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Escreve quem sabe

2018-09-09 às 06h00

Cristina Fontes

Voltamos àquelas palavras que nos habituamos a dizer de uma forma e afinal dizem-se de outra.
A palavra “rubrica”, de origem latina tem o acento tónico na penúltima sílaba (rubrica), logo é uma palavra grave, e não tem qualquer acento gráfico, segundo as regras ortográficas.
É comum diferenciarmos, sobretudo na oralidade, “rubrica”, quando nos referimos a um “assunto” ou “tópico” (ex.: “O telejornal apresentou uma rubrica sobre carros elétricos.”) e *“rúbrica” quando queremos dizer “assinatura abreviada” (ex.: “Não é necessária a assinatura completa, basta uma *rúbrica.”). Todavia, o certo é dizer e escrever “rubrica” em ambos os casos.
Quando lemos, viramos as folhas com os dedos, uma por uma, ou várias da cada vez. Estamos a “folhear” o livro e não a “desfolhar” o livro. Isso aconteceria se arrancássemos as folhas, como acontece com as flores. Não se compreende, pois, que a FNAC se congratule com o facto de os seus clientes “desfolharem” os livros, como referido num comunicado da empresa: “É nestes espaços que todos podem desfolhar livros, ler jornais e revistas enquanto tomam um café ou escutam uma música do mundo.” (ver página eletrónica em https://infocul.pt/cultura/top-de-vendas-da-fnac-em-2017/, acedida em 21 de junho de 2018).
Talvez por influência do inglês (massive), é comum ouvirmos e lermos “massivo(a)” quando nos referimos, por exemplo, a armas de destruição maciça, (armas de destruição que têm um terrífico efeito aniquilador - nucleares ou químicas, por exemplo).

Vejamos este artigo na Revista Militar, n.º 2566 de novembro de 2015, intitulado “Proliferação de armas de destruição massiva”, que aborda “a problemática da proliferação de armas de destruição massiva (ADM) no mundo globalizado.” Diz a sua autora que “o termo ADM foi utilizado pela primeira vez, em dezembro de 1937, em Londres, num artigo do “The Times” sobre o bombardeamento aéreo, pelos alemães, de cidades espanholas (Macfarlane, 2005).” Ninguém questiona a cunhagem do termo e o seu uso, mas a tradução deverá ser sempre “maciça” e não “massiva”, como atestam todos os dicionários consultados.

“Massiço” pura e simplesmente não existe. Uma busca rápida pela internet permite-nos encontrar a palavra disseminada em vários anúncios como este: “Cadeira em madeira massiça de carvalho”, em http://www.pedrosaefilhos.com/products/17-cadeira-14.aspx, acedido em 21 de junho de 2018; ou este: “Pilares de pedra massiça em Portugal”, em https://www.clasf.pt/pilares-de-pedra-massi%C3%A7a-em-portugal-7706086/, acedido em 21 de junho de 2018. Também deparamos com páginas de divulgação a referirem o *Massiço Central” como esta página (http://www.chaia.uevora.pt/pt/event/77/casas-de-e-imigrantes-e-paisagem-historia-imagens-representacoes.html, acedida em 21 de junho de 2018) que refere “antigas aldeias vitícolas reabilitadas por e/imigrantes, no Massiço Central”. Em todos os casos, dever-se-ia ter utilizado “maciço”.
Lembram-se de brincar com o “pião”? Trata-se um brinquedo que rodopia, girando sobre um bico de metal. Por sua vez, um “peão” é quem anda a pé.

Não é raro encontrar as palavras mal escritas como aconteceu nesta ata de uma edilidade: “(…) situação que na sua opinião passa acima de tudo pelo civismo quer dos condutores quer dos piões.”, (ver página eletrónica em http://www.cm-riomaior.pt/municipio/documentacao/atas-e-deliberacoes/camara/2017/1113-ata-n-01-de-13-01-2017/file, acedida em 21 de junho de 2018). Aqui dever-se-ia utilizar a palavra “peões”, plural de “peão”.
Na página do OLX, encontramos sete anúncios a “peões” (brinquedo). O que os anunciantes pretendem é vender “piões”. (ver página eletrónica https://www.olx.pt/lazer/jogos-brinquedos/q-pe%C3%B5es/, acedida em 21 de junho de 2018).

Por último, falemos da diferença entre “ratificar” e “retificar. A primeira palavra significa “confirmar”, “aprovar” ou “validar”. Usamos em frases como “Os presentes ratificaram o acordo”. “Retificar” significa “corrigir” ou “emendar”. Empregamos em frases como “Tivemos de retificar a ata, pois detetamos um erro”.

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