Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Estratégias e Desafios para o Crescimento Económico

A Casa de Chocolate

Ideias

2016-10-22 às 06h00

Vasco Teixeira

É crucial para Portugal um crescimento sustentável da economia e do emprego. O país tem o grande desafio de implementar um conjunto coerente e concertado de programas e estratégias, num horizonte de médio e longo prazo, que visem efetivamente contribuir para a competitividade e a capacidade de inovação enquanto sociedade do conhecimento avançada, caracterizada por um desenvolvimento sustentável baseado num crescimento económico sólido e numa economia social de mercado altamente competitiva.

Só com uma implementação de estratégias de médio prazo (resultando de entendimentos políticos alargados) se poderá esperar uma economia com mais dinamismo. Importa definir e coordenar políticas industriais que apostem, estrategicamente, tanto ao nível das reformas es- truturais como do investimento, em setores com maior potencial de crescimento e emprego, e competitivos num quadro global.

As PME são a maior fonte de emprego, o fundamento da economia local, assim como da inovação e do desenvolvimento de novos produtos. A incapacidade das empresas para aceder a financiamento tem sido um dos principais problemas identificados na economia portuguesa. De facto mesmo a nível europeu, uma das prioridades centrais estabelecidas na Estratégia Europa 2020 consiste em facilitar o acesso das PME ao financiamento. É, assim, essencial assegurar uma articulação eficiente dos instrumentos públicos e privados disponíveis de financiamento à criação e desenvolvimento de novos projetos empresariais (incentivos fiscais, apoio à atividade de I&D, linhas para estímulo do crescimento de PME’s, mercado de capitais e capital de risco), gerando massa crítica na capacidade de análise e financiamento de projetos inovadores.

É obrigatoriamente importante captar investimento externo, não só para novos projetos empresariais, mas também através da entrada de capital estrangeiro nas empresas portuguesas. Portugal tem de procurar estabelecer estratégias e políticas económicas que favoreçam o investimento produtivo. Para haver investimento é crucial potenciar os programas que promovem a produtividade e competitividade das empresas.

A política fiscal também tem um papel no crescimento económico. Para estimular o investimento em Portugal é preciso promover a competitividade fiscal, ou seja, as empresas que decidem apostar no nosso país deverão obter vantagens fiscais (competição com outros países) e sobretudo haver uma previsibilidade/estabilidade fiscal.

As exportações têm um papel determinante no crescimento económico, e são, assim, uma importante estratégia do desenvolvimento económico. Dada a reduzida dimensão do nosso mercado interno a internacionalização das empresas é a forma mais eficaz de proporcionar um crescimento económico e um desenvolvimento sustentável.
Uma eficaz estratégia de Reindustrialização pode complementar na solução para inverter as fragilidades estruturais e o défice de competitividade da nossa economia num contexto de globalização.

Com uma eficaz implementação de medidas e reformas estruturais e com a utilização dos fundos europeus no tecido produtivo (com o Programa Portugal 2020) para a criação efetiva de valor e para a formação e o emprego, procurar-se-á dar mais condições às empresas portuguesas para que possam competir com as suas concorrentes internacionais. De facto, o Portugal 2020 visa, entre outros eixos temáticos, potenciar o investimento nas pequenas e médias empresas inovadoras, a valorização da qualificação dos recursos humanos (ensino e formação ao longo da vida), e é nestes dois eixos que se encontra a maior fatia de fundos (o domínio Competitividade e Internacionalização concentra mais de 40% dos fundos).

Portugal necessita de continuar a apostar no investimento no Conhecimento e na Inovação como alavanca para o crescimento socioeconómico e o desenvolvimento sustentável. A relevância da ciência e da tecnologia na sociedade do conhecimento e da inovação são hoje cada vez mais consideradas fatores indispensáveis para a competitividade das empresas sendo essencial para a criação de emprego. Também o investimento na Educação e na Formação para o desenvolvimento de competências-chave é essencial para estimular o crescimento e a competitividade: as competências determinam a capacidade do país e das suas empresas para desencadear inovação, crescimento e aumentar a produtividade. A criatividade e a inovação são fatores-chave para o desenvolvimento das empresas e para a competitividade.

O crescimento sustentável da economia portuguesa também dependerá muito da capacidade de se estimular a competitividade a nível regional. É, assim, crucial uma estratégia de desenvolvimento regional (de médio prazo) que aposte no desenvolvimento económico e tecnológico das regiões de uma forma efetiva, sustentável e inteligente.

O país necessita também de apostar numa política industrial para um crescimento sustentável. O crescimento sustentável é uma das prioridades definidas no âmbito da Estratégia Europa 2020, através do qual se pretende promover uma economia que seja não só mais competitiva, mas também mais eficiente em termos de utilização dos recursos, isto é, mais ecológica. O paradigma do crescimento sustentável assenta numa agenda de transformações estruturais e investimentos seletivos e reprodutivos em áreas como o conhecimento, o empreendedorismo, a economia verde e a política industrial. Através da política industrial, teremos a oportunidade de consolidar verdadeiras regiões de conhecimento e de competitividade à escala global.

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