Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Cismas e a doença

Muro de Gelo

Escreve quem sabe

2014-12-07 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

O frio chegou! No inverno existe uma predisposição para se ficar mais vulnerável às doenças. A circunstância de “estar doente” não é consensual para todas as pessoas. Tal como agimos de forma diferenciada ao longo da nossa vida, pelas ações, comportamentos e escolhas que fazemos, também a forma como sentimos essas mesmas experiências é diversificada. Basicamente, o que pode ser importante para alguém pode não o ser para outra pessoa e vice-versa.

Existem pessoas que sofrem por antecipação, nomeadamente no que diz respeito, à doença. Suponhamos a situação de uma simples constipação, se para uns há a constatação e convicção que é um resfriado apenas, outras porém podem encarar o mesmo problema de forma mais gravosa do género pneumonia, de onde contra balancearam os sintomas sentidos com outros casos “idênticos” ao seu pela “investigação” na internet. Assim sendo deduzem pela reflexão que já nada há a fazer, e vislumbram o internamento onde estão deitados numa cama de hospital “ligados às máquinas”.

A fim de evitarem este possível cenário dirigem-se tão breve quanto possível ao médico e solicitam inúmeros exames. Este comportamento é consecutivo no surgimento de novas patologias. A sabedoria popular retrata estas pessoas com estas características como sendo os “cismáticos” ou os “quem tem a mania das doenças”, por sua vez, os técnicos da saúde denominam de hipocondríacos. Todos temos medos e receios, todavia, os hipocondríacos receiam as doenças.

Desengane-se quem afirme quem pense que por forma a erradicar “as manias” basta apenas não pensar. Nem todos os pensamentos se controlam ou se dominam. Por conseguinte a mente controla o corpo, de tal forma, que certos pensamentos se materializam em dor em alguma parte do corpo. Dizem os especialistas que os hipocondríacos, muito mais que a mera verbalização sentem efetivamente a dor, apesar dos exames diagnósticos se mostrarem inconclusivos.

Convém realçar também um outro aspeto, existem dois tipos de hipocondríacos. De um lado os que a cada sintoma, procuram imediatamente o técnico de saúde e solicitam exames atrás de exames, do outro lado os que receiam o diagnostico e temem a severidade da doença, e recusam -se a irem, por exemplo, ao centro de saúde. Mesmo doentes sentem-se com sáude, não realizam analises ao sangue, e mesmo que tenham algum problema que necessite de vigilância clinica evitam. É o outro lado mais complexo e que requer possivelmente mais cuidados do ponto de vista psicológico. Quer se com isto dizer que se por um lado, existem os híper-vigilantes por outro lado, existem os que simplesmente “não cuidam”.

O “deixar andar”, pode transformar patologias leves em doenças mais severas, pelo “descuido prolongado” e por medo retardam o tratamento na sua fase inicial que pode culminar numa patologia crónica. O hipocondríaco é frequentemente estigmatizado pela sociedade como o “pobre louco” onde são verbalizadas palavras que jamais são esquecidas por quem as ouve e que deixam “feridas abertas”, do género: “Não lhe ligues! Não o ouças, dói-lhe tudo e não dói nada!”. Dizem que a “cisma é pior que uma doença” mas o hipocondríaco deve ser respeitado e entendido na sua condição de pessoa por forma a serem trabalhadas as “crenças irracionais” que tem face às doenças.

Mas do que falar é necessário exteriorizar pelas ações, onde por exemplo, a simples marcação de uma consulta faz toda a diferença ou o acompanhamento da pessoa que por medo, sozinha não se dirige ao técnico de saúde.

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