Correio do Minho

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Foleirices

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2011-05-13 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

1 . Como não estamos habituados a usar “politiquês”, blogues ou facebooks, julgamos poder escrever e dizer que este Portugal, designadamente com os políticos que tem, na verdade não passa de um País de foleiros, assim acompanhando e seguindo neste ponto as palavras e o pensar de um tal Lello (de dois «eles» no meio, diga-se, o que não deixa de acarretar uma certa responsabilidade onomástica), um já habitual e assanhado socialista do norte, “predador” da palavra e useiro no destempero verbal, aliás na linha dum outro camarada nortenho que gosta de “malhar na direita”.

E tudo isto, ao que consta, por Cavaco ter faltado ao respeito(!?) aos deputados, não os convidando para o 25 de Abril, tendo assim, e por isso, sido apodado de foleiro pelo tal Lello dos muitos «eles», que até podem alimentar uma qualquer imaginação mais criativa em termos de epítetos e outros apodos. Aliás, anota-se, se a palavra “foleiro” pode referenciar, significando, “aquele que fabrica, vende ou toca foles”, o certo é que tudo nos leva a admitir que se usou o termo no seu incontornável provincianismo e significado profundo de “burro de moleiro. Homem vil, desprezível, bigorrilha”, porquanto da acção ou currículo de Cavaco não consta o fabrico, venda ou toque de foles.

Um termo em si mesmo altamente ofensivo e naturalmente injurioso que não encontra alcance nem acolhimento em qualquer “politiquês” ou mesmo numa mera linguagem de facebook, sendo certo que não se esperava que tal palavra fosse referenciada ao Presidente da República, para mais “bolçada” por um Lello com tradições no Porto. Mas os livros só servem e são úteis para quem os lê e não os deixa a apanhar pó nas prateleiras...

Aliás, pensando melhor, certamente teria sido até por causa dos muitos políticos “foleiros” do país, mormente deputados, que houve tão poucos convites para a festança do 25 de Abril. Na verdade, estando-se num período de grave crise e com a troica por cá a apreciar e analisar a situação do país e as contas do Estado, não seria de modo nenhum prudente nem conveniente exibir publicamente todo aquele conjunto de “foleiros” que vêm enxameando nos parlamento, governo e partidos, dando um mau exemplo para o exterior e mostrando às claras o porquê do descalabro a que se chegou.

Um descalabro de que o Vítor Constâncio, agora no Banco Central Europeu, foi um dos grandes responsáveis devido às sua inacção, inépcia, facilitismo e cumplicidade como Governador do Banco de Portugal, acobertando e fechando os olhos aos desvarios e loucuras da Banca e às arrogâncias e mentiras do Governo do seu partido.

Agora, com toda a lata e lavando as mãos, porque saiu a tempo, até já se projecta como um interventor competente e com talento, pondo de lado toda a sua foleirice. Aliás, por causa disso, até nos interrogamos legitimamente se agora como Vice-Presidente do Banco Central Europeu não irá conduzir toda a Europa a um descrédito e bancarrota totais e incontornáveis, já que para tal lhe sobra talento (!?)...

Mas por se falar em talento impõe-se-nos dizer que há quem não se enxergue, sendo de todo inquestionável que reconhecer-se e admitir-se falta de talento e outras limitações afinal vale o que vale quando está em causa o poder. Aliás a apetência pelo poder é tão grande e intoxicante que se esquecem afirmações, ignoram-se realidades, ultrapassam-se limitações e deficiências, e luta-se denodadamente para não o perder.

Na verdade, e porque vem a propósito, importa recordar aqui parte de uma entrevista de Sócrates ao Diário de Notícias em 16.9.2000, e sua resposta à observação do jornalista de que o ainda o ía ver como primeiro ministro: “Não! Primeiro porque não tenho o talento e as qualidades que um Primeiro Ministro deve ter “, depois, continuando, porque seria “uma vida horrível que não desejo. Ministro é o meu limite. Aceitei pagar este preço. Mas nada mais do que isso” (cit. TV 7 Dias, n.º 1259).

O tempo passou e o vento afinal mudou !...
Mas se a experiência enriquece, na realidade ninguém pode dar ou mostrar o que não tem.

2 . Não sendo isto “politiquês”, a verdade é que não nos entendemos com blogues e facebooks como certas personagens do nosso mundo político e foleiro.

Aliás, como a maior parte do povo português, do Minho ao Algarve, para quem as “facebookadas” da Presidência da República, para além de ridículas, desajustadas e inapropriadas para um verdadeiro contacto com o povo, mais se assemelham a mera “pelintrice” do nosso jet set político e de outros com pretensões às novas tecnologias, esquecidos, tal como Cavaco e seus assessores, de que o povo das nossas aldeias e vilas, simples, trabalhador, com certas limitações de cultura e conhecimentos, para além da falta de tempo e de dinheiro para tais “luxos”, preocupa-se sobretudo com o seu trabalho, a sua saúde, o pão para a sua boca e de seus filhos, os pagamentos da água, luz e gás e a segurança de suas vidas e bens, não se satisfazendo com as “conversinhas” de facebooks, sobretudo do seu Presidente.

Até porque na sua grande maioria não têm Internet nem dinheiro para ela, e querem sobretudo ouvi-lo cara a cara, falando verdade e agindo com coragem, mesmo com a problemática dos discurso “fechado” e dicção complicada. Pode ser nas TVs, mesmo com teleponto, desde que não use e abuse do “politiquês”!...

Sim, porque para isso já nos bastam os “foleiros” dos políticos que temos, e o Sócrates, mesmo que ao lado tenha um Santos com cara de pau .

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