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Esclerose Múltipla - sabe do que estamos a falar?

Eu, Fausto.

Esclerose Múltipla  - sabe do que estamos a falar?

Voz à Saúde

2019-04-16 às 06h00

Joana Afonso Joana Afonso

A Esclerose Múltipla é uma doença neurológica crónica que surge, mais frequentemente, entre os 20 e os 50 anos de idade, sendo mais comum afetar o sexo feminino. Trata-se de uma doença rara em crianças.
Estima-se que, em Portugal, esta doença atinja até 5.000 doentes, sendo que a maioria da nossa população desconhece os sintomas que a caracterizam. Mundialmente, cerca de 2,5 milhões de pessoas são afetadas pela Esclerose Múltipla.
A causa da doença é desconhecida, no entanto, sabe-se que envolve um ataque do próprio sistema imunitário aos nervos do sistema nervoso central e periférico, característico de uma doença de autoimunidade. Há evidência científica que a influência genética e algumas infeções desenvolvidas em criança, como vírus da mononucleose e algumas bactérias responsáveis, entre outros, por quadros de pneumonia. Contribuem, ainda, para o aparecimento da doença fatores ambientais como a dieta, toxinas presentes no solo ou na água, níveis deficitários de vitamina D, alergias e traumatismos. O consumo de tabaco é também apontado como um fator potencial.
Embora a Esclerose Múltipla não seja uma doença fatal, pode tornar-se muito incapacitante e afetar significativamente a qualidade de vida dos doentes. A maioria pode alternar períodos de bem-estar relativos, descritos como remissões, no entanto, a doença tem tendência a ir piorando progressivamente ao longo da passagem do tempo. Saiba que a doença, se detetada numa fase mais precoce pode ter maior probabilidade de controlo dos surtos, uma vez que, quanto mais cedo for iniciada a medicação, melhor se prevê a resposta ao tratamento.
Assim, é importante que esteja atento ao sinais e sintomas de: dormência ou fraqueza num dos lados do corpo que se vai instalando ao longo de 3 ou 4 dias, podendo durar 1 a 2 semanas até desaparecer, de forma gradual; perda de visão, frequentemente, num olho de cada vez, associado a quadro de dor aquando do movimento dos olhos; visão dupla e/ou turva; sensação de descarga elétrica na realização dos movimentos, mais frequentemente, do pescoço; tremores; alterações do equilíbrio com dificuldade na marcha; fala arrastada; cansaço fácil; alterações da memória e da concentração; obstipação.
Não existe nenhum exame laboratorial que seja específico para fazer o diagnóstico de Esclerose Múltipla, razão pela qual deve procurar o seu Médico de Família em caso de aparecimento dos sintomas, pois ele saberá como o orientar, nomeadamente, no sentido da referenciação para a realização de estudos complementares.
O tratamento para o controlo da doença passa, frequentemente, pela necessidade da toma de corticosteroides ou de outros fármacos que controlem a resposta do sistema imunitário. O repouso é, igualmente, importante para diminuir a intensidade e duração dos surtos. Importa salientar que, a definição do melhor tratamento em cada caso dependerá sempre da respetiva avaliação médica.
De referir que, se houver um controlo adequado da Esclerose Múltipla 75% dos doentes nunca chegarão a perder a mobilidade de forma a necessitarem de se deslocar em cadeira de rodas e 40% não terão qualquer necessidade de interromper as suas atividades de vida diárias. Excetuando os quadros clínicos mais graves, a esperança média de vida destes doentes não estará afetada.
Lembre-se, cuide de Si! Cuide da Sua saúde!

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