Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Inovação na Europa e o paradoxo do desempenho da inovação regional

Encontrão Ambiental

Ideias

2014-06-28 às 06h00

Vasco Teixeira

A importância da política de inovação é amplamente reconhecida e encontra-se, em grande medida, ligada a outras políticas da União Europeia (UE), nomeadamente do emprego, da competitividade, da indústria, da energia e do ambiente.

A União da Inovação é uma das sete iniciativas emblemáticas da Estratégia Europa 2020 para uma economia inteligente, sustentável e inclusiva. Lançada pela Comissão Europeia (CE), visa melhorar as condições e o acesso ao financiamento para a investigação e a inovação na Europa, a fim de que as ideias inovadoras possam ser transformadas em produtos e serviços geradores de crescimento e emprego. A União da Inovação também tem como objetivo estimular o investimento do setor privado, propondo, entre outras medidas, o aumento dos investimentos europeus em capital de risco. Como objetivo no domínio da política industrial, pretende-se que até 2020, pelo menos 20 % do PIB da UE provenha da indústria transformadora.

Para aferir e acompanhar a inovação na UE foram criados dois instrumentos: i) o Painel de Avaliação da União da Inovação, com base em 25 indicadores, e um mercado europeu do conhecimento para patentes e licenças. O Painel Europeu da Inovação é um instrumento da CE que permite uma avaliação comparativa do desempenho dos Estados-Membros da UE em matéria de inovação; ii) o Painel de Avaliação da Inovação Regional, que divide as regiões europeias em 4 grupos de desempenho em matéria de inovação. Existem 41 regiões no primeiro grupo, os “líderes da inovação”, 58 regiões no segundo, os «seguidores da inovação», 39 regiões no terceiro, os “inovadores moderados”, e 52 regiões no quarto, os “inovadores modestos”.
Em março foram divulgados os resultados do Painel de Avaliação da União da Inovação de 2014 e do Painel de Avaliação da Inovação Regional de 2014, da CE, responsáveis pelas principais publicações no domínio da inovação na Europa.

Os resultados mostram que o défice de inovação da Europa em relação aos EUA e ao Japão está a diminuir, mas as diferenças entre os Estados-Membros em termos de desempenho são ainda muito elevadas e reduzem-se apenas lentamente.

A classificação geral dentro da UE permanece relativamente estável, com a Suécia no topo, seguida da Dinamarca, da Alemanha e da Finlândia - os 4 países que mais investem em investigação e inovação. Portugal, junto com a Estónia e a Letónia, foram os países que registaram maior crescimento da UE em inovação. Relativamente a Portugal há que reconhecer que partiu de uma base mais baixa que a média europeia em termos de inovação, dados os problemas estruturais da nossa economia em termos de qualificações da população, das características no nosso tecido empresarial e do próprio funcionamento do sistema nacional de inovação.

De um modo geral conclui-se que os países mais inovadores têm bons desempenhos, claramente acima da média da UE, em todos os domínios: desde os sistemas de investigação e ensino superior, passando pelas atividades de inovação e ativos intelectuais das empresas, até à inovação nas PME e aos efeitos económicos, o que reflete um sistema nacional de investigação e inovação equilibrado.

No entanto ao nível regional o défice de inovação está a aumentar, tendo-se verificado um agravamento do desempenho neste domínio em quase um quinto das regiões da UE. Este ano o Painel de Avaliação da Inovação Regional de 2014 fornece uma avaliação comparativa do desempenho em matéria de inovação de 190 regiões da UE, da Noruega e da Suíça, utilizando um número limitado de indicadores de investigação e inovação.

Todos os Líderes da inovação regional da UE (27 regiões) estão concentrados em apenas oito Estados-Membros: Dinamarca, Alemanha, Finlândia, França, Irlanda, Países Baixos, Suécia e Reino Unido. A maioria dos Líderes da inovação regionais e dos Seguidores são do grupo dos Líderes da inovação e dos Seguidores da inovação.

No entanto, há 14 países com regiões em dois grupos de desempenho e 4 Estados-Membros - França, Portugal, Eslováquia e Espanha - com regiões em três grupos de desempenho regional diferentes, o que revela diferenças mais pronunciadas no desempenho em matéria de inovação dentro de cada um desses países.

As regiões com um sistema bem desenvolvido de apoios financeiros públicos à inovação, em que uma percentagem elevada de empresas inovadoras recebe alguma forma de apoio financeiro público, são também mais inovadoras do que as regiões onde é menor o número de empresas que beneficiam de tal apoio. Considerando que a falta de financiamento é um dos principais obstáculos à inovação, pode concluir-se que, nas regiões em que escasseia o financiamento privado, a atribuição de financiamento público pode ser eficaz para promover a inovação.

A análise revela que, embora existam diversas regiões que podem ser classificadas como bolsas de excelência em termos de participação no Programa-Quadro (PQ) e de capacidade de inovação a nível regional, apenas um número reduzido das regiões que estão a utilizar os fundos da UE para estimular a inovação das empresas têm um desempenho nesta matéria superior à média. A maior parte das regiões da UE analisadas absorvem pouco financiamento do PQ e dos fundos estruturais e apresentam níveis de inovação moderados a modestos. Estas conclusões indicam que o “paradoxo da inovação regional” continua a ser uma caraterística dominante do panorama da inovação regional na UE, facto este que requer uma maior atenção das políticas a serem seguidas para o próximo período de programação 2014-2020.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

27 Junho 2019

Braga e o Plaza

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.