Correio do Minho

Braga, sábado

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Devolver a praça aos bracarenses

Como se faz uma amizade permanecer?

Escreve quem sabe

2014-11-21 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

A praça pública é o espaço urbano de excelências das pessoas e das afetividades. É aí que acontecem os encontros do quotidiano sobretudo nos grandes centros urbanos. Paris, Londres, Milão, Veneza, Madrid ou Lisboa, são exemplos de grandes cidades europeias que dispõem de grandes praças públicas; espaços urbanos que muito contribuem para a cultura e identidade destas cidades numa economia tão global e competitiva como a que vivemos.
As praças têm um papel essencial na humanização da vida urbana, como também na dinamização dos negócios, funcionando ainda como palco para importantes acontecimentos festivos, comemorações e manifestações.
Em Braga, neste momento, não dispomos de uma praça com a dimensão e amplitude que se impunha. As grandes cidades têm grandes praças. Parece condição obrigatória a sua existência para se ascender ao estatuto de “grande”.
Bem, na verdade, hoje não temos. Mas já tivemos. Chamava-se “Campo da Vinha” - designação por que é vulgarmente conhecida a Praça Conde Agrolongo, era uma das maiores praças de Portugal e foi palco de importantes acontecimentos no século XX.
Infelizmente foi alvo de uma intervenção urbanística mal concebida que a descaraterizou e lhe fez perder umas das suas caraterísticas mais distintivas - a sua amplitude. Criaram-se níveis e desníveis, colocaram-se objetos no centro da praça e o resultado é o que se conhece: uma praça sem identidade, sem carisma, sem força, sem coesão.
Defendo, por isso, que um dia, espero que breve, se possa devolver a Braga e aos seus cidadãos uma praça que é sua por direito, para que se possa fazer juz ao legado que nos deixou o Arcebispo D. Diogo de Sousa quando ordenou a sua abertura no século XVI.
Trata-se de uma operação relativamente simples de se fazer em termos urbanísticos. Trata-se simplesmente de simplificar a praça e retirar o que está a mais. Precisamos apenas de uma praça ampla e plana para ganharmos uma praça de dimensão internacional.
E porquê esta necessidade da dimensão e da amplitude? Para além do aspeto arquitetónico, é fundamental que tenhamos na cidade uma praça que possa ter múltiplas valências e que se assuma como o palco bracarense dos grandes acontecimentos: um concerto de uma banda internacional, um espetáculo de ópera ou de uma orquestra sinfónica, uma manifestação social ou uma parada militar, uma feira do livro ou uma feira de Natal, um comício ou simplesmente o espaço onde uma grande multidão de pessoas acorra para celebrar uma vitória eleitoral ou uma vitória desportiva de um dos clubes da cidade.
Para além deste aspeto mais emocional de devolver a praça às pessoas, uma operação desta natureza traz também outras vantagens. De imediato, ressalta a facilitação da circulação de pessoas do centro histórico até ao mercado municipal. Com uma intervenção desta natureza, o que está em causa é também “trazer” o mercado para o centro histórico. Puxá-lo para esta malha densa por onde circulam diariamente milhares de pessoas, tornando-o mais movimentado e competitivo.
É também uma oportunidade para revitalizar em termos comerciais todos os espaços ali existentes. E sabemos que atrás da renovação dos estabelecimentos comerciais, vem a reabilitação dos outros pisos dos edifícios ou dos edifícios vizinhos, e assim se faz acontecer a regeneração urbana.

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