Correio do Minho

Braga,

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Com bolinha vermelha ao canto?!

Muita desconfiança é patológica

Ideias

2012-10-19 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Segundo o JN de 20.8.12, “os partidos com assento parlamentar aprovaram a 15 de Junho um projecto de resolução conjunto para permitir que o Canal Parlamento passe a ser transmitido em sinal aberto, prevendo-se que começaria a emitir a partir de Setembro”.

Simplesmente a ERC entende que tal transmissão em canal aberto obriga à emissão de uma licença “a não ser que o parlamento faça alterações à Lei da Televisão”, posição essa de Carlos Magno em “carta enviada à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, uma das principais defensoras da inclusão da AR TV na TDT”.

Embora esperançado numa pitada de bom senso nos nossos deputados, fomos surpreendidos com a publicação a 27 no ‘Diário da República’ da “lei que permite que o Canal Parlamento possa emitir em sinal aberto, como de há muito era desejo de Assunção Esteves de tal canal “chegar a todos os cidadãos” (JN, 28.8.12).

A polémica está lançada e a questão continua ainda a suscitar dúvidas na ERC, mas é de todo incontornável e uma triste realidade que o querido e aprovado pelos deputados não deixa de ser muito questionável, dando azo a interrogações, dúvidas e problemas sendo certo que o menor deles nem será a necessidade da licença.

Aliás, para além de tal transmissão só dever acontecer a determinadas horas do dia e tão só quando as crianças já não possam assistir, interrogamo-nos seriamente do real interesse em tal transmisssão. Os políticos não se enxergam?! Ainda não se aperceberam de que o povo trabalhador, sério e honesto se está marimbando para a política e para o que se vem passando na A.R.!?

Assistir em directo ao que realmente se vem passando com os ‘profissionais da política’, para além de muito deseducativo, ‘rasca’ e até chocante para os portugueses, requer no mínimo que se exiba uma bolinha vermelha no canto superior direito do televisor porque ninguém pode ser coagido ou levado a assistir aos múltiplos e até soezes insultos entre os parlamentares, às discussões estúpidas, aos ataques pessoais e disputas verbais nada dignificantes e esclarecedoras que tão só descredibilizam a instituição e a política.

Aliás uma ‘instituição’ com deputados a mais, demasiado dispendiosa para o erário público e de discutível utilidade prática onde muitos oportunistas, ao abrigo de uma muito apregoada e ‘encapotada’ democracia, se vêm ‘servindo’ para projecção e vaidade pessoais, esconsos interesses particulares e para um extravasar de recônditos sentimentos e recalcados desejos. Num tolo exibicionismo de pendor partidário e sempre esperançados na manutenção do lugar e das adstritas alcavalas e benesses.

Não se tendo esquecido ainda os ‘corninhos’ lançados por um deputado a outro nem o “mansa é a tua tia , pá” e o “vai para o c .....” de outro, etc., etc., são legítimas as dúvidas quanto a um real interesse do povo em tal espectáculo, muitas vezes travestido em revista do Parque Mayer.

Um espectáculo entediante, às vezes vergonhoso, causador de pasmo e revolta com deputados a ler o jornal, a consultar ou a mexer no computador, a conversar, a atender telemóveis, a enviar mensagens, etc., para já não se falar dos risinhos alarves, apartes e pateadas de conhecidos ‘paus mandados’ dos partidos, agindo a ordens de comando, e ainda... dos lugares vazios em certos dias e sessões.
E é para isto que se quer o canal parlamento aberto?!

Aliás não compreendemos bem os porquês e desejos da presidente com o seu ar de cachopa esgrouviada, riso fácil e estampada simpatia mas se “Assunção Esteves sempre frisou que não se trata de um canal como os outros” (JN, 28.8.12), diremos tão só que são muitas as suas semelhança e proximidade com os outros canais.

Porventura não é verdade que são apresentadas com certa regularidade muitas ‘novelas’ como as habituais interpelações da oposição ao governo, as discussões calorosas entre parlamentares, as sibilinas acusações, as ‘peças’ de teatro bufo nas comissões, as pateadas, as gargalhadas, os risinhos e as ‘votações’ comandadas!?

E por outro lado é de todo evidente a gratuita e incontornável ‘publicidade’ das muitas cabeças ocas e estúpidas que hoje pululam na política e nos órgãos do poder, uma publicidade, diga-se, que vimos ‘pagando’ com o dinheiro gasto com o parlamento e partidos, partidos aliás que só complicam e prejudicam desde há anos todo um povo trabalhador.

Um parlamento que, reconheça-se, até ao presente só se tem vindo a apresentar como algo de todo inútil, inócuo, ridículo e que, além do mais, acolhe e dá cobertura a cenas indecorosas, inaceitáveis e de puro trauliteirismo político-partidário.

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