Correio do Minho

Braga, terça-feira

Ensino superior de qualidade ou Populismo?

Porque não escolhemos o nosso candidato preferido?

Ideias Políticas

2019-01-22 às 06h00

Francisco Mota

Surpreendidos pela chamada em “day-time” televisivo, os portugueses acordaram para o fenómeno do chamado “populismo inofensivo”. No entanto, as interferências da chamada destaparam o lobo, vestido em pele de cordeiro. Já habituados ao malabarismo desmedido do PS que, de forma irresponsável, anunciou o desejo de extinguir as propinas no ensino superior, os portugueses puderam confirmar que o populismo do seu presidente, através da manifestação de apoio à medida, é tudo menos inofensivo. Se não vejamos:
O ensino superior carrega o peso de anos de subfinanciamento. O que é que nos leva a crer que o estado que, até agora, não tem mostrado capacidade para assumir os seus compromissos nesta matéria, terá capacidade para suportar os encargos da medida.

Esta medida não é um tiro no escuro, é um tiro bem certeiro na qualidade do ensino superior em Portugal. Os jovens devem ter direito a aceder ao ensino superior. A um ensino superior de qualidade. Colocar estas instituições na dependência do estado pode ser positivo para quem o serviço público de educação como arma de manipulação ou doutrinação, mas será certamente negativo para quem quer instituições competitivas, com estratégias autónomas associadas às necessidades dos seus estudantes e, sobretudo, instituições mais responsáveis, mais credíveis, que respondem, pela sua qualidade, perante os seus alunos e não, unicamente, perante a tutela. No entanto, devemos garantir que essa extensão se faz para todos, porque todos têm direito a uma educação de qualidade. A extensão deste direito faz-se com mais ação social, apoiando quem mais precisa.

Neste momento, o grande bloqueio ao acesso ao ensino superior, e o maior flagelo para os estudantes portugueses, é o custo de fixação, os encargos com o alojamento e todos os que lhe estão associados. Desta forma, não se compreende o porquê de, “existindo” verba orçamental, ou, pelo menos vontade política, para financiar a extinção das propinas, não seja aplicada na construção de residências universitárias. Nesta matéria, os jovens portugueses, em geral, e os bracarenses, em particular, sabem que contaram e contam com a Juventude Popular como o seu braço direito. Conseguimos com que a escola Luís de Castro passasse a constituir um espaço para alojamento, futuro, dos estudantes bracarenses. Se constatamos a necessidade de atrair jovens para as Universidades e Politécnicos, porquê insistir numa medida injusta do ponto de vista social e que, para além do mais, resultará numa perda de qualidade da educação para os jovens e aumento de impostos para os seus pais?

Devemos, isso assim, apostar na verdadeira resolução dos problemas: Custos de fixação e diversidade da oferta formativa. Se garantirmos, através da ação social, o acesso dos mais carenciados ao ensino superior, garantindo alojamento comportável e obtendo um leque mais variado de formações superiores temos todas as condições para atrair os jovens portugueses. Devemos repensar a estrutura do ensino superior, reforçando um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelos politécnicos, de diversificação da oferta, de diversificação dos tipos de qualificação superior, e, também, apostando na investigação científica e na qualidade dos cursos superiores das Universidades Portuguesas. Assim garantiríamos uma maior transversalidade da formação académica e uma maior garantia de competitividade, futura, da nossa economia. Não deixemos que nos roubem um ensino de qualidade por mero proveito eleitoral, não resolvendo problema estrutural nenhum. Não aceitemos que tratem os jovens portugueses como pouco capazes, “nivelando por baixo” a qualidade do nosso ensino. Queremos um ensino exigente e competitivo para TODOS, podendo ambicionar, assim, um Portugal “líder do futuro”.

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