Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Figuras, figurinhas e figurões

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2011-03-04 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Portugal, com o actual sistema político, foi invadido por um conjunto de figuras, figurinhas e figurões que, reconheça-se, põem em grave crise a democracia e toda uma natural esperança em melhores tempos e melhores condições de vida. Aliás, refira-se, já são muitas as vozes e enorme o número de descontentes, com muitos a evocar outros tempos e outras eras.

Passaram mais de três dezenas de anos sobre a revolução, seus princípios e promessas e Portugal continua a resvalar para uma vida de miséria, de perda de valores, riqueza e mesmo de princípios, cada vez mais enrodilhado em algo que se “coloriu” e se “mascarou” como democracia, mas que não passa de uma “partidocracia” miscegenada e inquinada por múltiplos jogos de interesses, conúbio, amiguismo, compadrio e corrupção.

Na verdade são já muitas as figuras que se vêm apresentando como autênticos figurões no “engenho” e “arte” de a tudo recorrer e de tudo se servir tão só para singrar na vida, triunfar e embolsar dinheiro, sempre blasonando e invocando a democracia, sendo que “para defender a democracia é indispensável mudar o sistema político, a filosofia e a forma de funcionameto dos partidos” (J.C.Vasconcelos, in Visão, cit. na Lux, n.º 563).

Como aliás não será de todo irrelevante recordar e meditar nas palavras de Rui Rangel quando escreve: “A ditadura prendia, matava. A democracia, refém de gente sem qualidade, ameaça, atemoriza e mata silenciosamente” ( in «Correio da Manhã», cit.na Lux, n.º 562).
E a verdade é que Portugal vem vivendo de gente sem preparação, mentirosa, vaidosa e petulante e tem sido refém de figuras e figurinhas sem qualidade e valia, de personalidades sem carácter e ainda de uns “sabidos” figurões, que passam os dias a encher a boca com as palavras “democracia” e “princípios democráticos”, mas logo se apressam a recuar e agir em contrário quando pode ficar em risco a satisfação e a concretização de compromissos, promessas e expectativas. Designadamente quando se fala numa eventual diminuição de lugares de encaixe, de pagamento de favores, de projecção, de referência pública e ... de generosos proventos, como na hipótese de uma redução do número de deputados.

Aliás uma ideia por muitos defendida e por outros ferozmente contestada, sendo certo que desde há muito vimos pugnando por tal redução, a acrescer a outras medidas que pusessem fim a certas empresas, instituições e organismos públicos despesistas, inúteis e dispensáveis, mesmo na área da justiça, como o T.Constitucional. O que não deixaria de se reflectir benéficamente em termos de redução das despesas públicas.

Despesas que são um muito oneroso encargo para o povo, que afinal vem “pagando” e “sustentando” deputados que não fazem falta nenhuma, e ainda suportando despesas com figurões que só querem viver da política, fazendo disso profissão.

E daí que, perante a ameaça de um corte no número de deputados de 230 para 180, se erguessem de imediato vozes clamando que tal infirmaria e poria em crise a democracia e a representação dos pequenos partidos quando a verdadeira questão (ao menos admita-se !...) é a de que haveria “menos” 50 lugares para satisfazer compromissos e promessas com os jotinhas e outras figuras dos partidos, “perdendo-se” naturalmente 50 “empregos” para uso político-partidário e afirmação do poder, de gravosos custos, diga-se, embora de duvidosas utilidade e eficácia.

Aliás impõe-se, até por uma questão de sensatez, inteligência e verdade, entender de uma vez por todas que a política não é nem pode ser olhada como uma profissão reflexiva no quadro laboral e no quantum dos “empregados” dum país, sendo óbvio que um registo ajustado dum outro sistema eleitoral, sustentado em correctas e concretas proporcionalidade e representividade e não no condicionado e “apertado” método Hondt, indubitávelmente não deixaria de fazer vingar a democracia e as vozes dos pequenos partidos.

Até porque temos por seguro que uma redução no número de deputados só poderá afectar e perturbar o controverso mundo do clientelismo partidário, com a vantagem de propiciar uma depuração do sistema com o eliminar de um número apreciável de nulidades, incapazes, idiotas e néscios já tidos como “residentes”.

Mas isto é tão custoso para os figurões da política e interesses partidários que logo no partido do poder se ouviram desmentidos e contradições, com os deputados “zangados” com o Lacão por equacionar tal possibilidade (muitos vendo em risco os seus lugares...), com um Assis nervoso para os “segurar” e a afirmar-se pela negativa, surgindo logo muito lesto o “Pereira dos recados” a alinhar no mesmo. Ainda antes de Sócrates “negar” tal intenção, como se esperava, ainda que esquecendo programas e o posicionamento há muito assumido pelo próprio J. Gama, tão só o presidente da A.R..

Tudo conversa de figurões instalados no poder, receosos das reacções dos seus prosélitos ante um eventual incumprimento de promessas e compromissos e o gorar de expectativas, mas de todo esquecidos de que é o povo quem paga os deputados e se vem vivendo em manifesta e grave crise que exige uma drástica redução do despesismo Empresarial do Estado, pondo-se fim às inúteis e dispensáveis, reduzindo-se o número de gestores públicos e minguando-lhes os vencimentos (“...em 2009 existiam 93 empresas do SEE ...” - Sérgio Andrade, JN, 8.2.11).

Obviamente pondo-se termo às onerosas inutilidades e ao dementado desvario de atropelos à democracia, que de todo em todo a põem em risco. Aliás, a continuar-se com este sistema dito democrático já em estado “agónico” e de maus prenúncios, é de temer-se seriamente que cada vez mais alastrem e aumentem o saudosismo, as vozes do descontentamento e mesmo os desejos de um retorno na esperança de que surja alguém sério, honesto, isento, competente e corajoso que saiba pôr cobro a toda uma corja de figuras, figurinhas e figurões que, vivendo como “profissionais” da política, vêm comendo do povo e tão caro custam ao país.

Alguém que, como um estilista de classe e responsável, tenha mão para o “corte” e a “tesoura” e acabe de vez com certos “manequins” da rua dos Fanqueiros do sistema, “riscando” e “criando” uma outra e nova “moda” sócio-económico-política, mais ajustada e consentânea com as natureza, sensibilidade, cultura e necessidades do país. Usando, é claro, outros e mais flamejantes “modelos”.

Para bem de Portugal e suas gentes!...

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