Correio do Minho

Braga, terça-feira

- +

Fornos solares

Opções muito discutíveis

Escreve quem sabe

2017-05-20 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

O forno solar é um tipo de forno já descrito e criado no séc. XVIII. É constituído por uma caixa com dimensões suficientes para acondicionar um pequeno prato ou panela, geralmente retangular, com fundo negro e tampa de vidro, com abas refletoras. Nada mais é do que uma estufa com cobertura transparente para dar passagem aos raios do sol e impedir que o calor saia; ou seja, uma caixa térmica recetora e concentradora de raios solares. O fundo preto absorve a luz solar e converte-a em radiação infravermelha (o vidro é opaco aos infravermelhos), que não atravessa a tampa de vidro, criando-se o efeito de estufa. Desta forma, tem a capacidade de atingir os 150ºC, cozinhando inúmeros alimentos sem dificuldade, podendo é demorar de 2 a 6 horas.
É um aparelho eficaz de simples confeção e utilização, que traz muitos benefícios a quem o utiliza. Apesar disto, não é uma tecnologia amplamente adotada em Portugal, sendo as razões aparentes o preconceito (por ser considerado 'feio e artesanal', apesar de já haver fornos comerciais muito atrativos), a funcionalidade, que é muito diferente do que se tem num forno padrão, e a própria falta de incentivo dos governos. Têm, no entanto, sido utilizados em regiões com carência de combustíveis, como em alguns locais de África e Ásia, em zonas onde existe escassez de combustíveis sólidos (lenha ou carvão), onde é uma solução para confecionar alimentos e esterilizar a água.
Assim, é possível fazer em casa alguns simples fornos solares, até com reutilização de alguns materiais, tendo em conta que estes devem ser resistentes à humidade, dado que durante a cocção dos alimentos é libertado vapor de água, bem como às temperaturas que se possam atingir no seu interior. Num forno temos, essencialmente, quatro tipos de materiais:
• estruturais - garantem a estabilidade dimensional do conjunto (cartão, madeira, plástico, etc.)
• isolamento - minimiza as perdas térmicas do conjunto (lã de vidro, esferovite, papel de jornal, etc.)
• transparentes - permitem a criação do efeito de estufa no interior da caixa (vidro, plástico para alta temperatura, etc.)
• refletores - minimizam as perdas térmicas no interior do forno e podem concentrar a radiação solar no interior (folha de alumínio, espelhos, etc.)
É comum a utilização de refletores simples ou múltiplos que permitem a concentração de radiação solar no interior da caixa. A orientação da cobertura na perpendicular à radiação solar maximiza a quantidade de radiação solar que entra na caixa, pelo que, é necessário ir ajustando, principalmente se forem alimentos de confeção demorada. O forno solar exposto ao sol deve apresentar a maior largura ao sentido este-oeste, de modo a poder captar radiação solar durante um maior período de tempo. Contudo, há que considerar que as perdas térmicas do forno são proporcionais à sua superfície exterior.
O projeto básico normalmente é montado com duas caixas, uma dentro da outra, separadas por um isolante térmico. No fundo da caixa interior usa-se uma chapa de metal pintada de preto fosco e nas paredes dessa caixa usa-se material refletor (exemplo: papel alumínio, espelho, aço inox, etc.).
Na tampa usa-se um material transparente (vidro ou plástico próprio para cozinhar alimentos).
Alguns detalhes técnicos:
O seu funcionamento é simples: o forno recebe os raios solares direta e indiretamente no seu interior. Diretamente são os raios que penetram através dos vidros para o interior do forno, e indiretamente serão os raios que irão incidir na tampa refletora e serão encaminhados para o interior do forno (estufa).
Dentro do forno será colocado uma panela preta fosca para que absorva ao máximo todo o calor gerado dentro do forno, aquecendo e cozinhando o alimento que estiver no seu interior.
Assim, não necessita de nenhum tipo de combustível, dependendo apenas de boa insolação.
Se quiser saber mais inscreva-se na Oficina de Construção de Fornos Solares, que decorrerá na Praia Fluvial de Adaúfe, no sábado, dia 27 de maio, das 14h30 às 17h30, em www.braga.quercus.pt.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

22 Outubro 2019

Mitos na doença mental

22 Outubro 2019

Voltar ao início

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.