Correio do Minho

Braga,

Diabetes na gravidez

Ilusões

Voz à Saúde

2018-05-29 às 06h00

Ana Catarina Guimarães

ADiabetes Gestacional (DG) define-se como uma hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) diagnosticada pela primeira vez no decurso da gravidez.
A DG é fator de risco para inúmeras complicações maternas e fetais, pelo que o seu dia- gnóstico é imperativo na redução da mobilidade materna e morbi-mortalidade perinatal e o benefício é tanto maior quanto mais precoce for realizado o diagnóstico e iniciado o controlo metabólico.
A hiperglicemia materna durante a gravidez aumenta nos filhos de mãe com DG, o risco de obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia (colesterol aumentado), risco cardiovascular, assim como, o risco de complicações neurocognitivas (paralisia cerebral, atraso mental, etc).

Desta forma, a Direção Geral da Saúde estabeleceu como estratégia de diagnóstico duas fases temporais distintas: a pesquisa da glicemia (açúcar no sangue) em jejum na primeira consulta de vigilância pré-natal e, caso este valor se encontre dentro dos parâmetros normais, uma reavaliação às 24-28 se-manas de gestação com a prova de tolerância à glicose oral (PTGO). A PTGO consiste na ingestão de uma solução que contém 75 gramas de glicose (açúcar), seguida da medição da glicemia às 0 horas, 1 hora e 2 horas. Deve ser realizada de manhã, após um jejum de pelo menos 8 horas e não superior a 12 horas. Durante a prova a grávida deve manter-se em re- pouso.
Após diagnóstico de uma DG, a grávida deverá ser referenciada para seguimento em consulta hospitalar.
O tratamento fundamental da DG baseia-se em alterações do estilo de vida, como o cumprimento de um plano alimentar equilibrado e realização de exercício físico.

A terapêutica farmacológica apenas deverá ser iniciada quando os objetivos não forem atingidos após a alteração dos estilos de vida. Atualmente, o fármaco de 1.ª linha é a insulina, que não atravessa a placenta. A grávida com DG deve vigiar os valores de açúcar no sangue (autovigilância), para melhor controlo metabólico. Após o parto, normalmente deixa de ser necessária a administração de insulina.
De acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde, todas as mulheres que foram diagnosticadas com uma DG devem realizar uma prova de reclassificação, entre as 6-8 semanas após o parto, com a repetição de uma PTGO. Sendo a prova negativa, estas mulheres deverão realizar vigilância no seu médico de família, com determinações anuais da glicemia em jejum, visto que têm um risco aumentado para virem a desenvolver Diabetes tipo 2. Igualmente, é imperativo que caso pretendam voltar a engravidar, façam uma consulta pré-concecional, pelo maior risco (cerca de 30 a 50%) de voltarem a desenvolver uma DG na próxima gravidez.
Lembre-se, cuide de si, cuide da sua saúde!

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