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Energia 2050 para um sistema energético europeu isento de carbono

Eu, Fausto.

Energia 2050 para um sistema energético europeu isento de carbono

Ideias

2019-01-05 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

Os desafios que a Europa enfrenta no domínio da energia incluem questões como o aumento da dependência das importações, a diversificação limitada, os preços elevados e voláteis da energia, a crescente procura energética a nível global, os riscos em matéria de segurança que afetam os países produtores e de trânsito, as crescentes ameaças decorrentes das alterações climáticas, o progresso lento em matéria de eficiência energética, os desafios colocados pela crescente quota-parte de energias renováveis, bem como a necessidade de uma maior transparência, integração e interligação dos mercados energéticos.
Os objetivos da União Europeia (UE) em matéria de energia foram incorporados na “Estratégia Europa 2020” para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo e na sua iniciativa emblemática “Uma Europa eficiente em termos de recursos”. A UE visa objetivos ambiciosos nos domínios da energia e das alterações climáticas para 2020: reduzir em 20% as emissões de gases com efeito de estufa, aumentar para 20% a quota das energias renováveis e melhorar em 20% a eficiência energética.
A Comissão Europeia (CE) estabeleceu uma estratégia para uma energia competitiva, sustentável e segura: Energia 2020 que define as prioridades em termos de energia até 2020 e as ações a empreender perante os desafios decorrentes da necessidade de poupar energia, conseguir um mercado com preços competitivos e aprovisionamento seguro, impulsionar a liderança tecnológica e inovação energética, e negociar eficazmente com os parceiros internacionais.
A CE propõe-se centrar as suas iniciativas nos dois setores com maior potencial de poupança de energia: transportes e edifícios. A diretiva da CE para a promoção da utilização de energia proveniente de fontes renováveis estabelece que cada Estado-Membro deve assegurar que a sua quota de energia proveniente de fontes renováveis consumida por todos os modos de transporte em 2020 represente pelo menos 10% do consumo final de energia nos transportes.
Os edifícios são responsáveis por 40% do consumo energético e 36% das emissões de CO2 na União Europeia. O desempenho energético dos edifícios é a chave para alcançar os objetivos Europeus nos domínios do Clima e Energia, nomeadamente a redução em 20% dos gases de efeito de estufa e 20% em redução do consumo energético até 2020.
Para uma estratégia de longo prazo a Comissão Europeia apresentou o documento “Roteiro para a Energia 2050“. O roteiro tem por objetivo alcançar as ambiciosas metas de emissões de carbono fixadas para 2050.
O aumento do desempenho energético dos edifícios é uma medida eficaz, em termos de custos, de luta contra as alterações climáticas e melhoria da segurança energética, ao mesmo tempo que cria novas oportunidades de emprego. Os materiais fotovoltaicos devem ser aqueles que apresentam maior flexibilidade funcional na prossecução de alguns dos objetivos inerentes à sustenta- bilidade energética dos edifícios nas cidades eco-sustentáveis.
O novo mercado de construção de células fotovoltaicas integradas (BIPV) será da ordem da dezena de mil milhões de euros nos próximos anos, segundo estudos de empresas líderes na indústria analista. O conceito de BIPV consiste em aplicar os sistemas fotovoltaicos como elementos estruturantes dos edifícios, podendo substituir em alguns casos os materiais de construção convencionais. Uma forma prática de o conseguir, é produzir as células fotovoltaicas diretamente sobre os materiais atualmente utilizados na construção, designadamente materiais cerâmicos convencionais utilizados no revestimento das coberturas, telhas e fachadas.
Alguns dos desafios científicos e tecnológicos que se colocam consistem na utilização de novas arquiteturas de células FV baseadas em novos nanomateriais e filmes finos capazes de apresentarem maiores eficiências de conversão e custos de produção reduzidos. Para esse fim associam-se conceitos de design à nanoescala (aplicação da nanotecnologia) para obtenção de sistemas radicalmente inovadores. Uma das vantagens de se aplicarem nanomateriais na conceção de células fotovoltaicas consiste na possibilidade de se utilizarem materiais de suporte diferentes (vidros, polímeros, cerâmicos) o que potenciará a utilização de materiais de construção civil multifuncionais na arquitetura sustentável. No futuro próximo células solares transparentes serão aplicadas nos vidros das janelas ou em outros elementos arquitetónicos não alterando a sua cor e estética original.
A estratégia energética da UE exige esforços significativos em termos de inovação tecnológica e investimento. Expandirá a liderança da Europa no domínio das tecnologias energéticas e da inovação. Promoverá um mercado dinâmico e concorrencial e permitirá melhorar a segurança e a sustentabilidade dos sistemas energéticos, da gestão de redes e da regulação do mercado da energia.
Para que o objetivo de reduzir as emissões em mais de 80% até 2050 possa ser alcançado, a produção de energia na Europa terá de ser quase inteiramente isenta de carbono. Como consegui-lo sem prejudicar o aprovisionamento energético e a competitividade é a questão a que o Roteiro para a Energia 2050 procura responder. Baseando-se na análise de uma série de cenários, o documento expõe as consequências de um sistema energético isento de carbono e o quadro de políticas necessário.
Os Estados-Membros poderão assim fazer as escolhas que se impõem em matéria de energia e criar um clima empresarial estável para o investimento privado, especialmente até 2030.

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