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Fantasmas e ditaduras

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Fantasmas e ditaduras

Escreve quem sabe

2018-11-28 às 06h00

Vítor Esperança Vítor Esperança

O número de países classificados como “Democracia” tem vindo a diminuir nos últimos anos ou, pelo menos, a diminuir a qualidade do que consideramos uma verdadeira democracia, já que não basta chegar ao poder por eleições para assim a considerarmos.
Desde o último quarto do século que assistimos a essa tendência.
Se olharmos para o Mundo e analisarmos quem são os países considerados mais desenvolvidos, mais ricos e com melhor qualidade de vida, encontraremos as Democracias nos lugares cimeiros.
O Mundo Ocidental e a Europa em particular são referências quando avaliamos os Estados em função da sua governança e liberdade, ou seja, em função das bases da verdadeira Democracia, pois são elas que têm conduzido à evolução social e ao sucesso económico.
Então se assim é, porque se quer mudar?
Será realmente a maioria da população que escolhe a mudança?

A Democracia atribui o direito de governar a quem representar a vontade da maioria, expressa no voto. Todavia, se analisarmos o grau de absentismo e a dispersão de vontades representada pelos partidos políticos, concluiremos que o direito de governar em Democracia acaba por pertencer a uma minoria.
O absentismo, parecendo a forma mais simples e fácil de protesto é o caminho mais direto para a negação do princípio da maioria, ou seja, da Democracia.
Pior é ver os abstencionistas considerarem esta forma de protesto como meritória, convidando indiretamente outros a imita-los, sobretudo quando a esse comportamento somam a crítica de rejeição à política e aos “políticos” com adjetivos menos abonatórios, muitas vezes ofensivos ao caráter de quem ousa assim apresentar-se.

Os partidos têm também responsabilidade porque não assumem como risco a diminuição real da sua representatividade, porque a abstenção é um mal menor sem danos diretos no direito ao exercício do poder. Tudo agravado pela redução da sua própria representação, consubstanciada nos mesmos rostos da atividade política, práticas que acabam por restringir indiretamente o acesso a uma maior participação dos cidadãos.
Nada de grave se este jogo de poder ganho por minorias for disputado entre partidos considerados democratas. Mas, com o aparecimento de partidos cujos princípios se afastam do conceito de liberdade, tal como o assumimos hoje, o assunto muda de figura.
O receio aparece quando vemos surgir partidos políticos extremistas a terem representatividade em regimes democráticos.

O receio passa a medo, quando aqueles partidos conquistam o direito de exercer o poder. O medo leva ao protesto de muitos poucos, ou de muitos mais se tal exercício de repúdio tiver palco apenas nas redes sociais.
É bom que alguém esteja atento e tente alertar os demais, mas não é nem suficiente, nem eficaz, pois é apenas através do voto que afastaremos candidatos que anunciam políticas de salvação nacional milagrosas e bem populares.
É necessário agir e tomarmos consciência que uma minoria que se apresenta como iluminada, proclamando justiça e verdade, orgulhos nacionalistas ou “manhãs que cantam”, cavalgam protestos contra os políticos, como criminosos se tratassem.
Dizer mal colheu sempre mais adeptos do que o contrário.
Atenção! Ninguém nasce político.

O exercício da política é o dever da defesa do bem coletivo, seguindo princípios políticos que definem escolhas de governança. Esta responsabilidade pode ser assumida por cada cidadão, mas não é isso que vem acontecendo.
Falar de política é conversa automaticamente rejeitada pela grande maioria dos cidadãos instalados no conforto de vidas que a Democracia lhes trouxe. Qualquer abordagem à política e finalizada com remates ofensivos sobre os político, onde a corrupção ocupa classificação de certeza absoluta.
Não tenho dúvidas que nos dias de hoje assumir-se a qualidade de político é quase um ato suicida.
Com tais atitudes como é que queremos atrair os melhores para o exercício da política?
Cuidado! Se continuarmos por este caminho alguém aproveitará da facilidade dada pelos ausentes.
Lembrem-se que só conta quem está e que uma minoria em Democracia, facilmente se transforma em maioria.
Não deixemos os fantasmas passar a realidade.
A atividade política é um direito livre e nobre, que milhões sonham e não têm.
Participem!

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