Correio do Minho

Braga,

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Como ter uma casa ecológica?

Sobre o alojamento no Ensino Superior

Escreve quem sabe

2010-06-28 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

A maior parte da população passa cerca de 90% do seu tempo em espaços fechados, é, portanto, essencial que estes sejam saudáveis e, para isso, é necessário conhecer as fontes poluidoras a que estamos diariamente sujeitos e as medidas a tomar para as evitar ou atenuar.

. Compostos orgânicos voláteis: são compostos que produzem vapores mesmo à temperatura ambiente. O problema é que estes são, muitas vezes, tóxicos, libertando-se de solventes, contraplacados, carpetes, ceras, vernizes, tintas, lacas, detergentes e fibras sintéticas, insecticidas e aerossóis, roupas limpas a seco, etc.

Sintomas habituais resultantes da inalação incluem erupções cutâneas, dores de cabeça, irritação dos olhos, fadiga, depressão e alergias;
. Produtos da combustão: formam-se em casas com esquentadores, lareiras, fogões e aquecedores a gás e são potencialmente perigosos. Entre eles o monóxido de carbono (a partir de uma dada concentração diminui a capacidade respiratória, interfere com a fisiologia do fígado e reduz a capacidade cognitiva), fundamentalmente em ambientes mal ventilados, e os óxidos de azoto (afectam o sistema nervoso e reprodutivo). As garagens integradas em moradias ou prédios podem ser especialmente perigosas devido aos gases dos automóveis; por esta razão, devem-se encontrar cuidadosamente isoladas do resto dos edifícios;

. Biocidas: a maior parte dos pesticidas e insecticidas não foi devidamente testada em termos de segurança para o ser humano. Por vezes ocorrem efeitos sinérgicos - o contacto isolado com dois pesticidas pode ser relativamente inócuo, mas em simultâneo tornar-se muito grave. A exposição a biocidas é, naturalmente, muito mais provável em quintas e casas do campo, mas mesmo nas cidades pode dar-se através de insecticidas domésticos, carpetes, tintas e produtos de madeira, que são regularmente tratados com aqueles químicos;

. Poluição electromagnética: este tipo de poluição tem obtido maior atenção pública sobretudo desde o advento dos telemóveis e antenas transmissoras. Embora os cientistas se dividam relativamente aos perigos desta radiação, há contudo vários estudos que apontam para a existência de graves efeitos secundários. O risco de contracção de doenças, como a leucemia, parece ser acrescido em residentes próximos de postes de alta tensão e de antenas de telemóveis. Mais vale aplicar o princípio da precaução;

. Poluentes de origem natural: muitos poluentes ocorrem naturalmente na Natureza, ainda que, regra geral, em níveis que não constituem uma ameaça. A radioactividade e o gás radão são porventura dos mais preocupantes. O radão penetra nas casas (através de fendas, canos, etc.) ou é mesmo libertado pelos seus materiais constituintes (como é o caso do granito) e, se estas não se encontrarem devidamente ventiladas, pode atingir concentrações nocivas para a saúde. Em zonas de risco, como é o caso do distrito de Braga por ser granítico, é recomendável realizar medições, nomeadamente em casas térreas e construídas em granito. O pólen, o pó e os esporos de fungos também se podem considerar poluentes naturais, visto que estão relacionados com o surgimento de alergias e de asma.


Para ter uma casa saudável é necessário, portanto, minimizar a ocorrência destes poluentes. Algumas estratégias que devem ser adoptadas neste sentido são:

- adaptação ao clima: a boa localização das janelas pode contribuir para reduzir necessidades energéticas, facilitar o arejamento e aumentar a luminosidade. Uma entrada pavimentada e coberta permite reduzir a quantidade de resíduos que entra em casa (o ideal é que as pessoas se descalcem ao entrar em casa);
- redução dos produtos da combustão: todos os equipamentos a gás ou com combustão deviam ter respiradouros para o exterior e estar equipados com monitores de monóxido de carbono. Deve haver uma entrada de ar na habitação para compensar o oxigénio que é consumido;
- gestão da água: o prolongamento dos telhados reduz as infiltrações de água e, assim, os problemas de humidade e o crescimento de fungos. Um bom sistema de drenagem envolvendo o edifício evita a acumulação de água em seu redor. No interior também devem existir formas eficientes de libertar a humidade para o exterior, dos quartos de banho e da cozinha, fundamentalmente;

- durabilidade dos materiais: a construção de uma casa deve ser feita a pensar na sua longevidade, é preferível investir um pouco mais e comprar materiais de qualidade e com garantia alargada, do que materiais económicos, mas que requerem mais manutenção. Ao fim de alguns anos, o montante poupado inicialmente pode já ter sido ultrapassado pelo dispêndio em sucessivas reparações;

- eliminação: dentro do possível, as fontes de poluição devem ser eliminadas e esses materiais substituídos por outros, mais inócuos para a saúde. As tintas de base aquosa, por exemplo, vieram substituir tintas à base de solventes e que libertavam compostos orgânicos voláteis;
- uso prudente: como em alguns casos ainda não existem alternativas amigas do ambiente, as quantidades de químicos tóxicos a aplicar devem ser tão reduzidas quanto possível.

De grande importância também, embora comummente negligenciado, é o factor humano relacionado com o uso que os residentes dão à sua habitação. Estes deverão saber manusear correctamente os equipamentos que possuem, tendo especial cuidado com a ventilação da casa. Deverão evitar o uso de fragrâncias artificiais, repelentes de insectos e perfumes. A maioria contém produtos sintéticos derivados de petróleo prejudiciais à saúde. Recomenda-se ainda a utilização de produtos de limpeza menos agressivos. E não esquecer: numa casa saudável não há lugar para o fumo do tabaco!

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