Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

Escrever e falar bem Português

Urgência climática: a União Europeia tem de “agir agora”

Escrever e falar bem Português

Escreve quem sabe

2019-11-17 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

Há um conjunto de regras básicas de ortografia para bem escrever português. Todavia, a nossa língua vive também de algumas exceções. Acresce que, nos últimos anos, temos convivido com duas ortografias: a do Acordo Ortográfico de 1945 e a do Acordo Ortográfico de 1990. Há quem siga uma e há quem não desista de usar a outra.
Como professora de Português, tenho a obrigação de ensinar os meus alunos a escrever segundo a nova ortografia, apesar de questionar alguns dos seus pressupostos. Não podemos, contudo, escudarmo-nos nessa nova ortografia para justificar erros em palavras que mantêm a antiga e cujas regras de escrita permanecem inalteradas.
Eis algumas regras básicas:

• Escrevem-se com [e] as palavras formadas a partir de nomes terminados em -eio ou –eia, quando esta letra tem som /i/ (ex.: “aldeia” - “aldeão”; “candeia” - “candeeiro”; “ceia” – “cear”; “areia” - “areal”; “cadeia” -“cadeado”; “receio” - “recear”; “passeio” - “passear”).

•Também se escrevem com [e] as palavras formadas a partir de nomes terminados em é, quando esta letra tem som /i/. (ex.: “café” - “cafeeiro”; “galé” - “galeão”; “pontapé” - “pontapear”; “maré” - “mareantes”).

•Quando se pronuncia /u/ duas vezes na mesma palavra, escreve-se o primeiro som [o] e o segundo [u], se o primeiro não for na sílaba tónica. (ex.: “monumento”; “popular”; “revolução”.

•Todavia, escreve-se com [u] sempre que este som faça parte da sílaba tónica (ex.: “curso”; “muro”; “Nuno”; “pulou”; “russo”; “suco”).

•Emprego da letra [h].
5.1. Esta letra, em início ou fim de palavra, não tem valor fonético [isto é, não se “lê”). Conservou-se apenas por força da etimologia e da tradição escrita. A palavra  “hoje”, por exemplo, grafa-se desta forma devido ao seu étimo latino “hodie”. Como ela, temos outras palavras, como sejam: “hábito”, “haver”, “hesitar”, “homologar”, “humilde”, “Horácio”.
5.2. O [h] usa-se, em posição final e inicial, em certas interjeições, tais como: “ah!”, “eh!”, “ih!”, “oh!”, “hem?”, “hum!”, “hurra!”.

5.3. Integra os dígrafos  [ch], [lh] e [nh] (ex.: “choro”, “flecha”; “milho”, “telha”; “companhia”, “sonho”).

5.4. De salientar que as palavras “erva”, “Espanha” e “inverno” não possuem a letra [h] na sua grafia. Todavia, os seus derivados eruditos são escritos com [h] (ex.: “herbívoro”, “hispânico”, “hibernal”).
5.5. Não há nenhuma palavra com um [h] no seu interior. O contrário de “humano” é “desumano” e não *”deshumano. “Deshoras” não existe, mesmo quando o vemos escrito em documentos oficiais como aqui: “(…) pouco redigida, a deshoras, mas a todo o tempo, multipartilhada (…)”, em https://www.portugal.gov.pt/download ficheiros/ficheiro.aspx?v=472d90c6-2127-4554-9773-7716a4c12226, acedido a 14-11-2019.
Na dúvida, devemos sempre consultar um prontuário ou um dicionário.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.