Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

Economia social: melhor acção

Solidão

Ideias

2016-11-10 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

Acredito no indivíduo e na força do colectivo, onde sobressaia a partilha e a solidariedade. A liberdade individual deverá andar de mão dada com a responsabilidade. Defendo a ascensão social, o que implica a promoção da igualdade de oportunidades e, consequentemente, uma atenção especial - sem paternalismo - às pessoas, famílias e territórios menos favorecidos. O Estado não pode diminuir a criatividade, a ambição, o empreendedorismo.

Quando se trata de superar e erradicar problemas, tudo deve começar o mais cedo e o mais ‘a montante’ possível. A começar pela gravidez, na creche, no infantário e depois na escola, há que investir para capacitar. Está claro que a educação é a base e que a economia e a saúde são condições para a ascensão social. Mas impõe-se uma educação exigente, que fomente o rigor e o mérito, uma economia que cresça e uma saúde que seja acessível. Não adianta ter cana e saber pescar, se não tivermos peixes no mar.

Não podemos aceitar como normal a transmissão de pobreza entre gerações! Chamam-lhe a pobreza geracional… Isso seria a negação de todo o desenvolvimento humano e social e representaria o reconhecimento irrefutável de que a sociedade está a falhar na defesa do próprio Estado de Direito e da dignidade humana. Não tenho dúvidas de que a prevenção é seguramente mais barata que o socorro e a reparação dos problemas e dramas humanos e sociais.

Mas, mesmo prevenindo, haverá sempre a necessidade de se ajudar a que a pessoa recomece, se 'reconstrua'. Nos casos mais graves, o objectivo deverá ser o de remediar, minimizar o problema. Mas a abordagem não pode seguir uma regra. É que há quem não queira ser ajudado! Há quem considere que só tem direitos. Há mesmo os 'profissionais do pedir' que circulam e acumulam ajudas entre as instituições de solidariedade social, as autarquias e a própria segurança social. Há ainda aqueles que não gostam de trabalhar, outros que acumulam o rendimento social de inserção com significativas receitas resultantes da economia paralela. Os que mais me preocupam são aqueles que não têm sequer força, ou habilidade, para pedir ajuda! Neste domínio, as crianças e os idosos merecem atenção especial.

O trabalho de proximidade, o envolvimento, a partilha e a coordenação são essenciais para uma justa e pronta ajuda.
Felizmente, temos excelentes instituições de solidariedade social e movimentos ou grupos informais que, diariamente e muitas vezes de forma anónima, ajudam o outro. Face às obrigações sociais do Estado, não temos consciência do custo da não existência destas instituições. Qual seria o custo deste mesmo serviço se fosse o Estado a prestá-lo? Sei que seria muito maior, mas era interessante quantificá-lo.

No domínio da inclusão e do combate à pobreza, há muitos projectos e inovação a concretizar através de parcerias, onde estejam empresários e universidades para além dos actores tradicionais. Para este objectivo, temos muitos fundos europeus e instrumentos financeiros disponíveis. Se calhar, o mais difícil é juntar todos os interessados e elaborar um plano de acção conjunto. Deveríamos ter uma coordenação eficiente, a procura de sinergias e escala, de âmbito distrital ou a nível da região Norte, que assegurassem uma maior potenciação de sucesso dos projectos e dos investimentos e uma melhor acção na economia social.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

12 Agosto 2019

Penso logo opino

02 Agosto 2019

Privilégios docentes

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.