Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Igualdades e Diferenças

Eu, Fausto.

Ideias

2015-04-07 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

Entre nós existem diferenças. Forças que nos separam, ou unem, forças que nos dirigem, que nos movimentam. Não interessa muitas vezes para onde, desde que existam diferenças. E que essas, essas mesmo, sejam bastante marcadas, quase como que impressas nas nossas ações, naquilo que nos representa. Entre nós existem igualmente igualdades - por vezes apenas aproximações. São mais difíceis de percecionar, discretas, e tendencionalmente consideramo-las como normais. Deveriam ser? Porque nos espantamos com as diferenças, ficamos surpresos, quase que abismados e damos como garantidas as igualdades?

Entre nós, na sociedade, existem diferenças. Nem sempre justas ou ajustadas, nem sempre corretas, sempre difíceis de aceitar. São diferenças quase milenares, de costume ou rotina, diferenças que nos direcionam ao nível do comportamento, da forma de estar ou, quiçá, ser. Existem igualdades. Ténues. As questões de género, por exemplo, ainda são complicadas, com percalços ao nível económico e salarial, com degraus a subir - ou a descer, dependendo do caso - a nível de carreiras, cargos, afirmações e confirmações sociais.

Entre nós, nas diferentes profissões, existem diferenças. No âmbito da saúde, e dos seus diferentes e tão diversos profissionais, existem diferenças. Não foram esbatidas ao longo dos anos, embora se esperasse que algumas delas se fossem tornando mais difusas, menos confusas. De forma semelhante, ainda são complicadas as questões de pessoas com academias idênticas em desiguais patamares, sem ter em conta muitas vezes as competências interrelacionais, tão importantes e essenciais neste campo, que é o do Outro que se encontra mais frágil e debilitado.

Existem, entre alguns, igualdades. Não entre todos. Estas existem quando o nosso foco se encontra claro. Quando o nosso objetivo de trabalho é simples e direto. Existem igualdades. Basta que nos esforcemos para isso.
Existem diferenças. Como é óbvio. Devem existir, para que exista, em cada um de nós, nas suas diferentes funções e propensões, a maravilha da criatividade e da heterogeneidade. A unicidade de cada ser deve ser respeitada e cumprida. No campo das ações da saúde é esta unicidade, e as suas peculiaridades, que fomentam as pontes, os equilíbrios, as ajudas, as buscas pelo alcance das necessidades de cada um. Completam os tratamentos, as prevenções, as promoções daquilo que é saudável e bom.

Existem igualdades. Que por vezes nos afastam do que realmente é urgente e necessário ver. Mas que são necessárias de aceitar, para conseguirmos estudar as diferentes formas no sentido de ajudar a ultrapassar as diferenças. São igualdades que nos conduzem, que nos orientam, que tornam a rotina agradável e de prazer. Aproximam-nos da normalidade, ou daquilo que eventualmente consideramos normal, dando-nos a segurança de um conhecimento já adquirido. Aproximam-nos. É suficiente.

Entre nós existe algo. Existe alguma coisa. Não interessa, por vezes, saber exatamente o quê. Entre nós existem as pontes das diferenças e os hábitos das igualdades. Já é muito em comum, mais do que se esperava entre nós, perfeitos desconhecidos. É na relação que surgem estas ações de ligação. Seria impossível, em saúde, não contar com a relação e com a riqueza das diferenças que nos aproximam, que nos conduzem pelas igualdades. Em saúde, a relação e a sua ação conta. Aliás, é de algum modo única e primordial durante os processos de cuidado que surgem aquando desequilíbrios.

Existe, entre nós, relação. Não é suficiente. É única. Deve ser estimada, alimentada, promovida e defendida. Com as suas diferenças e as suas igualdades. Com o esbatimento das injustiças e fora do cansaço dos costumes. É ainda fundamental - torna-nos importantes uns para os outros, e ajuda-nos a entender que existem algo mais além do que a nossa própria esfera. E que está à nossa espera.

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