Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Financiamento Colaborativo - Crowdfunding

A Casa de Chocolate

Ideias

2019-02-16 às 06h00

Vasco Teixeira

Ofinanciamento colaborativo (crowdfunding) corresponde a uma estratégia alternativa de angariação de fundos para a inovação em empresas, para startups ou novos produtos de empreendedores, para financiar projetos científicos ou projetos sociais.
Crowdfunding, (financiamento coletivo, participativo ou colaborativo) é uma nova forma de angariar fundos para um projeto (empresarial ou até ligado a uma causa social), ao longo de período de tempo pré-determinado, através de um grupo de pessoas que eventualmente partilha os mesmos interesses. Na prática, corresponde a colocar o financiamento (“funding”) nas mãos da multidão/população (“crowd”) sendo especialmente disseminado pela internet através de campanhas de marketing digital e onde o papel das redes sociais é crucial para que o projeto chegue ao conhecimento do maior número de pessoas.
Os promotores devem apresentar e submeter o seu projeto numa plataforma tecnológica na internet (plataforma crowdfunding) dando a conhecer a ideia original do seu projeto e o montante de financiamento mínimo que pretendem obter para a sua concretização. Essa plataforma de Crowdfunding tem, por um lado, os empreendedores (os criadores do projeto) que procuram financiamento para a concretização da sua ideia. Do outro lado estão os potenciais patrocinadores (financiadores, apoiantes da campanha de Crowdfunding) que poderão ajudar com fundos à concretização dos projetos, por doação numa ideia/causa em que acreditam, ou de recompensas criadas pelos criadores do projeto.
Existem várias modalidades de crowdfunding:
-Doação, filantropia e patrocínio;
-Empréstimos;
-Participação no capital/lucro das empresas;
Existem milhares de plataformas de crowdfunding internacionais. Os projetos mais comuns neste tipo de plataformas ligam-se à promoção de eventos de natureza cultural, artística, desportiva, e projetos de empreendedorismo e de cariz social. As plataformas podem ainda distinguir-se por estarem associadas a projetos generalistas (ex: plataforma Indiegogo), por se concentrarem em projetos inovadores (ex: plataforma Kickstarter) ou em áreas temáticas especificas de projetos (saúde, ambiente, ciência, etc).
Em Portugal, a modalidade de crowdfunding começa a ser uma realidade em várias áreas. Esta atividade para o financiamento de projetos promovidos através de plataformas eletrónicas de crowdfunding e as contribuições de investidores tem enquadramento legal em Portugal desde 2015. Em Portugal existem ainda poucas plataformas (PPL a mais conhecida, a Raize, Seedrs e Novo Banco Crowdfunding).
A PPL é a plataforma de crowdfunding de referência em Portugal. Com foco em sociais, criativos e empreendedores, a PPL é uma plataforma online baseada em recompensas, onde o empreendedor estabelece o montante a ser angariado, assim como o prazo em que o pretende atingir e, caso obtenha o valor estabelecido no prazo estipulado, a plataforma cobra uma comissão de sucesso de 5%. Já angariou quase 4 milhões de euros para os projetos/ideias submetidas.
A Raize é a primeira plataforma de bolsa de empréstimos em Portugal disponibilizando uma alternativa de financiamento de baixo custo para micro e pequenas empresas. Este empresas podem solicitar empréstimos até 150 mil euros, sendo uma alternativa à banca. Nesta plataforma, são as pessoas que emprestam diretamente às empresas portuguesas.
A Seedrs é uma plataforma de ações, onde qualquer pessoa pode investir numa campanha em troca de ações. A plataforma Novo Banco Crowdfunding é baseada em doações, tendo sido a primeira plataforma online de financiamento coletivo e solidário. Destina-se apenas a iniciativas sociais promovidas por ONG`s e instituições de solidariedade social.
Plataformas internacionais como o Kickstarter (criada em 2009 nos EUA) chegam a angariar 12 milhões de euros num só projeto. Na União Europeia o crowdfunding movimenta algumas centenas de milhões de euros.
A modalidade Crowdfundig teve uma divulgação alargada nos meios de comunicação nacional pela inovação apresentada pelo Museu de Arte Antiga, que lançou uma campanha de angariação de fundos para comprar o famoso quadro “A Adoração dos Magos”, do pintor do século XIX Domingos Sequeira.
Também tem sido muito comentada devido à polémica em torno do método a que os enfermeiros recorreram para a obtenção de financiamento da greve. Utilizaram por duas vezes esta modalidade de crowdfunding para financiar a sua greve.
Na Europa, cerca de 70% do financiamento das empresas é obtido através de crédito bancário, enquanto nos Estados Unidos a proporção é a inversa, com o essencial do financiamento a ser garantido através dos mercados de capitais.
Uma das prioridades centrais estabelecidas na Estratégia Europa 2020, bem como no Ato para o Mercado Único da Comissão e no “Small Business Act” consiste em facilitar o acesso das Pequenas e Médias Empresas (PME) ao financiamento. A Comissão Europeia apresentou uma comunicação no âmbito do seu programa de financiamento as empresas, sobre a importância do financiamento coletivo (crowdfunding), como forma de oferecer outras opções de financiamento para as PME, sobretudo aquelas que não conseguem aceder ao financiamento tradicional. O Livro Verde da Comissão Europeia sobre “O financiamento a longo prazo da economia europeia” lançou um amplo debate e suscitou respostas de todos os segmentos da economia. O pacote de medidas adotado inclui uma comunicação sobre o financiamento a longo prazo da economia.

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