Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Economia Circular - a economia do futuro

Encontrão Ambiental

Ideias

2016-11-19 às 06h00

Vasco Teixeira

É já amplamente consensual que a economia do futuro terá de ser eco-sustentável e não poderá ser desenvolvida baseada num modelo de extração de matérias-primas, produção, distribuição e utilização de produtos “descartáveis” seguindo-se na cadeia os inevitáveis resíduos. A transição da designada economia linear para a Economia Circular implicará novos paradigmas de como as empresas vão produzir, distribuir e até como vamos consumir.

Atualmente, a Europa perde cerca de 600 milhões de toneladas de resíduos, que poderiam ser reciclados ou reutilizados. Apenas cerca de 40% dos resíduos produzidos pelos agregados familiares da UE são reciclados, variando as taxas de reciclagem entre 80% em algumas regiões e menos de 5% noutras. A transformação dos resíduos em recursos é crucial para aumentar a eficiência dos recursos e fechar o ciclo numa Economia Circular.

O crescimento sustentável é uma das prioridades definidas no âmbito da Estratégia Europa 2020, através do qual se pretende promover uma economia que seja não só mais competitiva, mas também mais eficiente em termos de utilização dos recursos.
Em finais de 2015, a Comissão Europeia adotou um ambicioso pacote para promover a transição da Europa para uma Economia Circular, que reforçará a competitividade a nível mundial, promoverá o crescimento económico sustentável e criará novos postos de trabalho.
O conceito é definido pela CE como: “Economia Circular mantém o valor acrescentado nos produtos pelo maior tempo possível e elimina o desperdício'.

O objetivo da Economia Circular é substituir o conceito de fim-de-vida da economia linear, por novos fluxos circulares de reutilização, reciclagem de materiais, renovação e valorização, nomeadamente energética, num processo integra- do. A Economia Circular foca-se na preservação e valorização do capital natural e na minimização de desperdícios centrando-se no “fecho do ciclo” em toda a cadeia de valor.

A prevenção dos resíduos, a conceção de produtos eco-eficientes, a reutilização e valorização poderão trazer às empresas da UE poupanças de 600 mil milhões de euros, ou seja, 8% do total do seu volume de negócios anual, e simultaneamente uma redução de 2% a 4% das emissões totais anuais de gases com efeito de estufa. Nos setores de reutilização, refabrico e reparação, por exemplo, o custo do refabrico de telemóveis poderá ser reduzido a metade se for mais fácil desmontá-los. Por exemplo, se se recolherem 95% dos telemóveis, poderão poupar-se mais de mil milhões de euros em custos materiais de fabrico.

O tema Economia Circular está também na agenda nacional. Saliente-se o empenho da COTEC Portugal - Associação Empresarial para a Inovação, em trazer à discussão este tema em variadas iniciativas. De facto, está em linha com a sua a missão de “promover o aumento da competitividade das empresas localizadas em Portugal, através do desenvolvimento e difusão de uma cultura e de uma prática de inovação”. No seu 13.º Encontro Nacional de Inovação COTEC, a realizar no próximo dia 22 e que conta com a presença do Presidente da República, o tema central é a “Explorar a Economia Circular - Preservar, optimizar e assegurar recursos essenciais para o nosso futuro”. Nas suas ações com a participação de empresários dos diferentes setores de atividade verificou-se que as empresas portuguesas já encetaram o caminho para a economia circular.

Contudo, se em geral as empresas procuram obter maior produtividade das matérias-primas, redução da produção de resíduos e a sua respetiva rentabilização através processos internos próprios ou sinergias externas na sua re-utilização, apenas algumas operam estruturas próprias capazes de dar uma resposta totalmente em circuito fechado.

O pacote da UE para uma Economia Circular está em linha com o objetivo de apoiar a transição para uma economia de baixo carbono, para uma economia mais inteligente e eco-sustentável e para a economia verde. Para se ter um crescimento sustentável é necessário apostar na Economia Verde. A Economia Verde já representa, globalmente, 4 biliões de euros, crescendo 4% ao ano. Na UE os setores verdes representavam, em 2010, 2,5 % do PIB global da UE e estima-se um crescimento anual de cerca de 30% até 2025.

Novos modelos de negócio serão criados, como o desenvolvimento e integração de modelos pay-per-use| plataformas de partilha e aluguer que maximizem a produtividade de equipamentos e conservem recursos.
No pacote da UE destaque-se: um objetivo comum europeu de reciclar 65% dos resíduos urbanos até 2030; um objetivo comum europeu de reciclar 75% dos resíduos de embalagens até 2030; e um objetivo vinculativo de redução da deposição em aterro a um máximo de 10% de todos os resíduos até 2030.

Vários instrumentos de financiamento podem apoiar as iniciativas para uma Economia Circular. O pacote da UE para uma Economia Circular será financeiramente apoiado pelos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento, por 650 milhões de euros do Horizonte 2020, pelo COSME, Programa LIFE -“Viver bem, dentro das limitações do nosso planeta”, pelo Fundo para Investimentos Estratégicos e por 5,5 mil milhões de euros de fundos estruturais para a gestão dos resíduos e por investimentos na economia circular a nível nacional.

No Portugal 2020 tem-se, por exemplo, o Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR) que pretende contribuir para a concretização da Estratégia Europa 2020, particularmente em termos do crescimento verde e sustentabilidade no uso de recursos.

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