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Estações de Tratamento de Águas Residuais

A avestruz risonha que tocava Strauss

Escreve quem sabe

2012-10-20 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

A utilização de grandes quantidades de água é um imperativo diário incontornável, nas mais diversas atividades humanas, como, por exemplo, na indústria, na agricultura, no comércio, nas atividades de lazer.

Esta pressão sobre o uso desregrado da água leva a que, na maioria das vezes, a água fique contaminada e, como tal, passe a ser designada por água residual.

No sentido de minimizarem os impactes ambientes resultantes das descargas de águas residuais, quer de uso doméstico, quer industrial, construíram-se instalações com equipamentos e processos adequados ao tratamento dessas águas residuais, designadas por Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

Existem vários modelos de ETAR, todos eles preparados para tratar a água residual, podendo ser utilizados para o efeito, sistemas físicos, químicos e biológicos. A definição do modelo de ETAR, bem como dos órgãos/equipamentos, dependerá, entre outros factores, da carga orgânica e hidráulica e dos objetivos de qualidade pretendidos.

O tratamento de águas residuais, pode incluir algumas das seguintes intervenções: pré-tratamento (processo mecânico ou físico que consiste na remoção do material particulado em suspensão), primário (processo físico e/ou químico que consiste na decantação das partículas sólidas em suspensão), secundário (processo biológico que consiste na remoção da matéria orgânica solúvel) e terciário (processo químico que consiste na remoção de nutrientes, patogénicos e substâncias tóxicas).

No pré-tratamento, a água residual passa por uma gradagem, onde são apartados os sólidos mais grosseiros. Posteriormente, entra num tamisador, a fim de retirar os sólidos mais finos.

Seguidamente, para remoção das areias e gorduras, a água residual passa por um desarenador e, por fim, por um desengordurador. O objectivo é impedir qualquer dano nos equipamentos que se encontram a jusante e garantir a eficiência dos tratamentos seguintes. É nesta fase que, na maior parte das vezes, é medido o caudal de entrada na ETAR.

No tratamento primário a água residual passa por um decantador, visando a separação, por decantação, das partículas sólidas em suspensão. Por vezes são adicionados coagulantes para potenciar a decantação.

No tratamento secundário, a água residual é submetida ao tratamento biológico, normalmente em sistemas aeróbios, onde os microrganismos (biomassa) têm um papel fundamental na remoção da matéria orgânica. Existem vários sistemas, sendo mais comuns os sistemas aeróbios com biomassa suspensa (lamas ativadas) e biomassa fixa (leitos percoladores e biodiscos) e os sistemas aquáticos com biomassa suspensa (lagunagem). Em alguns destes casos, a água residual é encaminhada, posteriormente, para um decantador secundário.

Normalmente, após o tratamento secundário, a água residual adquire características que lhe permitem ser classificada como água tratada, ou seja, com condições de ser depositada no meio recetor, em conformidade com os preceitos legais.

No entanto, por vezes, há necessidade do tratamento terciário. Neste caso, a água residual é submetida a uma desinfeção, ao controlo de nutrientes (azoto e fósforo) e à eliminação da cor. Nesta fase de tratamento, as intervenções principais são a adição de cloro, a adição de ozono e a passagem da água residual por um canal de ultravioletas (UV).

Quando se trata de águas residuais fortemente poluídas, como é o caso das resultantes de alguns processos industriais, por vezes é necessário recorrer a processos tecnológicos mais avançados, como, por exemplo, a osmose e a ultrafiltração.

Após tratamento, a água residual apresenta, como subproduto, a lama, que resulta da acumulação de sólidos em suspensão e da actividade microbiológica durante o processo de tratamento. O tratamento das lamas, por norma, passa inicialmente pelo acondicionamento, seguido do espessamento, da desidratação e, por fim, da estabilização. Dependo das suas características, as lamas podem ser utilizadas, por exemplo, na agricultura, como fertilizante.

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