Correio do Minho

Braga,

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Hortas Urbanas: uma moda para ficar!

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Escreve quem sabe

2013-04-06 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Durante muitos anos, as hortas familiares constituíram um complemento ao rendimento familiar, a par de um garante de biodiversidade, manutenção da paisagem rural e preservação de variedades autóctones.

Com a desertificação de algumas áreas do interior do país esse hábito foi-se perdendo, lado a lado com uma modernização da agricultura que apelava à monocultura e levava a que os agricultores se dedicassem apenas a um tipo de produção, como o leite ou o vinho, e relegassem as hortas para segundo plano, mui-tas vezes argumentando que era mais barato comprar no supermercado as frutas e legumes que necessitavam do que produzi-las eles próprios!

Um verdadeiro engano, porque não eram comparáveis! Não estavam a ter em conta, por exemplo, a frescura dos alimentos, nem o impacto ambiental do transporte dos produtos até uma superfície comercial. Para além de, como é óbvio, os poderem produzir em modo biológico, isentos de químicos de síntese, saudáveis e amigos do ambiente.
No entanto, esta tendência está a mudar! Nos últimos dois, três anos surgem um pouco por todo o lado as hortas urbanas, comunitárias e até jardins que produzem comida.

São varandas com ervas aromáticas, alface e rúcula para uma salada sempre fresca e disponível; são pequenos jardins onde também se planta tomatece reja ou malaguetas, para temperar os pratos mais elaborados; e até verdadeiras hortas familiares que outrora estiveram abandonadas e passam a produzir couves, pepinos, pimentos, abóboras, feijão verde, e muitos outros legumes que podem até ser conservados para épocas de escassez.

Muitas são também as autarquias que já disponibilizam pequenos talhões de terra para uso dos cidadãos, na produção de le-gumes para consumo próprio. Nestes casos é importante garantir um conjunto de regras na utilização das terras, que proteja o solo e água daqueles locais, assim como a saúde dos própri-os consumidores, isto é, o modo de produção biológico como protecção dos terrenos e garantia de que os mesmos chegarão em boas condições às gerações futuras.

Este modo de produção, em pequenos espaços urbanos, ajuda a criar uma rede de corredores verdes e permite o aumento da biodiversidade, tão importantes para o equilíbrio ambiental das nossas urbes. Temos um clima que nos permite ter uma horta produtiva quase todo o ano e é uma oportunidade para ensinarmos os nossos filhos a consumirem os legumes da época que são bem mais saborosos e ricos nutricionalmente do que os produzidos pela agricultura convencional.

Temos ainda uma oportunidade para ocupar os tempos livres das nossas crianças com uma actividade saudável e que as fortalece não só fisicamente como pela autoconfiança que adquirem quando podem comer um legume ou uma fruta de que elas próprias cuidaram. A troca de sementes e plantas entre vizinhos de quintal pode ser também uma contribuição para a manutenção de variedades autóctones muito mais adaptadas ao nosso solo e clima e resistentes a pragas e doenças.

Obviamente, que um quintal ou jardim por mais pequeno que seja dá bastante trabalho e requer gosto e dedicação, mas também este é um ponto positivo porque nos alivia a pressão de uma vida profissional desgastante, a nível intelectual, e sedentária, a nível físico. Para ao que estão reformados ou desempregados será ainda um complemento importante ao rendimento e uma menor dependência financeira das pensões e subsídios.

O Núcleo de Braga da Quercus, vem dinamizando um curso de Agricultura Biológica para quintais, dirigido a todos quantos querem produzir desta forma mais saudável, desde 2006. Já lá vão 14 formações, onde se aprendeu a plantar, cuidar e colher e por onde já passaram mais de 300 formandos que naturalmente difundiram o seu conhecimento pelo seu núcleo familiar e de amizades mais próximas.

É importante que esta seja uma moda que venha para ficar, já que as vantagens são muitas e que a persistência e empenho trarão o tal conhecimento que a muitos vai faltando porque se perdeu esta cultura tão portuguesa de ter uma horta ao pé de casa!

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