Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Europa Criativa: Desafios e Oportunidades para as Indústrias Culturais e Criativas

A Casa de Chocolate

Ideias

2016-05-28 às 06h00

Vasco Teixeira

Os setores culturais e criativos constituem uma fonte de ideias inovadoras, que podem ser transformadas em produtos e serviços, contribuindo para o crescimento e criação de emprego, podendo também contribuir para o reforço da competitividade das regiões. Os setores culturais e criativos europeus representam 4,5% do PIB europeu, correspondendo a cerca de 3,8% da mão-de-obra da União Europeia (8,5 milhões de pessoas).
Europa Criativa é o programa da União Europeia (UE) de apoio aos setores cultural e criativo. O programa terá uma duração de 7 anos (2014-2020) e um orçamento de 1.4 mil milhões de Euros. O programa compreende dois subprogramas: o MEDIA (com 56% do financiamento, dirigido exclusivamente ao setor cinematográfico e audiovisual) e o subprograma Cultura (utilizará 31% dos fundos, e que engloba as restantes expressões culturais e artísticas). Apresenta também uma vertente intersetorial.
O Programa Europa Criativa 2014-2020 pretende:
-Salvaguardar, desenvolver e promover a diversidade cultural e linguística europeia e promover o património cultural da Europa;
-Reforçar a competitividade dos setores culturais e criativos europeus, nomeadamente do setor audiovisual, a fim de promover um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo.
Este programa é um instrumento de apoio importante para dezenas de milhares de artistas, profissionais da cultura e do audiovisual, e organizações ligadas às artes do espetáculo, às belas-artes, à edição, ao cinema, à televisão, à música, às artes interdisciplinares, ao património e à indústria dos videojogos.
O Programa deverá ter em conta a dupla natureza da cultura e das atividades culturais, reconhecendo, por um lado, o valor intrínseco e artístico da cultura e, por outro, o valor económico de tais setores,designadamente o seu contributo societal mais vasto para a criatividade, a inovação e a inclusão social.
As indústrias culturais e criativas enfrentam desafios acrescidos no acesso ao financiamento, crucial para poderem expandir o seu negócio, para manter e reforçar a competitividade ou para internacionalizar as suas atividades. A reduzida dimensão das empresas culturais e criativas, a incerteza quanto à procura dos seus produtos, a complexidade dos seus planos de negócio e a ausência de ativos tangíveis são barreiras identificadas a nível europeu.
O apoio da UE contribuirá para que estes setores possam tirar o máximo partido das oportunidades criadas pela globalização e pela transição para a era digital. Permitir-lhes-á também vencer desafios como o da fragmentação do mercado e dificuldades de acesso ao financiamento, além de contribuir para uma melhor definição de políticas, ao tornar mais fácil a partilha de conhecimentos e experiência. Espera-se que os projetos financiados pelo programa possam chegar a um mínimo de 100 milhões de pessoas.
O futuro das economias europeias, bem como da economia portuguesa, depende em grande parte da capacidade em assumir a cultura, a criatividade, a inovação e o conhecimento como um elemento central das atividades económicas.
A internacionalização é um fator chave da estratégia da UE para promover o setor cultural e criativo ao serviço do crescimento e do emprego. As políticas atualmente previstas pela Comissão Europeia para aumentar a competitividade e o potencial de exportação deste setor incluem a mobilização dos recursos europeus para iniciativas nos domínios do desenvolvimento de competências, do acesso ao financiamento, da promoção de novos modelos empresariais, da captação de audiências ou do acesso aos mercados internacionais.
Em Portugal a taxa de crescimento média anual das exportações culturais e criativas excedeu os 10% na última década. As maiores exportações criativas nacionais envolvem produtos relacionados audiovisuais, produtos relacionados com design e produtos de design. O mercado de língua oficial portuguesa acolheu 15% das exportações das indústrias criativas de Portugal (dados de 2011), sobretudo na área audiovisual.
Um estudo de 2014 elaborado para o Ministério da Economia conclui que tanto as exportações do conjunto das indústrias criativas (incluindo design, artesanato, artes visuais, edição, audiovisuais e serviços relacionados com publicidade, arquitetura e outros serviços culturais e recreativos) como as exportações do conjunto das indústrias relacionadas apresentam um dinamismo e uma resiliência superior à média nacional.
Tem-se como grande desafio, criar as condições para que a cultura e a criatividade possam contribuir e protagonizar o processo de reforço da internacionalização e da competitividade nacional, seja pelo reforço da própria internacionalização do setor cultural e criativo, seja pelo reforço da internacionalização da economia portuguesa através da inovação e da diferenciação.
O desafio da aposta nas indústrias criativas passa por conceber o desenvolvimento das regiões através da ligação entre a economia e a cultura, combinando aspetos económicos, culturais, sociais e tecnológicos.
Tem-se o contributo das indústrias criativas, do turismo cultural e do marketing cultural na dinamização, regeneração económica, na regeneração urbana, na competitividade e projeção internacional dos centros históricos e das cidades.
O recurso às estratégias de especialização inteligente (RIS3) trará novas oportunidades para ligar atores culturais de um território específico, a cooperarem nos tópicos com maior potencial para promover a inovação e reforçar os ativos mais importantes para a competitividade da região.

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