Correio do Minho

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Indústria 4.0 - Quarta Revolução Industrial

Nunca é tarde para ser feliz

Ideias

2016-02-06 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

Sim, já vamos na Quarta Revolução Industrial! Já passamos por três revoluções industriais que alteraram radicalmente o mundo ao longo dos últimos séculos: a máquina a vapor (energia a vapor por queima de carvão) no final do século IXX, linha de montagem e a produção em massa (eletricidade) no início do século XX e a revolução da informática e internet (eletrónica e robótica) no final do século XX.
A Quarta Revolução Industrial - a era da Inteligência Artificial, da Robótica, Impressão 3D, da Nanotecnologia e da Internet das Coisas (IoT - Internet of Things) combina estas tecnologias com diversos fatores no trabalho e nos produtos dos consumidores, alterando de forma inovadora e disruptiva a economia, o que terá um grande impacto nas empresas e na forma como a economia afeta as pessoas, as sociedades e os países.
Na última edição do Fórum Económico Mundial (WEF) em Davos discutiu-se, entre outros assuntos, sobre os desafios para sociedade relativamente à Quarta Revolução Industrial (ou Industry 4.0), sobretudo porque um estudo do WEF apresentado no Fórum de Davos mostra que poderá implicar a perda de cinco milhões de empregos nas principais economias até 2020. Mas também há enormes vantagens. De facto, cada vez mais as tecnologias estão a modificar a forma como vivemos, trabalhamos ou consumimos. Vivemos na era digital, na era da nanotecnologia, da robótica e da inteligência artificial. Com a combinação de tecnologias, da área da micro/nanoeletrónica e da robótica, e da biologia com o mundo digital, a Quarta Revolução Industrial terá o potencial de criar uma gama infinita de novos produtos ou serviços, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos. Representa uma descontinuidade do modelo de produção industrial até então vigente. As empresas deverão adaptar-se para enfrentar a competitividade crescente e as novas exigências da sociedade e do consumo. Trata-se da Indústria Inteligente: digitalização da indústria transformadora, resultado da convergência entre as tecnologias de informação e comunicação e os novos (nano) materiais, os processos produtivos, a automação, a inteligência artificial e a robótica. A fabricação industrial flexível (pequenas séries) e próxima ao consumo com influência direta do consumidor (“produzido à medida”) obrigarão a uma nova abordagem de fabrico. Ou seja este novo modelo produtivo implica a interligação dos fluxos de dados entre parceiros, fornecedores e clientes e a integração vertical dos ciclos produtivos dentro das organizações, desde o desenvolvimento até ao produto acabado.
O desemprego nas empresas poderá ter um impacto reduzido, já que novos desafios se colocarão à inovação industrial, novos projetos e colaboração mais estreita com as universidades e centros tecnológicos, e novas oportunidades de oferta aos novos mercados. As empresas nesta revolução industrial serão mais flexíveis, o que implicará aumento de produtividade e poderá atrair mais investimento para a atividade industrial que será mais competitiva nos vários mercados a uma escala global e que deverá ter nos seus quadros recursos humanos altamente qualificados.
Toda a cadeia de valor e de produção será afetada e através dela, os produtos e os serviços beneficiarão, por exemplo, da Internet das Coisas. O próximo grande avanço tecnológico implica a incorporação de inteligência nos objetos de uso quotidiano (Internet das Coisas - IoT). De facto, já temos produtos que fazem uso do IoT. Atualmente, um cidadão comum tem, no mínimo, dois objetos ligados à Internet e, em todo o mundo, estima-se que existam cerca de 25 mil milhões de dispositivos ligados sem fios. Em 2020 serão 50 mil milhões.
O objetos de uso quotidiano, como os telemóveis, os automóveis, os eletrodomésticos, o vestuário, as embalagens alimentares (e até os alimentos) estão ligados sem fios à internet através de microdispositivos eletrónicos inteligentes, podendo recolher e partilhar dados. A nanotecnologia melhorará a segurança e a qualidade de vida dos cidadãos. Novos nanomateriais para embalagens alimentares estão a ser desenvolvidos com o objetivo de aumentar a segurança alimentar (embalagens bioativas, etiquetas inteligentes multissensoriais).
A computação em nuvem (“cloud”) nas empresas potencia maior flexibilidade e escalabilidade de tarefas. A Industry 4.0 e a generalização da conetividade e da automação aumenta as decisões e as oportunidades em tempo real. A Internet das Coisas impulsionará a competitividade, a eficiência e garantirá um desenvolvimento sustentável. Na Industry 4.0 alguns aspetos que terão maior impacto a nível de logística e cadeia de fornecimento serão a impressão 3D, a robotização dos armazéns e a distribuição de produtos feita por drones.
Os processos de fabrico convencionais poderão ser combinados com a fabricação aditiva, conhecida como impressão 3D. Muito além da prototipagem rápida, onde já é utilizada, no futuro a impressão 3D poderá revolucionar cadeias de fornecimento. Por exemplo, os consumidores poderão comprar e fazer o download de lojas virtuais, produtos, ou peças de substituição, e imprimi-los na sua impressora 3D, economizando transporte e armazenagem de produtos.
Na Indústria Inteligente, os produtos serão inteligentes com etiquetas de auto identificação eletrónica (RFID ativos, por exemplo, resultado dos avanços da nanotecnologia). Os produtos serão capazes de comunicar com o ambiente, gravar e armazenar informações sobre si. No processo produtivo, trocarão informações com os equipamentos de produção.

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