Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Desafios para as PME

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Ideias

2016-05-14 às 06h00

Vasco Teixeira

As pequenas e médias empresas (PME) são, particularmente para a economia europeia, a mais importante fonte de criação de emprego, de dinamização dos negócios, de competências empresariais e de inovação.
As empresas portuguesas, e em particular as PME, enfrentam desafios muito significativos no curto e médio prazo e têm ainda muitas oportunidades por explorar.
O dinamismo demonstrado pelas PME portuguesas assim como o seu grande contributo para o emprego e para o crescimento faz com que detenham um papel muito relevante no futuro da economia portuguesa.
Na Europa existem cerca de 21 milhões de PME que representam 99,8% do total das empresas, dando emprego a 87 milhões de trabalhadores e representando cerca de 58% do valor acrescentado bruto total do segmento de mercado não financeiro.
O enorme peso das PME na economia nacional também se traduz numa significativa contribuição destas empresas para o PIB. Segundo dados do INE, em Portugal as PME representam 67% do total do valor criado na economia.
Segundo um estudo efetuado pela Comissão Europeia, os principais problemas detetados que as PME europeias se confrontam são a carga administrativa e regulamentar, o acesso ao financiamento, a fiscalidade e a falta de competências. Problemas que são obviamente sentidos pelas PME portuguesas.
Os desafios que as PME portuguesas enfrentam são os da internacionalização, procura de investimento/financiamento, o recurso inteligente aos instrumentos para os fundos nacionais e europeus e adaptarem-se a nova era da economia digital e integração dos seus produtos industriais nos novos conceitos da Indústria 4.0.
A conjuntura económica que Portugal tem atravessado nos últimos anos demonstra que cada vez mais as empresas devem procurar reduzir a dependência que têm do mercado interno e a apostar mais no mercado internacional. A aposta na internacionalização e na inovação deve ser considerada pelas PME portuguesas como uma resposta necessária e indispensável para os desafios atuais que enfrentam, assegurando, assim, a sua sustentabilidade no futuro.
Cada PME tem especificidades únicas, cada empresa apresenta uma realidade muito própria com tendo os seus desafios específicos. Há desafios que são globais e que decorrem em qualquer momento da vida das empresas. São eles, por exemplo, o crescimento sustentável do negócio, o aumento da produtividade, o acesso a financiamento, a redução de custos, formação de recursos humanos, a inovar eficiência energética, entre outros.
As estratégias das PME tendem a ser emergentes e muitas vezes informais. Em geral, a estratégia utilizada pela maior parte das PME é desenvolvida com o foco do curto e médio prazo em detrimento do longo prazo. Consequentemente, as PME tendem a focar-se maus num planeamento operacional com um planeamento estratégico mais limitado, sendo o principal objetivo o de oferecer um produto ou um serviço eficiente e eficazmente. As empresas que utilizam o planeamento estratégico terão maiores hipóteses de obtenção de vantagens competitivas.
Com a crise muitas empresas não sobreviveram e foram encerradas. Mas muitas outras foram criadas como resultado do grande espírito empreendedor dos portugueses. Mesmo sendo inevitável o encerramento de PME como resultado da crise espera-se que, no longo prazo, isso possa se traduzir num crescimento económico e mais empregos, já que, uma vez recuperada a economia, novas empresas entrarão com mais qualidade e inovação do que as que saíram durante a crise. Estudos realizados em outros países mostram que novas PME, em geral, geram um nível maior de concorrência, o que leva a um efeito positivo no crescimento de empregos num período de cinco a oito anos depois.
A internacionalização é um dos principais fatores críticos de competitividade do tecido empresarial. No entanto, face ao contexto económico atual, internacionalizar é mais uma questão de sobrevivência no mercado para muitas PME do que propriamente uma estratégia de competitividade. É crucial que as empresas portuguesas, em geral, e as PME em particular, reforcem a sua presença nos mercados internacionais e que os diversifiquem, designadamente apostando em mercados emergentes. A internacionalização representa muitos benefícios, não só para as empresas mas sobretudo para o crescimento económico sustentável de Portugal. As PME que apostam no mercado externo enfrentam desafios associados ao processo de internacionalização. Um deles é o conhecimento do novo ambiente socioeconómico e cultural do país de destino. Os maiores desafios para as empresas portuguesas, no acesso aos novos mercados internacionais, são a promoção dos seus produtos e serviços nesse país, o acesso a financiamento para a internacionalização, o estabelecimento da rede de contactos, cumprimento de requisitos legais e compreender o contexto fiscal, e a logística. No que respeita aos mercados emergentes, estes apresentam diversas oportunidades no processo de internacionalização, em especial de empresas que apostam na inovação. A participação das PME em mercados emergentes apresenta desafios acrescidos, requerendo a estas que desenvolvam estratégias adequadas e eficazes para uma internacionalização com sucesso.
Considerando que as PME são uma parte importante da economia portuguesa e desempenhando elas um papel muito importante na recuperação da economia, todas as medidas e suporte (financeiro e não financeiro) para as PME corresponderão, de facto, a apoiar à recuperação da economia e a um crescimento sustentável.

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