Correio do Minho

Braga,

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É impossível um mundo melhor sem mudarmos a alimentação!

Uma vergonha

É impossível um mundo melhor sem mudarmos a alimentação!

Escreve quem sabe

2019-02-09 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

É verdade que precisamos de mudar em muitos aspetos, por exemplo como produzimos e consumimos a energia, a construção das nossas casas, como consumimos uma série de bens, mas a alimentação merece um destaque principal… afinal de contas todos nós temos de comer todos os dias, e num mundo em que por um lado temos perto de mil milhões de pessoas com fome e desnutrição e por outro mais de mil milhões de pessoas com excesso alimentar, embora de alimentos sem qualidade, os alimentos-lixo, ou como agora também se diz, de “fake foods”, percebemos que o nosso sistema alimentar é absolutamente insustentável.
E quando falamos de comida/alimentação e de mudança de hábitos e práticas temos de falar do Movimento Slow Food, que desde a sua fundação, em finais dos anos 80, não tem feito outra coisa senão promover a tão necessária MUDANÇA!

De 2 em 2 anos milhares de delegados vindos de todo o mundo juntam-se em Turim (Itália) para discutir as mais diversas temáticas que de algum modo estejam relacionadas com a alimentação, a TERRA MADRE e Salão do Gosto, na última edição realizada de 19 a 24 de setembro de 2018, foram cerca de 5000 delegados (de Portugal participaram 15 delegados), a que se juntam milhares de expositores e de visitantes, e um riquíssimo programa desta vez com 100 fóruns, 6 conferências, mais de 200 workshops de degustação e reuniões agendadas. Um mundo!
A maior constatação ao longo de todo o evento é que É impossível um mundo melhor sem mudarmos a alimentação! E a pergunta que todos tentavam responder era: como conseguir que as pessoas tenham uma alimentação consciente?

Ora bem, para alcançar o tão ambicionado objetivo, pelo menos nos países mais industrializados, onde se inclui Portugal, foi unânime que é fundamental formação!
Saber cozinhar receitas saborosas sem carne nem peixe é a questão chave, porque não só vai ser muito mais fácil reduzir o consumo destes alimentos, que são os principais responsáveis pelas alterações climáticas e perda de biodiversidade, como será possível optar por ingredientes biológicos gastando o mesmo dinheiro.

“Saber comer” é sem dúvida das competências mais urgentes. E então coloca-se a seguir outra questão que é: como alcançar este objetivo da forma o mais eficaz possível? Explorando os sentidos!
Mais importante do que debitar informações é observar, cheirar, tocar, sentir, saborear, que mais naturalmente virá o amor e respeito pela natureza e pelos outros e então sim estarão criadas as condições para serem assimiladas informações teóricas, de ligar a parte sensorial e emocional à teoria.

Tanto para crianças como para adultos, é importante que a aprendizagem seja divertida e é preciso começar pelo contacto com a terra, quer para identificar alimentos silvestres quer para saber como cultivar, e depois passar para a cozinha e finalmente comer. A participação em todo o processo é vital para explorar os sentidos e a nossa ligação à natureza. E claro está esta formação tem de abranger não só todas as escolas, mas outras faixas etárias, e seria mesmo desejável programas de formação para as famílias, para isso serão necessárias políticas públicas e o empenho das organizações não-governamentais.

A Quercus já tem levado a cabo formações sobre pão, onde se cozeu pão de bolota, de castanha e o convencional, de milho de variedade regional e moído em moinho de funcionamento a água. Levou a cabo outras de uso de algas (com elaboração e consumo do almoço: com entrada, prato principal, sobremesa e mesmo bebida!) e outras atividade de micologia em que se ensinou a produzir e a confecionar cogumelos. Outras oficinas debruçaram-se sobre as plantas aromáticas e medicinais, ensinando a enriquecer as refeições com nutrientes e não onerando em muito pois a maioria pode ser produzida em casa, mesmo em apartamentos! Fizemos mesmo o “ABC da cozinha sustentável” em que além disso ainda se ensinava a aproveitar sobras. Esteja atento, estamos a preparar mais atividades!

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