Correio do Minho

Braga, quinta-feira

- +

Escolas com história

Notícias do fisco

Escolas com história

Voz às Escolas

2019-09-26 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

As Escolas António Lopes, como eram designadas à altura em que as frequentei, talvez pelo facto de, fisicamente, existirem espaços distintos para rapazes e raparigas, passaram a integrar o Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio em 2003, fazendo convergir, numa mesma unidade orgânica, dois estabelecimentos de ensino que, embora à distância de algumas décadas, eram uma referência para os povoenses.
A integração das Escolas António Lopes no Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio foi um momento de especial importância para uma Comunidade Escolar que, conhecedora do potencial histórico daquele estabelecimento de ensino, o vestiu de um simbolismo que, pese embora não ter estado na origem do poder decisor, teve repercussões na definição das linhas orientadoras de uma Escola que defendia a formação integral do ser humano, com enfoque na vertente humanista.

O encerramento, em massa, de escolas com reduzido número de alunos, e a construção dos designados Centros Escolares, acaba por precipitar a requalificação das velhinhas Escolas António Lopes, um processo que tive o privilégio de poder acompanhar, com um misto de sentimentos – a preocupação com a criação de melhores condições de trabalho para alunos e professores e, confesso, o desejo de que fossem salvaguardados alguns elementos que nos permitissem recordar os tempos que lá vivemos – a zona das japoneiras, com a sua mesa de pedra, onde nós, as raparigas, brincávamos, e o espaço que dividia as zonas de recreio que, pela sua configuração, nos permitia vigiar as brincadeiras dos rapazes.

A fachada original do edifício manteve-se, não desvirtuando o vetusto aglomerado histórico do Largo António Lopes, bem como se manteve o espaço das japoneiras e, não sendo possível manter o “mirante das paixões”, ficou um pedaço do arco em pedra que o encimava, o que traz de volta, a cada visita às instalações, memórias que o tempo não apaga.
E, desta forma, preservou-se um dos mais emblemáticos edifícios da Vila da Póvoa de Lanhoso, lembrando, a todos quantos por lá passam, que as bases do caminho que muitos de nós percorreram foram construídas naquele vetusto edifício, em que ilustres mestres nos ensinaram a ler, escrever e contar.

Valorizamos a partilha de memórias, para que, no futuro, não se perca a nossa história, uma história que nos honra e que queremos perpetuar, pelo que estamos em festa, a comemorar o 80º. aniversário da nossa mais emblemática Escola – a Escola António Lopes.
As festividades iniciaram com a abertura de uma exposição, numa organização conjunta da Autarquia, do Agrupamento e do historiador José Abílio Coelho, também ele ex-aluno da referida Escola, que pretende levar-nos de volta ao tempo em que a educação era um bem devidamente valorizado.

É objetivo da Comunidade Escolar do Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio que todos os alunos visitem a exposição, numa viagem de regresso ao passado que em muito contribuirá para que reconheçam a importância da valorização da nossa história.
Uma história que merece ser contada e “visitada”.
Vale a pena.

Deixa o teu comentário

Últimas Voz às Escolas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.