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Desgostos da vida

Dar horas ao patrão

Desgostos da vida

Escreve quem sabe

2019-01-27 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Imagine que está no mar, suspenso por um tronco e anda à deriva. Não vê nada nem ninguém e o cansaço é tanto que já não se importa se vem uma onda maior que de vez o afogue. Não dá luta, perdeu o sentido da vida. Um desgosto é uma “partida da vida”, uma espécie de traição por parte de alguém, ou quando nos traímos a nós próprios por acreditar em algo com uma fé inabalável quando as evidências estão à frente dos nossos olhos. Os desgostos também surgem de ilusões ou expectativas face a algo ou alguém. Sofre-se desgostos com a família, porque muitas vezes não é a que deseja ou a que faz bem. Basicamente, filhos/as órfãos de pais vivos. Sofre-se desgostos quando “ dá tudo”, e num ápice “sem dó nem piedade”, vê-se a própria identidade e essência tratada meramente como um número estatístico. Sofre-se com, a família que se escolhe, a amizade, mas nem sempre se tem “pontaria certeira”. E para terminar a ultima peça deste, puzzle, a saúde. Só temos real consciência do valor da mesma, quando se está doente. A estadia mais cara do mundo é a cama de um hospital, onde dinheiro algum pode comprar a vida de alguém. Desde pequenos que somos preparados para o mundo, para as provas mais difíceis. Incrivelmente (até um contrassenso) as infâncias mais dificieis potenciam adultos mais resistentes à frustração ao contrário de infâncias super protegidas que à mínima contrariedade a deceção resvala. Anos e anos da vida se perdem, por desgostos não ultrapassados. Há aquelas fases em que parece que “tudo acontece”, numa espécie de íman em que só se atrai coisas negativas. Sabia que não atraímos propriamente as coisas más?!

O nosso foco de atenção é que está muito focado nos aspetos negativos, é como se já estivéssemos preparados para “o que der e vier” em que o ponto de saturação atingiu os níveis mais elevados da escala. “Não se aguenta mais”, “Estou exausto/a”, “Não dá. Não dá!” , quantas e quantas vezes já escutámos ou até já o dissemos. Quando se pronuncia tais frases, a situação já é bastante grave. Nem todos os desgostos se esquecem com o tempo. Os desgostos bloqueiam no presente. Ultrapassar um desgosto implica acompanhamento psicológico e até em alguns casos mais severos (porque depende de como a pessoa reage ao problema) de intervenção medicamentosa. A medicação, por si não é suficiente, porque os problemas e a dor emocional permanecem quando não externalizadas, (“deitar tudo para fora” ou “Abrir o coração”). Um dos mitos mais comuns da psicologia é que quem procura um psicólogo “está maluco”. Ir ao psicólogo é “procurar a cura”, reconhecer que está algo mal na sua vida e solicitar ajuda. Todos nós, temos um pouco de loucura, afinal de contas não é fácil lidar com a contrariedades da vida. Solte-se das cordas e nós da sua vida. Ainda há muito para viver.

Escreva em vários post-it a frase “ Eu vou ser feliz!” e coloque no vidro do seu quarto, no tablier do seu carro e no seu trabalho, onde os seus olhos possam vê-lo. Está a enviar uma mensagem positiva ao seu cérebro. E no que acreditamos, existem provas científicas que se concretiza. Rodeie-se de pessoas bem dispostas , pois abstrai-se dos seus problemas. É como fazer um telefonema a um amigo porque se sente muito triste, se do outro lado encontrar a boa disposição por momentos tende a esquecer a tristeza. Ultrapasse, partilhando os seus medos e tristezas. Assim como está disponível para os outros, também essas pessoas tem o dever moral e ético de o escuta-lo a si. Voltando ao mar, olhe para o horizonte, haverá nascer do sol mais bonito?! Recomece! Ainda vai ser muito feliz!

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