Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Estratégia de Inovação Tecnológica e Empresarial 2018-2030

Encontrão Ambiental

Ideias

2018-05-05 às 06h00

Vasco Teixeira

Éconsensual que Portugal terá de reforçar de um modo mais efetivo a sua aposta no investimento no Conhecimento e na Inovação como alavanca para um crescimento socioeconómico e para o desenvolvimento de Portugal de uma forma sustentável. O inves- timento na Educação e na Formação para o desenvolvimento de competências-chave é também essencial para estimular o crescimento e a competitividade: as competências determinam a capacidade do país e das suas empresas para desencadear inovação, crescimento e aumentar a produtividade. A relevância da investigação científica e tecnológica, que determina muitas das inovações tecnológicas, é hoje cada vez mais considerada como fator indispensável para garantir maior competitividade das empresas e gerar crescimento económico, como foi reconhecido por todos os Estados-Membros na Estratégia Europa 2020 para o Emprego e o Crescimento, ao adotarem o objetivo de afetar 3% do PIB na Investigação e Desenvolvimento (I&D), correspondendo a 1% proveniente de fundos públicos e 2% do setor privado.

É com grande satisfação que assinalo a recente aprovação de um documento pelo governo onde assinala um conjunto de linhas orientadoras para uma estratégia de inovação tecnológica e empresarial para Portugal (para o período 2018-2030), tendo designado a Agência Nacional de Inovação (ANI) como a entidade responsável, para promover a colaboração entre instituições do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN) e o meio empresarial bem como reforçar a participação em programas internacionais por parte das empresas e as entidades do SCTN.

Os objetivos principais da Estratégia de Inovação 2018-2030 enunciados no documento são:
1 - Alcançar um investimento global em I&D de 3% até 2030, com uma parcela relativa de 1/3 de despesa pública e 2/3 de despesa privada, correspondendo a um investimento global em I&D de 1,8% do PIB até 2020 (foi de 1,3% em 2016).
2 - Alcançar um nível de 60% dos jovens com 20 anos que frequentem o ensino superior em 2030, com 40% dos graduados de educação terciária na faixa etária dos 30-34 anos até 2020 e 50% em 2030 (enquanto apenas 35% em 2016).
3 - Alcançar um nível de liderança europeia de competências digitais até 2030, em associação com acesso e uso da internet, bem como a procura pelos mercados, desenvolvimento de negócios e desenvolvimento de competências especializadas.
4 - Aumentar as exportações de bens e serviços, ambicionando-se atingir um volume de exportações equivalente a 50% do PIB na primeira metade da próxima década, com enfoque na performance da balança tecnológica.
5 - Aproximar os níveis de investimento em capital de risco à média da Europa.
6 - Reforçar a atração de investimento direto estrangeiro.

De facto, a percentagem do PIB para atividades de ciência e tecnologia corresponde também a um indicador do próprio desenvolvimento dos países. Segundo dados da Comissão Europeia, ao atingir-se a meta de investimento de 3% do PIB da UE em I&D poderá resultar na criação de 3,7 milhões de empregos na Europa.
No domínio do empreendedorismo, a Estratégia preconiza que se deverá apostar no estimulo à criação e ao crescimento de novas empresas de grande potencial de inovação e maior valor acrescentado, designadamente, com grande potencial de criação de emprego qualificado em Portugal e em colaboração com os Programas Startup Portugal e Indústria 4.0 e outras iniciativas setoriais com impacto na inovação.
Em 2017 o ecossistema das startups portuguesas cresceu o dobro da média europeia. Só uma pequena fração das empresas startups criadas em Portugal são de base tecnológica. A aposta na inovação tecnológica assim como o financiamento, que é crucial na fase inicial deverão ser comtemplados por programas específicos.

O documento salienta que se deve melhorar a aplicação dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento em projetos colaborativos entre empresas, centros de interface e instituições de ensino superior, incluindo a promoção de emprego altamente qualificado. O que de facto tem sido sempre referido para os vários programas de financiamento, mas onde Portugal, em muitos casos, não tem sabido fazer um uso inteligente e com resultados efetivos para o sistema empresarial dos fundos que dispõe.
É crucial, cada vez mais, estimular maiores laços de cooperação entre as universidades e centros tecnológicos com o tecido sócio-económico para assim fortalecer a base científico-tecnológica das empresas e contribuir para a promoção da competitividade e inovação através da especialização inteligente.
O crescimento da economia portuguesa também dependerá muito da capacidade de se estimular a competitividade a nível regional.

Um dos vetores estratégicos de ação da Estratégia de Inovação é reforçar o apoio e a capacitação da rede de Centros Interface e de Laboratórios Colaborativos, promovendo maior financiamento, maior colaboração a nível nacional e internacionalização. Os Laboratórios Colaborativos (CoLABS) deverão dinamizar a colaboração entre o SCTN e as empresas, promovendo atividades de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, a valorização e o emprego de recursos humanos qualificados e o desenvolvimento de novas áreas de competências com forte potencial de exportação de bens e serviços de maior valor acrescentado. Esses Laboratórios devem atuar em áreas como: i) floresta e fogos; ii) espaço, clima e oceanos; iii) transformação digital; iv) investigação e inovação em regiões de montanha; v) vinho e vinha na região do Douro e vi) valorização de algas no Algarve

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