Correio do Minho

Braga, sábado

Coincidências Felizes

Menina

Escreve quem sabe

2019-04-10 às 06h00

Alfredo Machado

Na semana em que Domingos Martins Machado completa oitenta e três anos, quem o conhece e ouve falar com orgulho do seu trabalho e seus instrumentos, está longe de imaginar que no início da sua vida o mestre violeiro tentou escapar de várias formas ao ofício que viria a aprender com o seu pai.
Começou por ser o homem da cola o braço direito de seu pai, que na altura fabricava os cavaquinhos e violas braguesas para a as feiras e romarias. Mas Domingos Machado com os seus tenros onze anos de idade ficava triste pelo fim do dia. Os amigos juntavam-se no largo da igreja que fica perto da oficina jogar a bola Domingos ouvia-lhes as gargalhadas e os festejos dos golos, mas não se podia juntar a eles tinha que trabalhar. Pelos treze anos decidiu então aprender o ofício de eletricista com a esperança de ter tempo no final do dia. Não durou muito três meses a ter que pagar para trabalhar foram o suficiente para fazer Domingos Machado mudar de profissão.
O patrão só dava o almoço e o seu pai tinha que pagar o transporte vinte e cinco tostões na altura. Não compensava à noite tinha que ajudar o pai para compensar o dinheiro gasto durante o dia.
Seguiu-se um emprego na litografia do Minho. A história repete-se as despesas eram mais que as receitas.

Pagavam-lhe cinco escudos por dia o almoço custava cinco escudos e ainda vinha as viagens. Continuava a depender do pai e a fazer serão para o compensar.
Pouco tempo depois voltou a trocar de emprego desta vez em definitivo para se juntar a seu pai na oficina. Meu avô ficou muito feliz por ter alguém continuando no seu ofício. Ainda hoje Domingos Machado agradece a seu pai pelo que lhe deu na época, o seu destino já estava definido que era ser construtor de instrumentos sem que seu pai o contrariar. Esteve sempre a seu lado sabia que o filho ia quebrar as esquinas e voltaria ao ponto de partida.
Depressa Domingos Machado passou a ser conhecido pela arte de criar e recriar instrumentos. Teve lições com um mestre no Porto. Depois do casamento estabeleceu-se sozinho. Os clientes vinham de todos os lados e Domingos Machado começou a ter lista de espera nas encomendas.

Assim como Domingos Machado não era para ser violeiro o Museu dos cordofones não era para ser museu.
Pode parecer estranho mas a verdade é que o local inaugurado em 1995 não tinha esse destino traçado.
Domingos Machado reparou que muitos clientes e amigos tinham boas coleções dos seus instrumentos.
Já o mestre tinha os seus instrumentos dentro de caixas arrumados . Num almoço de família lançou o repto para o ar acho que vou organizar todos os instrumentos e fazer mais alguns de forma a ter algo em condições. Ideia essa que foi prontamente aceite pela família.

Entretanto durante uma entrevista que lhe foi feita, falou sobre a coleção. No dia seguinte o jornal noticiava a abertura do Museu dos cordofones.
O mais bonito da história é que nem foi Domingos Machado a dar o nome ao museu mas sim a comunicação social .Na altura Domingos Machado pensou se é para ser museu de cordofones assim será em 22 de Setembro de 1995 o sonho concretizou-se.
Em Janeiro do ano seguinte já Domingos Machado recebia correspondência do Instituto nacional dos Museus sem saber se quer como o seu museu estava inscrito no instituto nacional.
Uma vida e um legado aos concidadãos de Braga feito por coincidências felizes.

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