Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Engenharia natural

Uma Justiça que é tão cega

Escreve quem sabe

2013-02-09 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

A Engenharia Natural (EN) é uma corrente técnico-científica multidisciplinar que adapta as técnicas e métodos da engenharia civil convencional ao uso de plantas vivas (com ou sem outros materiais, tais como madeira, metal e pedra), em projectos de valorização da paisagem e renaturalização de ecossistemas, criando estruturas integradas na paisagem.

As áreas de aplicação são diversas, tais como renaturalização de áreas degradadas (minas, pedreiras,..), prevenção e gestão pós-incêndio, infraestruturas viárias, consolidação de taludes e estabilização de encostas, defesa das margens de linhas de água e ecossistemas ribeirinhos, protecção de zonas costeiras.

A utilização de vegetação autóctone como material de construção vivo é a razão principal por que os projectos de Engenharia Natural têm elevada compatibilidade e integração ambiental. A escolha das plantas baseia-se num variado leque de critérios: as características edáficas e estacionais do local, as características biotécnicas das plantas, a sua propagação, velocidade de crescimento e material vegetal disponível.

É de todos conhecida a capacidade de protecção que algumas plantas têm sobre o terreno, nomeadamente frente à erosão eólica e hídrica; ora a EN tira partido dessa valência. Assim, as acções de tipo mecânico desempenhadas pelo aparelho radicular das plantas sobre os taludes, encostas, e margens de linhas de água, consistem na protecção do solo dos efeitos erosivos resultantes do impacto directo da chuva e das águas de escorrência, cujos benefícios são: aumento da resistência ao corte, melhoria da agregação das partículas do solo e da sua coesão, bem como aumento da consolidação do solo. De modo semelhante, as plantas desempenham uma importante função ao nível do ciclo hidrológico, tal como: redução da água no solo pela evapotranspiração através da folhagem, ramos e raízes, favorecendo uma menor pressão, aumentando a coesão das partículas e o ângulo de atrito, o que contribui para a estabilidade do solo.

Associados às plantas estão os animais, nomeadamente os invertebrados do solo (nemátodes, coleópteros, anelídeos, etc.), cujo movimento torna o terreno mais permeável à água e ao ar, favorecendo a velocidade de percolação da água e desse modo, reduzindo as zonas de instabilidade nas camadas superiores, onde frequentemente se iniciam os movimentos de terra.

A EN teve origem, no período compreendido entre o final do séc. XIX e início do séc. XX, na Europa Central (Alemanha, Áustria e Suiça), no entanto, apesar de estar em plena expansão no seio da União Europeia, entre nós é ainda pouco conhecida, por isso o Núcleo de Braga da Quercus resolveu organizar uma formação sobre esta temática, intitulado “Curso de Introdução à Engenharia Natural - uma ferramenta essencial para a gestão ecológica e sustentável do território”, a ter lugar nos dias 16 e 17 de Fevereiro, manhãs e tardes, no Mosteiro de S. Martinho de Tibães. As taxas de inscrição são de 43€/sócios e 53€/não sócios. Fichas e demais informações deverão ser solicitadas através de braga@ quercus.pt ou 927986133.

As acções de intervenção no território, pensadas para melhorar as condições de vida das populações, envolvem frequentemente a introdução de sistemas artificiais estáticos, quer seja ao nível de tipologias de construção quer ao nível da utilização de espécies exóticas, que contrariam o natural processo contínuo e mutável do espaço.

Tendo em vista garantir o equilíbrio e a funcionalidade dos espaços naturais, é preciso promover a articulação entre os objectivos funcionais, ecológicos e paisagísticos das alterações realizadas pelos seres humanos no espaço e a avaliação exacta, e ri-gorosamente fundamentada, de todas as componentes ecológicas, assim quais os problemas e as soluções passíveis de implementar.

Adquira conhecimentos essenciais acerca das técnicas e dos projectos de EN, compreendendo as potencialidades deste tipo alternativo de construção na paisagem, caracterizado por um baixo impacto ambiental e integração paisagística!

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