Correio do Minho

Braga, terça-feira

Estudar mais?… Compensa?

Por um modelo de gestão pública de proximidade inteligente

Ensino

2019-01-30 às 06h00

Helena Sofia Rodrigues

A entrada no Ensino Superior é muitas vezes encarada como uma receita capaz de resolver os problemas de desemprego, bem como a baixa produtividade da economia portuguesa. No entanto, quando surgem os primeiros sinais de instabilidade, a aposta neste nível de ensino é posta em dúvida. Durante os anos de crise económica nem todos os diplomados foram protegidos por esta premissa, havendo uma maior competitividade pelos escassos lugares de emprego e, acima de tudo, aumentando o desfasamento entre as expectativas dos recém-formados e a realidade que os recebia. Surge então a pergunta: estudar compensa?

Em Portugal, a percentagem de licenciados ainda continua abaixo da média da OCDE. O relatório da OCDE de 2017, Education at a Glance, dá-nos boas razões para continuar a manter a aposta no prosseguimento de estudos em termos económicos. Portugal apresenta salários mais altos para os licenciados do que os alunos que apenas terminam o Ensino Secundário. Se a diferença salarial não é muito elevada em início de carreira, à medida que o percurso individual é feito nas empresas essa disparidade é maior, favorecendo os alunos que terminam o Ensino Superior. Esse prémio salarial traduz-se, em média, um salário 70% mais alto para os indivíduos que possuem um diploma. Além disso, 85% dos licenciados estão empregados, contrapondo com 79% dos alunos que apenas terminam o Ensino Secundário. A estabilidade financeira não é razão suficiente para convencer esta aposta?
Estudar mais, não significa ter apenas mais estabilidade financeira. A aposta individual de valorização pessoal leva a aprendizagens mais consolidadas, a uma melhor organização e gestão de tempo. Desta forma, há uma crescente autonomia e responsabilidade na procura ativa do emprego, levando a uma análise crítica do percurso individual.

Nem sempre este último aspeto é bem entendido pela família, pois a sua perspetiva sempre foi encontrar um trabalho o mais rapidamente possível para ter independência financeira. Sem ilusões remuneratórias, os jovens tendem a espe- rar/procurar um pouco mais com o intuito de encontrar algo que lhes proporcione uma satisfação pessoal.
A entrada mais tardia nas empresas, também faz com que o nível de maturidade dos alunos que terminam o Ensino Superior levem a ter outra postura logo no início de carreira. Além de terem uma visão mais abrangente do mercado de trabalho, potenciam a sua contribuição na melhoria contínua no desenho das organizações, pela bagagem de competências aprendidas ao longo do curso. Disciplinas como Matemática, Estatística, Inglês, Ética e relações laborais, entre outras nem sempre são bem vistas pelos estudantes nas suas formações; contudo, o desenvolvimento de pensamento crítico, o estar à vontade na análise de dados de procura e oferta da própria empresa, o apresentar valores éticos no relacionamento com o cliente são competências que se irão destacar no mundo do trabalho e que foram fomentadas ao longo do ciclo de estudos.

Apesar de algumas escolas do Ensino Secundário já proporcionarem algumas experiências Erasmus, é realmente no Ensino Superior que a possibilidade de estudar/viver durante pelo menos 6 meses no estrangeiro se torna realidade.
Hoje em dia, mais do que a experiência académica, a realização de uma mobilidade Erasmus representa uma grande mais-valia, imprescindível na valorização do curriculum vitae.
Realizar uma mobilidade Erasmus é para um potencial empregador a garantia que o candidato detém as soft skills necessárias às exigências do mercado de trabalho atual, nomeadamente competências linguísticas, autonomia, resiliência, entre outras. É uma forma de conviver com outras culturas, captando as diferenças e constatando as semelhanças que nos une, levando a que de uma forma geral, os alunos se tornem mais tolerantes e com espírito aberto a comunidades estrangeiras.

Segundo um estudo que saiu recentemente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o aluno não só cresce a nível individual, mas também sob o ponto de vista coletivo: com o pensamento crítico também aumenta o maior envolvimento social e político, e crescem os comportamentos de menor risco e maior preocupação com a sua saúde. Com o aumento da rede de contactos também aumenta a maior capacidade cognitiva para interpretar fenómenos sociais e maior tolerância com os outros.
Não defendo que todos precisamos de ter uma licenciatura apenas para guardar um diploma, pois nem sempre a realização pessoal passa pelo Ensino Superior.
Mas se há indecisão… já pensou nos benefícios de estudar mais um pouco?

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