Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Cuidados Paliativos – A morte é um momento… importa aproveitar a vida

Uma carruagem de aprendizagens

Voz à Saúde

2018-11-20 às 06h00

Joana Barbosa

Os cuidados paliativos estão definidos como uma série de tratamentos destinados a uma doença irreversível, ou seja, que não tem cura. Assim, e ao contrário do pensamento da maioria das pessoas, os cuidados paliativos não se destinam apenas a pessoas com doenças terminais. Os cuidados paliativos englobam a prestação de cuidados físicos, emocionais e espirituais. O objetivo destes cuidados é atenuar a dor e melhorar a qualidade de vida dos doentes, durante semanas, meses ou anos. Os cuidados prestados pelas equipas de cuidados paliativos, têm como pilar essencial a vontade e as metas do doente, no entanto, o envolvimento da família em todo o processo, é fundamental. A comunicação é uma ferramenta terapêutica essencial, que dá acesso ao princípio da autonomia, ao consentimento informado, à confiança mútua e à segurança que o doente precisa ter para ser ajudado e ajudar-se a si próprio.

Na família destes doentes o impacto emocional é enorme, na maioria das vezes condicionado por muitos medos e questões, que os profissionais de saúde têm que saber reconhecer e esclarecer as vezes que forem necessárias. Todos os médicos, bem como a maioria das pessoas na sua vida pessoal e familiar já foram confrontadas com as perguntas: “E agora o que vai acontecer? O que podemos fazer? A quem devemos recorrer? Quanto tempo falta?”… Na realidade não existe um tempo estabelecido, mas sim um dia de cada vez. As equipas de cuidados paliativos ajudam a antecipar, reconhecer e tratar os sintomas, que interferem direta- mente com o bem-estar do doente. A preparação do luto, também é uma etapa importante, sendo necessário haver uma comunicação franca e honesta de forma a diminuir os níveis de ansiedade, prestando um cuidado de proximidade.
Segundo um estudo da Universidade de Coimbra, em Portugal, "71% das mortes de adultos e 33% das mortes de crian- ças devem-se a doenças que necessitam de cuidados paliativos".

Contudo, estima-se, segundo a comissão nacional de cuidados paliativos, que os cuidados cheguem a “menos de 20%” dos doentes. Vivemos numa sociedade consumista de cuidados de saúde, mas é importante haver uma consciencialização da importância de levar os cuidados de saúde ao doente de uma envolvência mais ativa de toda a sociedade, de forma a proporcionar o melhor acompanhamento a estes utentes. É então essencial uma abordagem dinâmica, ativa de todos, não reservando os Cuidados Paliativos apenas para a fase agónica, desenvolvendo projetos domiciliares e sociais, que vão de encontro a uma medicina de proximidade e centrada no doente.

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