Correio do Minho

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Empreendedorismo é crescer

O amor nos tempos da cibernética

Ideias

2013-04-11 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

O empreendedorismo é determinante para o crescimento económico, a criação de emprego e a competitividade da União Europeia. A capacidade de criarmos novas empresas e novos negócios é decisiva para ultrapassamos as dificuldades actuais e invertermos a escalada de desemprego.
Na UE, as novas empresas, em especial as Pequenas e Médias Empresas (PME), geram todos os anos mais de 4 milhões de novos empregos.

Apesar da iniciativa de criar uma empresa e o próprio emprego ser sinónimo de liberdade e de realização pessoal, há um problema cultural que temos de resolver: segundo um inquérito do Eurobarómetro sobre o empreendedorismo de Agosto de 2012, a maioria dos europeus (58%) prefere trabalhar como empregado. Em Portugal, o auto-emprego (49%) superou a opção por conta de outrem (47%).

As novas empresas crescem mais lentamente na UE do que nos EUA ou nos países emergentes e poucas conseguem integrar o grupo das maiores empresas mundiais.

É necessário combater as principais razões que levam a este facto. Os custos de contexto para as PME na UE são enormes e têm de ser reduzidos. Há demasiada burocracia, enormes custos administrativos e o acesso ao crédito está dificultado. Para além disso, a sociedade penaliza aqueles que não tiveram sucesso e fecharam as suas empresas, muitas delas viáveis, mas penalizadas por falências em cadeia. Nesta situação, os empresários merecem ter uma segunda oportunidade.

Para contrariar este cenário, a UE definiu o Plano de Acção «EMPREENDEDORISMO 2020» que pretende:
-desenvolver o ensino e a formação no domínio do empreendedorismo para apoiar o crescimento e a criação de empresas;
-criar condições gerais propícias aos empresários, eliminando os actuais obstáculos estruturais existentes e apoiando-os nas fases cruciais do ciclo de vida das empresas;
-favorecer a emergência de uma nova geração de empreendedores e visar grupos específicos, como jovens, mulheres, migrantes, desempregados e idosos.

A educação para o empreendedorismo que está em crescimento na maior parte dos países europeus deve ser explicitamente reconhecida nos programas de ensino, desde o primeiro ciclo, e estar incorporada numa estratégia nacional no domínio da aprendizagem ao longo da vida.
Entre 15% e 20% dos alunos que participam num programa «mini-empresa» no ensino secundário criam mais tarde a sua própria empresa.

É de realçar a importância e o impacto do trabalho das universidades, não só na formação de recursos humanos qualificados e capazes de inovar e criar mais-valia, mas também no desenvolvimento de parcerias e alianças industriais, de forma a assumirem-se como base estrutural de lançamento e factor de alavancagem de novas empresas.

O poder local tem, também ele, uma enorme importância para a mudança cultural necessária e na elaboração de planos municipais para a promoção do empreendedorismo que juntem e articulem as forças de cada concelho, nomeadamente as escolas, empresas e associações de empresários.

Para o período 2014/2020 temos fundos, programas e instrumentos para apoiar o empreendedorismo e as empresas.

O Fundo Social Europeu (FSE) pode ser utilizado para a formação no domínio do empreendedorismo de jovens e adultos e o Fundo Europeu agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER) deve facilitar o acesso dos empresários ao financiamento nas zonas rurais.

O desenvolvimento do mercado de microfinanciamento na Europa pode ser conseguido através de iniciativas como o instrumento de microfinanciamento Progress e a acção comum de apoio às instituições de microfinanciamento (JASMINE). Mas também se pode utilizar o FSE e o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) para garantir mecanismos de apoio ao microfinanciamento.

O apoio para, por exemplo, comercializar os produtos da investigação e do desenvolvimento e testar modelos de negócio inovadores pode ser conseguido no âmbito do futuro programa para a competitividade das empresas e PME (COSME) e do programa para a investigação e desenvolvimento 'Horizonte 2020'.

A inclusão é um objectivo da UE igualmente com forte peso na dinamização económica. As mulheres, apesar de representarem 52% da população europeia, correspondem a apenas um terço dos trabalhadores independentes ou fundadores de empresas da UE. Já no que toca aos migrantes, de acordo com a OCDE, são mais empreendedores do que a população nacional e um trabalhador independente estrangeiro, proprietário de uma pequena ou média empresa, pode criar entre 1,4 e 2,1 postos de trabalho adicionais.

A população idosa constitui um precioso recurso para o empreendedorismo. Há um número crescente de adultos qualificados e experientes que está reformado e que pode participar na criação de empresas e no apoio concedido a novos empresários.

Também a juventude deve ser visada por programas que aproveitem e reforcem as suas qualificações como forma de promover o empreendedorismo.

Somos todos chamados e importantes para fomentar a revolução cultural da ambição e do empreendedorismo e construirmos uma economia competitiva, geradora de emprego, sustentável e inclusiva.


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Gosto

Há uma nova solução para a realização de pagamentos com dispositivos móveis, nomeadamente smartphones, que reduzirá os custos operacionais. Esta plataforma inovadora denominada Mobipag contou com um consórcio de empresas e entidades científicas portuguesas e está a ser preparada para ser exportada. Um bom exemplo de empreendedorismo.

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