Correio do Minho

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Fora do contexto

As Bibliotecas e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável (I)

Ideias

2010-10-29 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

1 . A respeito das últimas medidas ditadas pelo governo um deputado do PS, antigo professor de filosofia, dizem, que se julga com sentido de humor, pretende que a cantina da A.R. abra ”«à hora de jantar» para acudir aos deputados, que «são de longe os mais atingidos na carteira» pelas medidas de austeridade” (MAPina, 4.10.2010, JN), pois ”queixou-se de que, além de uns miseráveis 3700 euros de vencimento, apenas recebe mais «60 euros de ajudas de custos por dia» para «viagens, alojamento e comer fora»”.

Ora, como muito a propósito se anotou, “deputados esfomeados é coisa horrível de se ver (dir-se-á que Ricardo Gonçalves não representa a deputação, mas o facto de Maria José Nogueira Pinto lhe haver em tempos chamado «palhaço» confere-lhe desde logo ampla representatividade”(id.), como é óbvio.

E sem a mínima reserva, diga-se, já que Tiriricas não há só no Brasil.
Aliás, com o coração “partido” de dor com a crítica situação dos políticos, e não se percebendo a pressa em afirmar terem sido as suas declarações”«propositadamente descontextualizadas», pondo em causa «a sua honra e dignidade pessoal»”, estranha-se a sua pretensão de “«accionar os mecanismos legais para que seja reposta a verdade»”(D.Minho, 10.10.2010) quando se regista o facto do próprio admitir terem-lhe sido atribuídas afirmações que «no essencial» não terá proferido, o que com certo gozo se sublinha!... É que a expressão “no essencial” é por demais significativa e reveladora, de todo secundarizando e infirmando o que se apoda de descontextualizado.

Por sua vez, e pelo contrário, dizer que “«nunca foi o dinheiro que me moveu na política, como facilmente posso demonstrar pelo meu património móvel e imóvel” (id.), afigura-se-nos tão fora do contexto e de interpretação tão dúbia que se legitima um convite ao senhor deputado e presidente da A.M. de Terras de Bouro para queconcretize melhor toda essa “patrimonialidade”, temporalizando-a num antes e num depois de. Naturalmente para obviar a eventuais ideias descontextualizadas face à actual, já habitual e de todos conhecida “quadratura” em tal matéria dos nossos políticos.

2 . No Dia Sem Carros, Sócrates teria ido de metro à exposição “Portugal Tecnológico 2010” na FIL , tendo saído na estação de destino “pela saída destinada a lactentes, grávidas e pessoas com mobilidade reduzida” (JN, 24.9.10).

Registando-se este facto referido pelos media, é-nos forçoso concluir que o primeiro ministro saiu pelo lugar devido e adequado, perfeitamente dentro do contexto face ao conhecido e actual quadro sócio-económico-político do país.

Na verdade, se quanto à condição de «lactente» é mais do que óbvio que desde há uns anos vem «mamando” do erário público como todos os políticos, que aliás os vem sustentando, o certo é que também desde há muito vem apresentando sinais evidentes e insofismáveis de uma “gravidez” notória, mórbida, recorrente e até já muito avançada no que tange a presunção, prosápia, arrogância, mentira, falta de vergonha, inépcia, etc., sendo de igual modo certo que a sua mobilidade está efectivamente muito limitada pelas “artroses ideológico-partidárias” de um sistema de governação com sinalética autofágica e acrática em que se mergulhou desde Abril, agora vivenciando e aceitando “recados” da CEE, “ameaças” de credores, “recomendações” de banqueiros, e “com as calças nas mãos” no que toca a sobrevivência económica.

E tudo porque se foi vivendo e alimentando uma política de enganos, de mentiras, de meros palanfrórios e de patacoadas partidário-eleitoralistas num quadro de uma teimosia boçal e birrenta, gastando-se à tripa forra e sem se ter em conta as realidades do país, que não comporta as fantasias ideológico-políticas de “iluminados” vendedores de “banha da cobra” e quejandos, aliás sempre prontos a sugar o leite que ainda vem escorrendo de umas tetas já ressequidas e até com dadas.

Na verdade, diga-se, face ao país real e vivido, estão de todo “fora do contexto”, porque “descontextualizadas” das verdade e realidades, as habituais palavras bolçadas em inaugurações e outras “festanças” de modo nenhum se compreendendo os sorrisos e os dispêndios ainda mantidos, quer a nível governamental quer autárquico, com “centenários”, outros “...ários”, comemorações, etc., mormente quando não se tem a coragem de acabar de vez com os muitos institutos, fundações, assessorias e serviços de “mero enchimento” político que vêm proliferando no país, vivenciando uma nula ou muito questionável utilidade, ainda que do interesse dos boys e jogos partidários. Aliás o ocorrido entre os socialistas Vítor Baptista e André Figueiredo é por demais sintomático das partidocracia e ... porcaria em que estamos mergulhados.

Com Sócrates “fora do contexto” do país real, mas habilidoso e arteiro a aproveitar o orçamento para “empurrar” e “culpabilizar” outros por uma situação de que será o maior e principal responsável pois fartou-se de enganar o povo e de mentir, ocultando-lhe a realidade, era-lhe no mínimo exigível que, por uma questão de coerência e pudor político, “saltasse” de todo e de vez para fora deste “contexto” e regressasse a Vilar de Maçada e aos “projectos de casas”. Por muito maus que sejam esses projectos, nunca serão tão nefastos como o estado a que levou Portugal.

Mas como tem “palavreado ” que baste, e a seu lado alguns media, certos banqueiros, alguns “políticos” e “economistas” em oportunidade de conveniências e propagandeada “inteligência”, a responsabilidade pela bancarrota e consequente crise política será sempre da oposição.
É assim vai este país de loucos, lunáticos e lorpas, diga-se, já que as sondagens continuam a sinalizar a aceitação dum socialismo socrático que, avalizando a mentira, o logro, vidas de miséria, desemprego e fome, irá propiciar toda uma maior criminalidade.

3 . De todo despropositado, tolamente idealizado e fora do “contexto” das isenção, independência e normal funcionalidade é o facto de dois elementos da ERC terem criado um blogue onde se pronunciam sobre a própria comunicação social (v.g. as diferenças de tratamento jornalístico entre um político e um banqueiro), alheios ao “pormenor” de serem eles próprios “juízes” de eventuais falências e problemas da comunicação social, podendo até aplicar coimas.

Na verdade a Serrano e o Azeredo bem podiam estar quietinhos e deixar isso dos blogues para quem já só se realiza e se “satisfaz” com tal “prazer”, sendo que no contexto das suas funções de nenhum modo se “encaixa” tal liberdade de expressão bloguista.

Aliás, interrogando-nos, a ERC será mesmo necessária ? Em nome da sanidade económica e mental do país era de todo desejável que se pusesse termo a esta e a outras entidades especiais de manifesta inutilidade, em si mesmo onerosas, apenas de “enchimento político” e afectas a boys, parentes, “compadres” e confrades!...

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