Correio do Minho

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Escutas “assassinas”

Muro de Gelo

Escutas “assassinas”

Ideias

2019-10-18 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

“Opapagaio-mor do reino não vai falar sobre Tancos tão cedo”, disse o Brazão à irmã, informando ainda que Sá Fernandes, o “advogado do chapéu”, como muitos o identificam, já fizera chegar à Presidência que ele teria “um e-mail que os compromete”. Perante todo este «filme» a evocar e a fazer «reviver» a famosa «guerra» do saudoso Raúl Solnado, face ao que expressa e literalmente flui de tal escuta não restam dúvidas de que muita gente sabia do que se passava e se ia passando, incluindo a Casa Militar da Presidência da República, até porque Luís Vieira, ex-chefe da PJM, diz mesmo que «ao chefe da casa militar do PR contei tudo o que sabia» (C.M. 27.9.19). Como há muito vimos dizendo e escrevendo, a história de Tancos estava e continua a estar muito mal contada, sendo que, com a saída da acusação e a revelação de certas escutas, cada vez mais nos convencemos de que seriam mesmo muitos os que sabiam do caso concreto do roubo e da farsa que se lhe seguiu, muito embora, e cada vez com mais força, todos se esforçassem em negar. Num ridículo e caricato de um caso, desprestigiante para as FA e o país, que passou fronteiras tendo sido um jornal espanhol até a dar notícia do armamento roubado em Tancos, sendo nossa opinião que todos os sistema político e militar nacional, e seus responsáveis, teve a preocupação de ocultar e de minimizar o mais possível um caso que os envergonhava.
Com a acusação do MP e pormenores vindos a público, é de todo inquestionável o «caricato» do ocorrido, aliás previsível face aos abandono, insegurança, incúria, desleixo e irresponsabilidade de quem tinha a seu encargo e cuidado guardar material tão «explosivo», sendo de se registar a «farsa» que depois se montou, com a conivência, o conhecimento, o aval e contributo de muitos militares, polícias e políticos, e até chefias e quejandos, para se sair por «cima», compondo e fazendo um «ramalhete» para «o mundo ver», com impacto e direito à concessão de comendas. Quanto à realidade e verdade do que realmente aconteceu, o tempo, cremos, ainda o irá dizer e de tudo então se saberá no final, até porque Costa há muito já o dissera, já que se vem vivendo agora tão só o tempo da justiça e... «aproveitando» a campanha eleitoral. Com as «burricadas» do Sócrates, as «bojardas» do Azeredo, os «escândalos» das escutas e as «arrueiceirices» do S. Silva e do César, etc., sendo que a realidade não pode ser preenchida apenas pelo relato nos media da acusação, escutas e demais estórias recolhidas, pois importa dizer que o povo ainda não tem plena consciência e conhecimento de quem seja «o papagaio-mor do reino», evocado pelo Brazão, apesar de toda a malévola e indestrutível insinuação da escuta. Aliás foi compreensível, e nada descabido, que Marcelo tenha saído a terreiro e negasse que soubesse e se tivesse envolvido no assunto, dizendo aos jornalistas em Nova Iorque e à margem da AG da ONU que «fique claro que o PR não é criminoso» (CM, 26.9.19). Logo a demarcar-se da mais fácil e natural interpretação sobre a identidade do «papagaio-mor do reino», bolçada pelo dito Brazão em tal escuta, que depois teve necessidade de esclarecer ao MP, dizendo que não era necessariamente o PR, e que «estava a referir--se à presidência, genericamente, e aos que considerava serem os “papagaios” de Belém», explicando «depois que seria Marques Mendes, José Miguel Júdice e Miguel Sousa Tavares» (CM, 27.9.19). Uma explicação «atamancada» e «conveniente» que «pluraliza» o que se expressou como singular («papagaio-mor do reino»), e que a entenda, interprete e compreenda quem tiver inteligência e... margem para tal.
Malévola ou não, intencional, inócua, fortuita ou casual, o certo é que qualquer arguido, suspeito ou acusado poderá sempre dizer e dar as explicações que entender, ainda que seja incontornável que o cidadão comum poderá sempre pensar, apreender, interpretar e ter outra compreensão dos factos, até porque as “verdades” e “realidades” na boca de políticos, governantes, detentores de cargos públicos e... arguidos, expurgadas das presunções de inocência, naturais conveniências, habituais embustes e nuances de momento, de modo nenhum diferem, se distinguem e divergem em valia, em importância e “credibilidade”. Sendo de um colorido indefinido, assumem sempre uma tonalidade «furta-cores», esparsa e esconsa conforme as conveniências e os tempos, e adulteram-se com as circunstâncias do momento, mormente quando confrontados directamente nos lugares mais sérios e impensáveis, como aliás flui dos muitos silêncios, negações e mentiras do ex-ministro Azeredo, e das evasivas, inacções, posições amorfas e inócuas atitudes de muitos, incluindo Costa, que continua a tardar em demarcar-se de um elemento de seu governo e do «caso», “empurrando-o com a barriga”.
Aliás, se o tal «papagaio-mor do reino» foi “pluralizado” pelo Brazão, não é de excluir que o número dos conhecedores e coniventes fosse bem amplo, e com posições governativas, políticas e militares, sendo custoso admitir, nos quadros de uma lógica e inteligente compreensão e apreensão, que Costa e Marcelo, pelas funções e seu enquadramento, de nada soubessem, ainda que sob o véu de uma aligeirada e camuflada “fumaça”, até porque nesta «guerra» de Solnado é pouco provável que «o enganado», a existir, fosse «o último a saber», já que até o deputado e ex-presidente do PS do Porto, Tiago Ribeiro, o sabia. Claro que João Cordeiro, ex-Chefe da Casa Militar do PR, que também sabia de tudo, nega o facto, nada diz ao Chefe Supremo das FA e deixa então as funções, sendo que entretanto, “caminhando-se”de vergonha em vergonha, cada vez se vão sabendo mais coisas, e até que o roubo poderia ter sido evitado, tal como o ridículo de os carrinhos de mão terem de andar 500 metros a transportar caixas de material, durante duas horas e nas calmas, desde uns paióis sem guarda e quase ao abandono. Um caso chocante e ridículo, que mostra um país de cócoras e em descalabro, desprestigiado e com autoridades de «cartolina», “abivacadas” num deixar correr o marfim, sem brio nem honra, com e sem «Fechaduras». Segundo parece e consta, todo o mundo sabia e daí continuarem os processos e as investigações para um cabal esclarecimento dos posicionamentos de três magistradas do MP, do antigo Director da PJ, do ex-chefe da Casa Militar do PR, até porque o próprio roubo poderia ter sido evitado se o “afamado” e “legalista” Ivo Rosa tivesse permitido as escutas que o anúncio do

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