Correio do Minho

Braga, sábado

Famalicão, o lugar das empresas e do investimento

Menina

Ideias

2019-06-20 às 06h00

Augusto Lima

Na semana passada, a Continental anunciou mais um investimento para ampliação do complexo industrial em Lousado. São cerca de 100 milhões de euros para produzir pneus para veículos de movimentação de terras e para aplicações portuárias, de jantes superiores a 24 polegadas de diâmetro, num total de três novos modelos. Um investimento que representa a criação de mais 100 postos de trabalho e que deverá estar concluído em dois ou três anos.
É mais um grande investimento do grupo alemão na sua fábrica de Lousado e mais uma significativa aposta empresarial em Famalicão. Certamente, haverá razões intrínsecas e objetivas na tomada de decisão do grupo, mas esta realidade destaca uma vez mais a capacidade atrativa do concelho a nível empresarial, pelo que importa fazer uma reflexão acerca das razões e dos seus respetivos fatores competitivos.

Nos dias de hoje, para um território ser competitivo e ter argumentos para atrair investimento, não chega apenas apostar nas condições materiais e físicas, como sejam acessibilidades, benefícios fiscais, áreas de acolhimento empresarial, entre outras. Para um investidor estas condições funcionam como requisitos e não como fatores diferenciadores de um determinado país, região ou concelho.
Mais do que as condições materiais e físicas, são as condições imateriais, subjetivas e emocionais que determinam a escolha dos locais para o surgimento ou crescimento de iniciativas empresariais e industriais. Por serem bem mais complexas, de difícil medição e não estarem à vista de todos, torna-se mais árdua a sua exposição.

Enumero abaixo aquelas que para mim são e serão as condições fundamentais para a atração de investimento.
i) Capacidade de atração e retenção de talentos
É provavelmente o maior desafio dos territórios. A sua competitividade no futuro vai depender cada vez mais de serem capazes de oferecer ao mercado de trabalho pessoas com as competências adequadas para fazer face às necessidades das empresas, das instituições, das associações e da comunidade. E, a este propósito, não chega só preparar e reter. Atendendo à concorrência global, regional e local, é e será imperativo atrair.
ii) Capacidade de inovação e sustentabilidade
Criar as condições favoráveis para elevar o valor acrescentado dos produtos/serviços e cada vez mais em territórios e contextos que contribuam para a solução das causas globais, como sejam as questões ambientais, digitais e de cidadania, é e será determinante nas escolhas dos investidores.
iii) Capacidade de gerar confiança, credibilidade e ação

Provavelmente a condição mais subjetiva e emocional, mas também por isso talvez a mais determinante para o investidor. Sem confiança, sem credibilidade e sem capacidade de encontrar soluções rápidas e eficientes, não haverá investimentos. Cada caso é um caso. Não há uma receita, apenas um conjunto de princípios e valores que, mais do que percecionados, são totalmente interiorizados pelo outro, fazendo assim, muitas vezes, a diferença nos momentos decisivos e em que os investidores fazem as suas escolhas.
Ora, chegados aqui, podemos afirmar que Famalicão está a trabalhar neste sentido e com esta visão. Para além de continuar a garantir as condições objetivas e materiais, tem desencadeado uma estratégia assente e erigida sobre os pilares acima identificados.

A Continental decidiu avançar com mais um grande investimento em Famalicão e, certamente, teve em conta tanto as condições materiais, como as imateriais do nosso concelho, sublinhando a capacidade das pessoas com responsabilidade na gestão e dos seus trabalhadores pelos sucessivos e excelentes resultados obtidos ano após ano.
Vila Nova de Famalicão está assim a criar as condições necessárias para que mais investimentos como o da Continental, e outros de menor dimensão mas com valor acrescentado, possam instalar-se no território, assumindo-se cada vez mais como o lugar das empresas e do investimento.

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