Correio do Minho

Braga,

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Damas imperiais

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2016-01-22 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Há dias, e vá lá saber-se a razão, veio-nos à memória o filme ‘O Império do Sol’ em todo o seu apogeu, simbologia, desenvolvimento, força e tradições e logo nos deleitámos com os mil e um meandros de tal gesta, seu fausto e imponência, como de igual modo nos deleitámos recordando ‘Sissi, a jovem imperatriz’ e outros da mesma série.

Não sendo de modo nenhum machista, até porque há quase 50 anos, e sem quaisquer razões de queixa, temos vindo a ser “governados” e dirigidos pela “imperatriz” que então “elegemos”, a grande realidade é que Portugal se vem tornando cada vez mais num país onde pululam “imperatrizes”, “maestrinas” e até “regentes”, que aliás não se cansam de intervir e de vozear, sempre mostrando a sua presença.

E, diga-se em abono da verdade, muitas não vêm deixando os seus créditos por mãos alheias, ultrapassando mesmo “vícios” da juventude, esquecendo “loucuras” e “utopias” de uma qualquer eventual, defeituosa ou deficiente formação humana e intelectual, muito embora aqui e ali ainda seja possível vislumbrar alguns dos seus “minus” e “fraquezas”, acobertados por ideias libertárias ou da moda. Mas é forçoso admitir e registar que há “damas” imperiais que já deram provas da sua mais valia, denotando qualidades humanas, sensatez, sabedoria e competência para ”governar” e “reinar” com inquestionável relevância e eficiência.

Temos agora à frente do Ministério da Justiça a Francisca, cujo porte, inteligência e qualidades, não suscitando quaisquer reservas, a projectam como uma “imperatriz” de que há muito a esperar e a Procuradoria da República Distrital de Lisboa tem agora a dirigi-la a Morgado, uma magistrada com muita experiência e provas dadas, bem conhecida pelas suas discutíveis intervenções e excessiva mediatização, que por vezes se deixa levar por tentações de surgimento e de afirmação com resquícios da sua mocidade política, enquanto a Joana, em todo um recato de inteligente reserva e de sábia, sensata e prudente intervenção, se tem vindo a perfilar e a afirmar-se como a pessoa certa para o lugar certo, mostrando-se bem firme, independente e actuante no Palácio dos Duques de Palmela, na PGR, em representação e orientação do MP, “congelando” em simpáticos e “comedidos” silêncios e pensadas palavras todo o muito barulho e “alarido” que vem envolvendo a justiça e certos processos, “aparando” com destreza e arte os muitos “dardos” que no dia a dia, directa ou subrepticiamente lhe são “atirados” pelos media e alguns resssabiados, políticos e não só.

Numa paciente impassividade de inteligente bonomia, independência, competência e isenção, tal como as funções lhe exigem, à actual PGR se tem ficado a dever muito do prestígio, da acção e da eficácia do MP em concreto, ainda que não se possa de modo nenhum esquecer nem minimizar todo o naipe de elementos de que se fez rodear num quadro de gestão e de actuação dos seus profissionais. E continuando a debruçar-nos sobre o tema em epígrafe, é óbvio que não podemos deixar de aludir e de referir também a muito reconhecida Raquel, a ‘Raquelinha’ como alguém carinhosamente a trata, que vem tendo a seu encargo a PGD do Porto, com todas as suas dificuldades e perversos problemas.

Todas mulheres com garra e perfil de direcção e de comando que têm vindo dando o melhor de si ao serviço público, e a bem do país, muitas das vezes com sacrifíco da sua própria vida familiar e social, sendo de sublinhar, quer se goste ou não de seus especiais feitios, temperamentos e indisfarçáveis inclinações e tendências, que em todas sobressai e predomina todo um querer servir em competência, isenção e independência, e, numa afirmação de cidadania, cumprir a função dentro do quadro e limites das funções em que estão investidas.

Dirão os machistas, que até nem serão tão poucos como issso, que o mundo é agora das mulheres, quiçá ressabiados por as verem ascender a altos cargos na vida pública e em trabalhos de direcção e de governo, mas o problema, se é que existe, nem é de agora por- quanto desde há tempos que se tem vindo a verificar o seu surgimento na vida e em funções públicas.
Aliás, algumas vezes fomos interpelados quanto à real valia e eficiência do trabalho levado a efeito pelas magistradas e tivemos de concluir, porque forçados a todo um cotejo com outros profissionais da mesma área, que na sua acção em concreto, em conhecimentos, espírito de desembaraço, produtividade e competência em nada ficavam a dever a seus colegas, ainda que, face às suas especiais natureza, sensibilidade, personalidade, modo de ser e de sentir feminista, se perfilavam como mais difíceis, duradouros e frequentes alguns “choques” e “desaguizados” que por vezes surgiam no seu seio.

Assumindo insólita relevância e estulta imponência, aliás com efeitos perversos, meras bagatelas e pequenos nadas de um qualquer corriqueiro, natural e desculpável procedimento ou atitude comportamental.
Importará no entanto referir-se que nem todas terão perfil para certas posições, cargos e actividades já que muitas das damas conhecidas e faladas neste país, ainda que pretendendo apresentar-se como imperiais, acabam por “desaguar” no mais banal e corriqueiro despautério de atitudes, posições e de palavras, “gritando” ideias, “bolçando” teorias e até “espumando” raivas, aliás sobretudo muito frequente na área da política, e tudo porque não esquecem passados e suas vivências e não abdicam de todo um revanchismo e de um reacionarismo agudo, revolucionário ou nem tanto.

São mulheres, dir-me-ão em tom depreciativo, quiçá revivendo e recordando “cenas” do parlamento, de comícios, de intervenções políticas, mas impõe-se-nos sobretudo sublinhar que não passam de figuras que não sabem ser verdadeiras senhoras, fazer-se respei- tar e não respeitam ninguém, mormente quando “embaladas”, “dominadas” ou “infectadas” pelos peculiares “virus” da acção política partidária, pela extravagante tirania de certas ideias ou pelo “nebuloso” de esconsos interesses e discutíveis amizades, e então atropelam tudo e todos, mesmo a verdadeira cidadania e a liberdade de pensar dos outros.

Muitas das vezes tão só agindo por mera e oca vaidade, diga-se, e muitas são, não passam de simples “regentes” dos seu nadas, com caviar ou não, e usam as suas posição, imagem pública e liberdade para “aprisionar” e “conspurcar” a liberdade intelectual, a personalidade, a natural inteligência e até o próprio direito de pensar dos outros, note-se! São as Anas Gomes, Catarinas, Mortáguas, Alines, Marisas, Avoilas, Apolónias, Moreiras, etc., etc., do nosso descontentamento e do país, que aliás continuam a “espalhar” ideias e a usufruir do “império” de sua presença pela imagem, atitudes e palavras mas sem nunca conseguir disfarçar ou escamotear na realidade os seus “minus” em “pequenez” e “menor valia”, apesar dos princípios que “gritam”, dos “slogans” que bolçam e dos “ideais” que apregoam.

De todos conhecidas, diga-se, graças à sua “gritante” presença no parlamento, em comícios, nos media e em contactos com o público, ocorre-nos recordar apenas que o pai de uma, ao ser interpelado, disse tão só que “ela faz sempre o que quer”, desconhecendo-se o que os outros diriam dos seus rebentos, quando já não há navios nem bancos (em condições)para asssaltar, aviões para desviar nem um qualquer Salazar para combater, etc..
Mas isto são contas de outro rosário, ... até porque no mundo de “damas” que se julgam “imperiais” algumas não passam de meras “regentes” de seus próprios nadas!...

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