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Ideias

2017-03-10 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Há frases, palavras, posições e ideias que nos merecem atenção e análise pelo que não podemos deixar de as analisar e sublinhar, sendo no entanto óbvio que não nos debruçaremos sobre os “enxovalhos”, “agressividades”, “torpezas”, “destemperos” e “paixões” que vêm vingando entre os comentadores e os “intelectuais” da bola. Por uma questão de respeito por nós próprio e em defesa da nossa sanidade mental, como se compreende .
1. A propósito da novela da CGD, alongada em episódios e no tempo, Jerónimo de Sousa disse não pôr a mão no fogo por ninguém, o que se configura como uma posição inteligente e prudente a deixar entrever maturidade, esperteza e ... conhecimento do que realmente ocorreu. Sendo uma declaração politicamente correcta, de modo nenhum se pode dissociar da posição do PCP no quadro do badalado inquérito parlamentar que teria sido “embargado” e “sabotado” pelo Bloco e PCP, com aplausos do PS, invocando-se inconstitucionalidades quanto ao desejo da oposição de conhecer as mensagens trocadas entre Centeno e A.Domingues respeitantes aos convite, promessas de isenção e imunidade a declarações de rendimentos, a que se teriam ajoujado uma lei feita à pressa, reticentes informação e divulgação públicas e discutíveis “inocências” de Marcelo no caso . Uma realidade que se quis escamotear quanto a contornos, teor e figurantes e que suscitou comentários, posições de repulsa e ataques quando bastava tão só dizer-se a verdade. O que teria evitado a “ferocidade” do Galamba e outros do PS quanto ao PR e comunicado sobre a manutenção do Centeno, o “decreto” de César “desqualificando” Galamba ao dizer que não falava como dirigente do PS nem deputado, e a “esfarrapada” desculpa deste alegando ter havido “uma percepção errada” do que dissera. Um método também usado pelo Centeno, mas os “burros” e “estúpidos” somos nós . Aliás um tema que já cheira mal, ainda não encerrado como queriam o Marcelo e o Costa e a oposição teima em manter vivo, e daí agora, e em sequência, “arrostar” com a polémica da saída de milhões para offshores e do papel do Núncio e anterior governo, porque a melhor defesa é o ataque, como no futebol. Mas não será com novo inquérito parlamentar que a questão se resolve, mesmo que vencido o “embargo” da gerigonça quanto às mensagens, sendo certo que também não satisfaz a afirmação de Costa de que são meras “tricas”e “coscuvilhices”.
2. Aliás “tricas”, “nicas” e “coscuvilhices” que só desprestigiam os intervenientes, se é que gozam ainda de respeito e prestígio. A propósito, F.J.Marques, director do FCP na área da comunicação, confrontado com a insinuação de que Soares, o avançado, estaria a jogar emprestado pelo Guimarães, afirmou que “Soares não só jogou, como marcou e isso preocupa André Ventura”, acrescentando que “ele sabe que aquilo que diz não faz sentido. André Ventura é professsor universitário, não é burrro“ (O Jogo, 15.2.17). Uma afirmação que não ousamos contestar nem asseverar, até porque de imediato fomos transportados para outros tempos e zonas de saudade. Da nossa Regente escolar, professores liceais, lentes e professores universitários da nossa passagem por Coimbra nos idos de 60, cuja “burrice” ou “inteligência” então não se questionava, não se discutindo sequer ocasionais intelectualidades, “enviesadas” ou “gratuitas”. Actualmente, face às alterações e mudanças havidas após Abril em termos de aprendizagem, programas, currículos, exigências e critérios, e devido aos efeitos perversos da acção de ministros “abodegados”, dos laxismo e facilitismo feitos lei, dos “abandalhamento”, irresponsabilidades e indisciplina permitidos, dos alinhamentos cooptados a Bolonhas e Pisas, de variações de cargas horárias, calculadoras, computadores, acordos ortográficos, novas licenciaturas, mestrados e doutoramentos, etc., não há quem nos convença a uma posição firme, fundada e segura sobre educação, ensino, formação universitária, inteligência e capacidade de seus quadros e elementos, por mais que se “alinhem” títulos, qualificações, frequências e formações. Regista-se tão só a longa valência “sindical” do “ministro” Mário Nogueira, “importunando” e “calando”os Rodrigues (a M.de Lurdes e o Tiago - são parentes?), os Cratos, etc., e ainda “outros” políticos apontados como “professores universitários” mas cujas valia, inteligência, verdade e capacidade suscitam reservas. Mormente ao surgirem como comentadores “encartados” das TVs após seus “passeios” pelos corredores da Banca, magistratura, governo e parlamento sem terem conseguido disfarçar suas “enviezadas” intectualidades e esconsas cores políticas. Quanto a tudo isto, aliás, há que evocar os cursos de Sócrates, Relvas e outros, as equivalências, os exames ao domingo, certos “convites” para leccionação e as realidades de algumas escolas superiores. Os professores universitários não são burros? Ficando-nos por um prudente silêncio, apenas se anota que há quem não se enxergue, se recate e saiba vencer a vaidade nas considerações e comentários que deixa escapar nos media. Por vezes enviezados e “abafados“ por gratuitos alardes de conhecimento e intelectualidade, e para mais “coloridos” e “direccionados” . 3. Aliás, quanto aos media e ao jornalismo, não podemos deixar de registar a posição de Felisbela Lopes sob o título «Os media serão antipoder ?» quanto às “teses que olham o jornalismo como um contrapoder, um antipoder ou, até mesmo, um quarto poder”, exarando que “o jornalismo é o exercício de dizer o que se passa mais relevante. Com clareza, rigor e respeito pelas leis. Tudo o resto são entropias” (JN , 10.2.17). Não comungando da “ingenuidade”de tão “teorético pensamento” que se nos afigura perfilar-se na afirmação e se regista, não “embarcamos” de modo nenhum na conclusão simplista de que “tudo o resto são entropias”. Qualquer ideia de optimização no concreto de uma afirmada conceptuação acaba sempre por esbarrar em irrealidades e contradições no seu “fieri”, incontornável na sua intrínseca veracidade. Aliás a realidade no concreto não permite “aligeirar” e tudo alapar numa qualificação de entropias (do grego entropia), perfiladas nas suas extensão e compreensão específicas como extensões de estados e grandezas física e laivos de teor filosófico respeitantes à ”medida de capacidade de um sistema de poder efectuar transformações espontâneas”, sendo “estatisticamente medida do grau de desordem ou caos de um sistema” (apud dicionários). Ficando-nos tão só pelas realidades do actual sistema no concreto da comunicação e jornalismo que temos, em que é usual “escamotear-se” verdades, “colorir” realidades, ”plantar-se” notícias, ”engrossar” situações e “descrever-se” factos e posições de uma forma enviezada, intencional, premeditada, nada inocente e mais conveniente aos interesses dos poder governamental ou político, será mera estultícia e lunático falar e pensá-los como um exercício claro, rigoroso e de respeito. Há no sistema “entropias” a mais, desordem, caos e transformações “nada espontâneas”, concretizadas aliás em muitos “jogos” e incontornáveis apetências pelo domínio da comunicação e dos media, não relevando sequer enunciar casos, notícias, títulos e directores que “alinharam” e se “associaram” a figuras políticas e ao poder. Na realidade, e no decorrrer dos tempos, o jornalismo é procurado, “usado” e vem-se configurando como um quarto poder, a maior parte das vezes “destilando” oportunismo e envergando as “vestes” dos “donos” do poder. E se nos ficamos com a afirmação “profunda”(?) de George Bush ao considerar que «a comunicação social é indispensável para a democracia», não se esquece que para a actriz Juliana Pais «o segredo para uma realização feliz é a comunicação», com outros e mais agradáveis contornos, claro !... Mas isto não passa de uma mera entropia “embalada” por um escrevinhador.

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