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Guardar os nossos valores

Mitos na doença mental

Ideias

2017-02-02 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

“Le nationalisme c'est la guerre!”. Esta frase foi proferida por François Miterrand, no seu último discurso, em 17 de janeiro de 1995, em Estrasburgo, no Par- lamento Europeu. Hoje, passados mais de 20 anos, tem um significado reforçado. E ainda não atingimos o “pico” do movimento global nacionalista. O mundo está cada vez mais perigoso. Já sabíamos das intenções de Putin e do seu objectivo de alargar as fronteiras. Mas não imaginávamos que teríamos uma espécie de “réplica” nos Estados Unidos da América! Trump, também ele, quer recuperar o “orgulho americano”.

Vai procurar fortalecer a economia norte-americana, ainda que seja à custa da sustentabilidade ambiental. Estou absolutamente convencido que, se não tivéssemos União Europeia, a Rússia do Sr. Putin não teria ficado pela anexação da Crimeia. Putin precisa da desagregação da União Europeia para triunfar e, para isso, financia a extrema-direita de Marine le Pen, a extrema-esquerda do Syriza e todos os movimentos tipo “Brexit”... e até interfere nas eleições americanas através de “hackers”.

Trump quer a desagregação da União Europeia por questões económicas. Convém lembrar que, sem o Reino Unido, a União Europeia deixa de ser a maior economia do planeta. Trump tudo fará para espartilhar a União Europeia.
Trump e Putin, ambos nacionalistas, intolerantes, pouco ou nada respeitadores dos direitos humanos, partilham do mesmo objectivo de desagregação da União Europeia, ainda que a motivação e a finalidade sejam diferentes.

Na UE, nunca vi os extremos tão próximos. A Marine le Pen defende aliás, em termos económicos, o mesmo que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Querem sair do euro, têm uma atitude proteccionista, são defensores do “orgulhosamente sós”. Não admira que no Parlamento Europeu estes extremos votem no mesmo sentido. Na UE, a divisão não é entre esquerda e direita, mas antes quem quer construir/congregar e quem quer destruir/desagregar. No mundo, a divisão é entre um mundo-aberto versus um mundo-fechado.

O nacionalismo, o radicalismo, a demagogia proliferam, o que gera ódio, xenofobia, racismo. Rotulam-se de os “verdadeiros”. São os verdadeiros finlandeses, franceses, holandeses, britânicos, russos e, agora, os verdadeiros americanos! Acontece que somos todos verdadeiros. Verdadeiros humanos!

Este é um ano perigoso. Os resultados das eleições na Holanda e em França são muito importantes para o futuro da UE, onde os moderados estão a ser “entalados” pelos radicais.
Os Trump, Putin, Le Pen, Farage e tantos outros têm um tempo de antena brutal por parte da comunicação social. Há um outro fenómeno que me intriga: os moderados têm de ser exemplarmente responsáveis, próximos de poderem ser beatificados, enquanto que aos radicais tudo se desculpa, tudo se tolera.
Esta diferença de tratamento também se passa em Portugal!

Estão a imaginar o que diriam de um ministro de Passos Coelho que afirmasse que a reunião de concertação social parecia “uma feira de gado”? Mas o ministro socialista Augusto Santos Silva pode! Só falta argumentar que foi uma bela figura de estilo e uma homenagem ao mundo rural!
O que diriam do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho se ele tivesse afirmado que, afinal, as vacas voam? Ou se dissesse no Parlamento que o PS era irrelevante e que não contava para Portugal? Pois... Mas António Costa pode e não se passa nada!

No mundo e na UE, os sinais são maus, mas nada está perdido. Este é um momento para na UE juntarmos esforços e defendermos a Paz, a liberdade, a partilha, a solidariedade, a defesa intransigente da dignidade humana.
Não podemos voltar a cometer os mesmos erros históricos. Temos de cerrar fileiras. Juntos, poderemos guardar os nossos valores.

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