marquês, em ordem a uma “instrução” que o computador lhe pôs nas mãos, mas à qual muitos já auguram o seu resultado. O que também não deixará de ter a sua importãncia, como sem dúvida a teve a viagem de Marcelo a Angola, no dizer de O.Ribeiro (CM, 10.3.19) “para levantar a popularidade de um Presidente com uma mão-cheia de afetos e outra de coisa nenhuma”, ainda que um alegado pedido de desculpas feito por Portugal devido ao caso “Jamaica”, que se diz ter havido (CM. 11.3.19 André Ventura), nos deixe de todo envergonhado e humilhado pelas sucessivas posições de cócoras que se vem tendo com Angola, que aliás “minam” instituições e “deitam por terra” todo o brio e a independência nacional. E neste ponto, diga-se, não há cataplana, arroz de atum, ensopado proletário e xaropada que não ponham em crise as percentagens do colesterol, bom e mau, de qualquer cidadão, sendo de todo incontornável que se sigam azias, enfartamentos, indigestões e até ... enjoos e vómitos!...

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