Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Empreendedorismo 2020

Encontrão Ambiental

Ideias

2014-06-14 às 06h00

Vasco Teixeira

O empreendedorismo é o principal motor da inovação, da criatividade, da competitividade e do crescimento económico. O empreendedorismo e as pequenas e médias empresas (PME) são, particularmente para a economia europeia, a mais importante fonte de criação de emprego e de dinamização dos negócios e da inovação. São as novas empresas, em especial as PME, que geram mais novos postos de trabalho na Europa, sendo responsáveis pela criação de 4 milhões de novos empregos por ano. As cerca de 23 milhões de PME europeias representam 99,8% do total das empresas europeias e perto de 67% dos postos de trabalho do setor privado.

A Europa necessita de mais empreendedores, que criem empregos, e que contribuam para o crescimento sustentável e para uma economia mais competitiva. Enquanto nos Estados Unidos e na China, 50% dos trabalhadores preferem trabalhar por conta própria, na Europa, esse número corresponde a cerca de 37%.

Um empreendedor deverá reunir vários atributos pessoais: iniciativa e pro-atividade, propensão para o risco, flexibilidade, imaginação, criatividade, independência /autonomia, capacidade de resolução de problemas, capacidade de persuasão, necessidade de realização, liderança, e dedicação ao trabalho.

A inovação baseada no conhecimento é uma das principais ferramentas do empreendedor, através da qual se identifica uma oportunidade e se explora para criar um negócio ou um serviço diferenciador. Mas inovar nas empresas também significa ter uma ideia nova, ou simplesmente, aplicar ideias já existentes de uma forma original e eficaz. A OCDE distingue entre inovação de produto e inovação de processo, sendo que a primeira se refere a uma melhoria no desempenho ou o alargamento das possibilidades de aplicação de um produto ou serviço e, a segunda pode manifestar-se num melhor desempenho do processo ou dos procedimentos de logística e controlo.

A Europa enfrenta hoje profundas mudanças estruturais que a estratégia Europa 2020 identifica, em especial a transição para uma economia verde, hipocarbónica e eficiente em termos de recursos, o envelhecimento demográfico e a rápida evolução tecnológica. Para fazer face a estes desafios e convertê-los em oportunidades, a economia na União Europeia (UE) terá de sofrer uma transformação fundamental ao longo da próxima década.

Espera-se que a transformação da economia nesse sentido irá reforçar a competitividade e proporcionar fontes importantes de crescimento e emprego, dando resposta às necessidades económicas e sociais. A economia verde e os setores da saúde e das novas tecnologias irão criar mais de 20 milhões de empregos nos próximos anos. Os Estados Membro devem explorar estas áreas de grande potencial futuro e aproveitar estas oportunidades, mobilizando recursos e estabelecer relações com várias entidades tais como instituições de ensino, organizações empresariais e parceiros sociais.

É de destacar que o recente pacote do emprego proposto pela UE sublinha a ligação importante entre as políticas e os instrumentos financeiros da UE, como o Fundo Social Europeu, para apoiar as prioridades e as reformas dos países na área do emprego. A proposta privilegia o lado da procura da criação de emprego e define formas dos Estados Membros incentivarem a contratação, através da redução da carga fiscal sobre o trabalho ou de um apoio acrescido à criação de novas empresas.

O Plano de Ação Empreendedorismo 2020 que a UE implementou visa: i) incluir o ensino e a prática do empreendedorismo nos programas escolares; ii) reduzir o tempo necessário para criar uma empresa, obter as devidas licenças e concluir os processos de falência; iii) acesso ao financiamento; iv) exploração das novas oportunidades de negócio da era digital; v) introduzir programas de orientação, aconselhamento e apoio a mulheres, idosos, trabalhadores migrantes, desempregados e potenciais empresários.

A educação empresarial estimula a criação de novas empresas. Estudos mostram que entre 15 % e 20 % dos alunos que participam num programa de mini-empresas no ensino secundário irão criar mais tarde a sua própria empresa, valor que é cerca de três a cinco vezes superior ao da população em geral. Uma formação especializada do domínio do empreendedorismo pode fomentar empresas de alta tecnologia e com forte potencial de crescimento, apoiando ecossistemas económicos, parcerias e alianças industriais.

Destacam-se muitas ações para a promoção do empreendedorismo feminino no âmbito das várias medidas da Comissão Europeia para promover o empreendedorismo junto de segmentos da população específicos. As mulheres representam apenas 34,4 % dos trabalhadores por conta própria na Europa, daí a importância de existirem mais incentivos e apoio para se tornarem empresárias.

Diversos programas da UE e iniciativas nacionais e regionais complementam este plano de ação. Por exemplo, o Programa para a Competitividade das Empresas e das PME (COSME) que disponibiliza um orçamento de 2,5 mil milhões de euros para o período 2014-2020. Promover o empreendedorismo é um dos objetivos do COSME, em que as atividades incluem o desenvolvimento de competências e atitudes empresariais, em especial entre os novos empresários, os jovens e as mulheres.

Outro exemplo corresponde ao Programa para o Emprego e a Inovação Social dispondo de um orçamento de 920 milhões de euros até 2020. Tem por objetivo apoiar políticas sociais inovadoras, promover a mobilidade dos trabalhadores, bem como facilitar o acesso ao microcrédito e estimular o empreendedorismo social.

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