Correio do Minho

Braga,

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Ilusões

Ideias Políticas

2018-05-22 às 06h00

Francisco Mota

O que aconteceu no Verão quente de 2017, cujas imagens jamais podem ser esquecidas ou apagadas da memória coletiva, devem mobilizar-nos em prol da sustentabilidade e na construção de um meio ambiente cada vez mais comprometido com as futuras geração. O choque que abalou o país levou os portugueses a perceber que nada poderia ficar como antes. Morreram 112 pessoas e arderam mais de 500 mil hectares.
Braga foi invadida pelo terrorismo desconhecido a 15 de Outubro. Num período em que já ninguém contava ser possível existir verão, o inferno desceu à terra e engoliu o orgulho, a vida e a esperança da mais antiga cidade de Portugal. A imagem que ficará na memória dos tempos da Roma Portuguesa está escrita nos livros da história da Roma Imperial, com o incêndio da antiguidade. Parecendo um paradoxo, a verdade é que o maior crime da antiguidade se equipara ao maior atentando ambiental e monumental de Braga. Foram 1200 hectares de terror e destruição, que acabaram por pintar um quadro nunca antes visto e manchando de cinzento aquilo que até então era verde. Tingindo de luto aquilo que até então era esperança. Arruinando aquilo que até então era vida.

A cada vez que passamos pelas áreas ardidas sentimos a impotência daquele dia e daquela noite, a tristeza é desoladora e o arrepio sentido no corpo apenas nos dá vontade de chorar. Foi difícil erguer o orgulho ferido e o que as pessoas mais pedem é que a história não se volte a repetir e que o estado pugnasse pela defesa intransigente dos Portugueses.
Volvidos cerca de 7 meses e estando próximos da fase mais crítica, começamos a constar que tudo parece estar pior do que em 2017. A desorientação e desorganização na ANPC está ao rubro, os processos de programação de meios nunca estiveram tão atrasados, a falta de liderança no sector a nível nacional e a pouca experiência e demasia incompetência nos comandos distritais de protecção civil antecipam dias difíceis na prevenção e combate a incêndios.

Dessa forma escrevemos a suas excelências na garantia, enquanto legítimos representantes dos Portugueses, de questionarem o Governo e a tutela sobre as seguintes matérias que muito afectam o nosso território:

1) De acordo com o relatório da comissão técnica independente com que base é que dizem que a protecção civil municipal necessita de mais e melhor formação quando nem ouvidos foram? Com que dados?
2) De acordo com esse mesmo relatório da comissão técnica independente, porque não foram ouvidos o comandante da Companhia dos Bombeiros Sapadores de Braga, o comandante dos Bombeiros voluntários de Braga e a protecção civil municipal quando o próprio relatório reconhece que 75 % do incendio foi em território bracarense? Porque apenas foram ouvidos elementos de Guimarães?
3) De acordo com a Diretiva Operacional Nacional n 2- Dispositivo Especial de Combate de a Incêndios 2018 por proposta da Autoridade Nacional de Protecção Civil - foi homologado a 13 de Abril pelo secretário de estado da protecção civil. Nessa mesma directiva consta que a partir do dia 15 de Maio (Período Nível II) se situa em Braga, no aeródromo de Palmeira, um helicóptero de combate a incêndios. Mas esse meio nunca chegou a estar ao dispor das entidades, onde se encontra? Porque foi anunciado?
4) No dia 15 houve um incêndio, na freguesia de Guisande, de grandes dimensões, teve que vir um heli de Baltar Porto - sendo que esse mesmo registo já aconteceu por mais duas vezes. Estará Braga entregue novamente à sorte?
5) No dia 17 de Maio, Hermenegildo Abreu CDOS de Braga, apresentou publicamente o Plano Operacional Distrital, mesmo sabendo que o helicóptero não se encontrava operacional porque assumiu precisamente o contrário?
6) A Diretiva Operacional Nacional n 2- Dispositivo Especial de Combate de a Incêndios 2018 volta a reconhecer o Minho e todo o Norte como uma das áreas com maior risco e probabilidade de ocorrências de incêndios. Tendo em conta que é nesta área que se encontra único Parque Nacional Peneda/Gerês - o porque de terem desmobilizado o KAMOV, que o ano passado se encontrava no aeródromo de palmeira, para uma área de ocorrência muito inferior em Loulé?

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