Correio do Minho

Braga, terça-feira

Confiança máxima

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Ideias Políticas

2018-09-25 às 06h00

Hugo Soares

A vida política bracarense encontrou na decisão da Câmara Municipal de alienar o antigo edifício da Fábrica Confiança um motivo de participação mais exacerbado. O mote parece ter sido dado pelo Presidente da Junta de Freguesia de S. Victor que pese embora tenha sido chamado a contribuir para o caderno de encargos da venda do edifício não advoga a alienação da Confiança. Vamos então por partes.

I. Quando em 2013, a Confiança foi comprada pela Câmara Municipal, por 3 milhões de euros, com os votos favoráveis pelo menos do partido socialista e do partido social-democrata, muitos dos mesmos que hoje brandam contra a venda por um valor mínimo de 4 milhões de euros diziam em surdina e insinuavam em voz alta que o negócio era uma vergonha porque o edifício não valia nem de perto nem de longe aquele montante. Ponto prévio: manda a lógica dizer que se a Câmara Municipal não pagasse o que vendedor queria o prédio não seria comprado e o risco de um qualquer privado o adquirir em mercado era evidente sem qualquer caderno de encargos. Ora, hoje, que a venda está estipulada para um preço nunca inferior a 4 milhões de euros, não ficava mal uma palavrinha de desculpa a alguns… que são os mesmos que mais têm incendiado o debate público.

II. Quanto à legitimidade da Câmara Municipal para a venda da Confiança (um dos argumentos que está no debate) convém recuar ao programa eleitoral sufragado pela esmagadora maioria dos bracarenses em 2017 que reza assim: “análise sobre o futuro da antiga Saboaria e Perfumaria Confiança, tomando uma decisão definitiva sobre as suas oportunidades de reabilitação ou a sua alienação com vista ao financiamento de outras iniciativas culturais e patrimoniais (mas sempre com a salvaguarda dos valores arquitetónicos e a criação do núcleo museológico da fábrica original)”. Ora, a todos quantos estiverem de boa fé não pode restar dúvida que a decisão política de alienar a Confiança nos moldes supra descritos está mais do que legitimada pela população bracarense.

III. Sou daqueles que considero a recuperação da Confiança decisiva para impulsionar a regeneração e requalificação urbana de um espaço da cidade degradado e com pouca coerência urbanística. Na verdade, que me desculpem o “crime” de não considerar a musealização da Confiança o primeiro dos motivos da sua recuperação, mas é um facto que dar vida à Confiança é para mim prioritário. Foi esse um dos principais motivos que me levou à defesa da compra em 2013 por parte da Câmara Municipal, como é hoje um dos principais motivos para defender a venda nos termos propostos. Assim, a garantia de que a venda nos termos do caderno de encargos acautela tudo quanto defendi e ainda aspetos arquitetónicos e museológicos é uma ideia de tranquilidade e confiança que o executivo passa aos bracarenses.

IV. Outro dos argumentos que tenho ouvido é o de que “a câmara tem 4 milhões para comprar o S. Geraldo mas não tem para recuperar a Confiança”. Pois é. É assim tal e qual. Parabéns à Câmara Municipal que consegue não só adquirir o São Geraldo como recuperar esse montante na venda da Confiança ao mesmo tempo que garante a sua reedificação, garante a sua traça arquite- tónica e a sua referência histórica. Junta o útil ao agradável não é uma característica que todos consigam. Conseguiu, desta vez, a Câmara Municipal de Braga.

V. Uma nota sobre a posição do Presidente de Junta de São Victor. Sei bem que durante décadas não estávamos habituados a que presidentes de junta eleitos pelas listas de quem está no poder na Câmara Municipal ousasse discordar de opções do presidente de câmara. Que bom é ver a democracia e a pluralidade de opiniões a funcionar. Desenganem-se aqueles que possam considerar que este tipo de circunstâncias causam mal-estar nas hostes dos partidos que sustentam politicamente o executivo municipal. A diversidade de posições é estimulante para quem governa e um líder não se encolhe perante aqueles que o contrariam. Um líder vence pela força dos argumentos. Neste particular, o Ricardo (Rio) tem muita mais razão que o Ricardo (Silva). Não se pode acertar sempre, mas o Ricardo (Silva) acerta quase sempre. Falhou desta vez.

Braga fica a ganhar com a recuperação da Confiança. Fica a ganhar do ponto de vista da requalificação urbana. Fica a ganhar do ponto de vista financeiro. Fica a ganhar do ponto de vista dos equipamentos que servem os munícipes. Fica a ganhar na recuperação do seu património histórico. Ficou a ganhar em participação cidadã. Com este resultado, só posso garantir: Confiança máxima em Ricardo Rio.

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