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Ideias

2018-06-07 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

A ganância e o egoísmo vão alastrando à escala global. O orgulhosamente sós, o nacionalismo e o populismo medram porque encontram chão fértil. Exploram o medo e procuram transformá-lo em ódio. A culpa é sempre de um inimigo externo, de Bruxelas, do imigrante, do refugiado, da globalização, da moeda euro. O mal está sempre fora, está no outro. Nós não precisamos de mudar, basta expulsar o outro. A solução é a negação ou a rejeição.
É assim que se explica - em parte - o Brexit, a vitória de Trump, a tentativa de independência da Catalunha, a liderança de Duterte nas Filipinas, o crescimento e as coligações dos partidos antissistema e da direita e esquerda radicais.
A realidade e a tecnologia avançam a grandes velocidades e assustam. E a decisão política continua a ser reativa e tardia. Tornam-se mais atraentes as lideranças autoritárias, porque o processo de decisão é muito mais rápido, enquanto a democracia e o processo legislativo precisam de tempo. Já não há paciência para esperar.

Há quem tenha a ilusão de que o orgulhosamente sós é a solução para matar os problemas decorrentes da globalização. Estão tão enganados! A verdade é que só com partilha, com uma atuação conjunta e coordenada de um número significativo de Estados é que podemos aspirar a controlar a globalização. Olhamos para as alterações climáticas, a globalização, a escassez de recursos naturais, a segurança e abastecimento energético e as migrações como problemas, quando devemos olhar para eles como desafios e transformá-los em oportunidades. Sabemos que já não há empregos para a vida, e que há profissões a acabar e outras a começar. Perante todos estes desafios é muito fácil explorar o medo, mas esse não é o caminho.
Enquanto os radicais de esquerda e de direita exploram - com sucesso - o medo, afastam da discussão as reformas estruturais. Assim, as democracias definham. As democracias precisam de se modernizar e as decisões precisam de mais celeridade. Temos de apostar na educação, na formação adequada, no conhecimento, na investigação e inovação, numa ação solidária e conjunta para vencermos os desafios e mantermos a Paz e o nosso estado social.

É evidente que as lideranças políticas - todas elas - ajudam a este clima. É comum - habitualíssimo - os chefes de Estado apoiarem e votarem decisões em Bruxelas, mas não as assumirem nas respetivas capitais. As competências na área do emprego, saúde, pensões, juventude, fiscal, segurança e defesa são nacionais. Mas, quando há algum problema, a culpa é de Bruxelas. Pensam que as costas largas de Bruxelas dão para aguentar com tudo. Ainda que todas as instituições europeias tenham muito a melhorar, as maiores dificuldades têm resultado - até agora - da falta de ambição do Conselho Europeu. E os resultados eleitorais pela Europa toda mostram isso mesmo.
Em Itália, o resultado eleitoral e o Governo formado pelo partido antissistema - Movimento 5 Estrelas - e pelos radicais da Liga, não me surpreenderam. As instituições da UE têm responsabilidade neste resultado, porque os italianos estiveram demasiado tempo sozinhos a gerir a crise dos refugiados. Insisto, a solidariedade tem que ser praticada!

Um problema que exista num Estado-Membro deve ser assumido como um problema de todos os Estados-Membros. A falta de união e de partilha tem tido um enorme custo político e financeiro.
Em Espanha, o Partido Socialista chegou ao poder através de uma moção de censura que fez dois em um: destituiu Mariano Rajoy que tinha ganho as eleições e deu a chefia do Governo ao socialista Pedro Sanchez, cujas últimas sondagens lhe davam o quarto lugar, atrás de Ciudadanos, Partido Popular e Podemos! Pedro Sánchez teve o apoio dos nacionalistas bascos e dos independentistas catalães, assim como do Podemos, uma espécie de bloco de esquerda.
As geringonças também se vão assim alastrando. Admito que se possam aguentar. No entanto, não servem nem o interesse nacional nem o da UE. Os partidos que as constituem têm interesses contraditórios, só permitindo uma gestão corrente, sem rasgo nem ambição. A prova está em Portugal. António Costa limita-se a aproveitar os ventos favoráveis da economia europeia e mundial. A governação não inova, não moderniza, até porque as forças políticas se anulam e conduzem ao imobilismo.

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