Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Crowdfunding - financiamento colaborativo para empreendedores

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Ideias

2016-01-23 às 06h00

Vasco Teixeira

OCrowdfunding corresponde a uma estratégia alternativa de angariação de fundos para a inovação em empresas, para startups ou novos produtos de empreendedores, para financiar projetos científicos ou projetos sociais.
Crowdfunding, (financiamento coletivo, participativo ou colaborativo) é uma nova forma de angariar fundos para um projeto (empresarial ou até ligado a uma causa social), ao longo de período de tempo pré-determinado, através de um grupo de pessoas que eventualmente partilha os mesmos interesses. Na prática, corresponde a colocar o financiamento (“funding”) nas mãos da multidão/população (“crowd”) sendo especialmente disseminado pela internet e onde o papel das redes sociais é crucial para que o projeto chegue ao conhecimento do maior número de pessoas.
Os promotores devem apresentar e submeter o seu projeto numa plataforma tecnológica na internet (plataforma crowdfunding) dando a conhecer a ideia original do seu projeto e o montante de financiamento mínimo que pretendem obter para a sua concretização. Essa plataforma de Crowdfunding tem, por um lado, os empreendedores (os criadores do projeto) que procuram financiamento para a sua realização. Do outro lado estão os potenciais patrocinadores (financiadores, apoiantes da campanha de Crowdfunding) que poderão ajudar com fundos à concretização dos projetos, por doação numa ideia/causa em que acreditam, ou de recompensas criadas pelos criadores do projeto.
Existem várias modalidades de crowdfunding:
-Doação, filantropia e patrocínio;
-Empréstimos;
-Participação no capital/lucro das empresas;
Existem milhares de plataformas de crowdfunding internacionais. Os projetos mais comuns neste tipo de plataformas ligam-se à promoção de eventos de natureza cultural, artística, desportiva, e projetos de empreendedorismo e de cariz social. As plataformas podem ainda distinguir-se por estarem associadas a projetos generalistas (ex: plataforma indiegogo), por se concentrarem em projetos inovadores (ex: plataforma Kickstarter) ou em áreas temáticas especificas de projetos (saúde, ambiente, ciência, etc).
Em Portugal, a modalidade de crowdfunding começa a ser uma realidade em várias áreas. O financiamento de projetos promovidos através de plataformas eletrónicas de crowdfunding e as contribuições de investidores estão sujeitos a regras mais exigentes desde setembro de 2015, data onde esta atividade passou a ter enquadramento legal em Portugal.
Em Portugal existem ainda poucas plataformas (PPL e Massivemov são as mais conhecidas). A PPL por exemplo, desde que foi fundada, há mais de quatro anos, já angariou um total de 1,2 milhões de euros para os vários projetos. No entanto, a maior quantia angariada para um projeto só ascendeu aos 22 mil euros. Plataformas internacionais como o Kickstarter chegam a angariar 12 milhões de euros num só projeto. Em 2014, na União Europeia (e excluindo o Reino Unido) o crowdfunding movimentou 217 milhões de euros.
Recentemente a modalidade Crowdfundig teve uma divulgação alargada nos meios de comunicação nacional pela inovação apresentada pelo Museu de Arte Antiga, que lançou uma campanha de angariação de fundos para comprar o famoso quadro “A Adoração dos Magos”, do pintor do século XIX Domingos Sequeira. Através das contribuições online, o museu já arrecadou 70 mil euros, cerca de 10% do quadro.
Na Europa, cerca de 70% do financiamento das empresas é obtido através de crédito bancário, enquanto nos Estados Unidos a proporção é a inversa, com o essencial do financiamento a ser garantido através dos mercados de capitais.
Uma das prioridades centrais estabelecidas na Estratégia Europa 2020, bem como no Ato para o Mercado Único da Comissão e no “Small Business Act” consiste em facilitar o acesso das Pequenas e Médias Empresas (PME) ao financiamento.
A Comissão Europeia apresentou uma comunicação no âmbito do seu programa de financiamento as empresas, sobre a importância do financiamento coletivo (crowdfunding), como forma de oferecer outras opções de financiamento para as PME, sobretudo aquelas que não conseguem aceder ao financiamento tradicional. O Livro Verde da Comissão Europeia apresentado em 2014 sobre “O financiamento a longo prazo da economia europeia” lançou um amplo debate e suscitou respostas de todos os segmentos da economia. O pacote de medidas adotado inclui uma comunicação sobre o financiamento a longo prazo da economia.
As ações apresentadas centram-se em seis grandes domínios de intervenção, designadamente a mobilização de fontes privadas de financiamento a longo prazo, uma melhor utilização dos fundos públicos, o desenvolvimento dos mercados de capitais europeus, uma melhoria do acesso das PME ao financiamento, atrair o financiamento privado a favor de infraestruturas, a fim de permitir a realização dos objetivos da Estratégia Europa 2020, e promover um quadro mais amplo em matéria de financiamento sustentável.
Relativamente ao modelo de financiamento coletivo (crowdfunding) a Comissão Europeia propõe:
- promover as melhores práticas setoriais, sensibilizar e facilitar o desenvolvimento de um rótulo de qualidade;
- acompanhar de perto o desenvolvimento dos mercados de financiamento coletivo e os quadros jurídicos nacionais,
- e proceder regularmente a uma avaliação quanto à necessidade de quaisquer novas medidas da UE, incluindo medidas legislativas. O objetivo é identificar as questões que devem ser abordadas a fim de apoiar o crescimento do financiamento coletivo.

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