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Flores comestíveis e germinados

A avestruz risonha que tocava Strauss

Escreve quem sabe

2013-05-04 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

As flores comestíveis (FC) e os germinados (G)são produtos que, apesar de já serem usados desde há séculos, por esse mundo fora, têm tido nos anos mais recentes uma atenção especial por parte dos mestres mundiais da gastronomia, que se deve, em grande parte, às características destes produtos que tão bem se adaptam à evolução que a cozinha mundial tem seguido, nomeadamente a designada gastronomia Gourmet.

As FC e os G, utilizados quer pelo seu aspecto decorativo quer pelo seu paladar, aroma ou textura e, especialmente no caso dos G, pelo seu valor nutricional, podem ser obtidos em explorações agrícolas profissionais ou simplesmente de forma caseira. No caso das FC podem ser produzidas por qualquer pessoa que disponha de jardim ou horta, vasos ou floreiras, e eventualmente integradas entre as restantes flores e verduras.

Já os G podem ser produzidos de forma simples e económica nas nossas cozinhas, bastando disponibilizar uns minutos de atenção diária para rega e vistoria fitossanitária. Relativamente às FC, mesmo nas explorações profissionais, a maioria dos produtores não vive apenas do cultivo das mesmas e nas suas produções estão incluídas ervas aromáticas várias e hortícolas, para que no conjunto consigam tornar as explorações economicamente viáveis.

Um aspecto muito importante do cultivo das FC e dos G é garantir que estes estão isentos de quaisquer produtos químicos, pelo que o ideal é que sejam produzidos de acordo com o modo de produção biológico. No caso dos G dois dos aspectos especialmente importantes são a isenção nas sementes de quaisquer produtos químicos e a qualidade da água utilizada para a germinação.

Há certamente acima de 100 espécies de flores de alguma forma comuns nos jardins e hortas que para além de serem comestíveis são ao mesmo tempo palatáveis. Hoje em dia muitos catálogos de sementes incluem na descrição das plantas a observação se a flor é ou não comestível, chegando mesmo a incluir receitas.

As flores, do ponto de vista nutricional, podem ser ricas em néctar, pólen, vitaminas e minerais. Por exemplo as chagas contêm vitamina C e as flores do dente de leão vitamina A e C. Há poucos estudos nesta área mas é certo que as flores são quase isentas de calorias o que as torna um produto muito interessante para dietas de emagrecimento. Mas para lá deste aspecto, as flores, pelo seu impacto visual podem ter um elevado efeito terapêutico podendo mesmo ser utilizadas em cromoterapia.

Já os G são sobejamente conhecidos pelo seu elevado valor nutricional, sendo mesmo considerados um super-alimento, pois podem conter apreciáveis quantidades de vitaminas A e C, vitaminas do complexo B, vitamina E, algum ferro, enzimas e proteínas. Tal deve-se ao facto de a maior vitalidade no ciclo de vida de uma planta ocorrer quando esta ainda é um rebento.

Durante o processo de germinação ocorrem múltiplas reacções entre as quais a multiplicação de alguns nutrientes, como é o caso da vitamina C nos cereais e nas leguminosas que chega a aumentar seiscentas vezes. Por outro lado o processo de germinação torna os nutrientes em geral mais digeríveis. Os G são também muito pobres em calorias. Podem ser germinadas sementes de alfafa, trigo, feijão de soja, feijão mung, lentilhas, entre muitos outros cereais, leguminosas e sementes.

Os G deve ressalvar-se que podem provocar reacção alérgica a pessoas que sofram de lupus eritematoso.
Como é difícil avaliar se uma flor é ou não comestível, por uma questão de segurança, apenas se devem consumir aquelas que já estão comprovadamente aceites e indicadas em catálogos, livros ou receitas.

A partir das flores pode-se, além de as consumir em fresco (cru), obter-se outros produtos como: xaropes, vinagres, óleos, compotas, geleias, açúcares aromatizados, mel, bombons, queijo, manteiga, gelados, molhos, etc. Já os G podem ser consumidos crus, em saladas e sanduíches, misturados com outros legumes, salteados, adicionados a molhos, e de outras formas que a imagina-ção sugerir, bem como ser processados em conservas.

Em co-autoria
José Pedro R. C. Fernandes

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