Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Economia Verde, Bioeconomia Sustentável e Economia Circular

Encontrão Ambiental

Ideias

2018-11-10 às 06h00

Vasco Teixeira

AEuropa enfrenta profundas mudanças estruturais que a Estratégia Europa 2020 identifica, em especial a transição para uma economia verde, hipocarbónica e eficiente em termos de recursos, o envelhecimento demográfico e a rápida evolução tecnológica. O crescimento sustentável é uma das prioridades definidas no âmbito da Estratégia 2020, através do qual se pretende promover uma economia que seja não só mais competitiva, mas também mais eficiente em termos de utilização dos recursos.
Atualmente, a Europa desperdiça cerca de 600 milhões de toneladas de resíduos, que poderiam ser reciclados ou reutilizados. Apenas aproximadamente 40% dos resíduos produzidos pelos agregados familiares da UE são reciclados, variando as taxas de reciclagem entre 80% em algumas regiões e menos de 5% noutras. A transformação dos resíduos em recursos é crucial para aumentar a eficiência dos recursos e fechar o ciclo numa Economia Circular.
O novo ciclo de desenvolvimento terá de estar assente num modelo de crescimento sustentável que deverá necessariamente incorporar os vetores económico, social e ambiental. As principais alavancas para o crescimento e o desenvolvimento sustentável são a ciência e o conhecimento, o empreendedorismo, a economia verde, a inovação e a política industrial.
A Comissão Europeia adotou um ambicioso pacote para promover a transição da Europa para uma Economia Circular, que reforçará a competitividade a nível mundial, promoverá o crescimento económico sustentável e criará novos postos de trabalho. O conceito é definido pela CE como: “Economia Circular mantém o valor acrescentado nos produtos pelo maior tempo possível e elimina o desperdício”.
A economia do futuro terá de ser eco-sustentável e não poderá ser desenvolvida baseada num modelo de extração de matérias-primas, produção, distribuição e utilização de produtos “descartáveis” seguindo-se na cadeia os inevitáveis resíduos. A transição da designada economia linear para a Economia Circular implicará novos paradigmas de como as empresas vão produzir, distribuir e até como se irá consumir.
Novos modelos de negócio serão criados, como o desenvolvimento e integração de modelos “pagar-por-utilização”, plataformas de partilha e aluguer que maximizem a produtividade de equipamentos e conservem recursos.
75% da população residirá em cidades a partir de 2050 e o aumento esperado na geração de resíduos até 2025 é de 70%. O pacote da UE para uma Economia Circular está em linha com o objetivo de apoiar a transição para uma economia de baixo carbono, para uma economia mais inteligente e eco-sustentável e para a economia verde. Destaque-se no programa da UE: um objetivo comum europeu de reciclar 65% dos resíduos urbanos até 2030; um objetivo comum europeu de reciclar 75% dos resíduos de embalagens até 2030; e um objetivo vinculativo de redução da deposição em aterro a um máximo de 10% de todos os resíduos até 2030. Nos setores de reutilização, refabrico e reparação, por exemplo, o custo do refabrico de telemóveis poderá ser reduzido para metade se for mais fácil desmontá-los. Estima-se que, se se recolherem 95% dos telemóveis, poderão poupar-se mais de mil milhões de euros em custos materiais de fabrico.
A indústria dos plásticos na UE emprega 1,5 milhões de pessoas e apresenta um volume de negócios de 340 mil milhões de euros. A Europa gera, anualmente, 25 milhões de toneladas de resíduos de plástico, das quais menos de 30% são recolhidas para reciclagem. A UE adotou recentemente a nova Estratégia para os Plásticos, integrada no processo de transição para uma Economia Circular, estabelecendo a meta de 2030 para que todas as embalagens de plástico no mercado sejam recicláveis.
A Comissão Europeia lançou muito recentemente uma nova estratégia para uma Bioeconomia Sustentável e Circular que beneficie a Europa a nível social, ambiental e económico. Num mundo com recursos naturais e ecossistemas limitados, é necessário um esforço de inovação para alimentar as populações e proporcionar-lhes água e energia limpas. A bioeconomia tem a capacidade de transformar algas em combustível, reciclar plástico, fabricar mobília ou vestuário a partir de resíduos e converter subprodutos industriais em adubos biológicos.
A bioeconomia abrange todos os setores e sistemas que dependem de recursos biológicos. Constitui um dos maiores e importantes domínios económicos da UE, englobando a agricultura, a silvicultura, as pescas, os géneros alimentícios, a bioenergia e os produtos biológicos. O seu volume de negócios anual é perto de 2 mil milhões de euros, empregando cerca de 18 milhões de pessoas.
O Crescimento Verde é um desafio à escala global e oferece a possibilidade de resolver desafios económicos e ecológicos e de criar novas fontes de crescimento. A Economia Verde é uma garantia de crescimento sustentável, mas implica transformações estruturais. A Economia Verde já representa, globalmente, 4 biliões de euros, crescendo 4% ao ano. Na UE os setores verdes representavam, em 2010, 2,5 % do PIB global da UE e estima-se um crescimento anual de 30% até 2025.
Portugal lançou o Plano de Ação para a Economia Circular onde realça o papel determinante das cidades na aceleração da economia circular, pelo estabelecimento de redes de soluções, práticas e conhecimento e pela promoção da interação entre agentes para multiplicação e transferência de conhecimento, mas também pelos fortes impactos das cidades enquanto consumidoras de recursos naturais, fontes de emissões poluentes e de produção de resíduos.

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