Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Investimento em I&D Industrial

Encontrão Ambiental

Ideias

2014-12-06 às 06h00

Vasco Teixeira

A investigação e a inovação são fatores cruciais para o êxito, para o crescimento sustentável e para se manter a competitividade a nível mundial das empresas na União Europeia. Uma das metas da Estratégia Europa 2020 é atingir-se 3% do PIB (1% público e 2% privado) no investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D). Em 2013 a UE aplicou em I&D 2% do PIB, ficando atrás dos Estados Unidos (2,81% em 2012), Japão (3,38% em 2011) e Coreia do Sul (4,04% em 2011).

Esta semana foi publicado o relatório do ‘Painel Europeu sobre o Investimento em I&D Industrial de 2014’ da Comissão Europeia, tendo sido apresentado por Carlos Moedas, Comissário da Investigação, Ciência e Inovação. Este relatório, publicado anualmente, é baseado numa amostra de 2500 empresas, equivalentes a 90% do total de investimento em I&D mundial em 2013.

O estudo é baseado em vários indicadores, nomeadamente ao nível da eficiência e rentabilidade dos maiores investidores do mundo em I&D, identificando o posicionamento dessas empresas não apenas por setores, mas também por países. O painel mede o valor total do investimento global em I&D financiado por fundos próprios para cada empresa, independentemente do local em que a I&D decorre.

As principais conclusões deste painel mostram que, no total, estas empresas aumentaram o seu investimento em I&D em mais 4,9% relativamente a 2012. Os Estados Unidos continuam muito à frente da Europa, quer no valor absoluto investido em I&D pela indústria, quer no proveito efetivo que as empresas obtêm desse investimento. Para as empresas sediadas na UE o investimento em I&D só aumentou 2,6% em 2013. O crescimento foi menor quando comparado com o do ano anterior (6,8%). E ficou abaixo da média mundial em 2013 (4,9%) e dos valores das empresas sediadas nos EUA (5%) e no Japão (5,5%).

Segundo os dados do relatório verifica-se que as 633 empresas sediadas na UE investiram 162,4 mil milhões de euros em 2013, enquanto as 804 empresas nos EUA investiram 193,7 mil milhões de euros e as do Japão (387 empresas) aplicaram 85,6 mil milhões de euros em I&D.
O relatório mostra que a Volkswagen, pelo segundo ano consecutivo, lidera em termos de investimento mundial em I&D. A Volkswagen aumentou esse investimento em 23%, para mais de 11,7 mil milhões de euros.

As posições seguintes são ocupadas pelas mesmas empresas que constam do relatório do ano anterior: a Samsung Electronics (Coreia do Sul) que investiu mais 25,4% em I&D, atingindo mais de 10,2 mil milhões de euros. Seguem-se Microsoft (EUA), Intel (EUA), Novartis e Roche (Suiça), Toyota (Japão), Johnson & Johnson e duas novas entradas nesta lista, Google e Daimler, a ocuparem as últimas posições no ranking das 10 maiores empresas que investem em I&D.

É de notar que no que concerne às empresas sediadas na EU que 97% do investimento total em I&D é realizado por empresas estabelecidas em apenas 10 países. Os países com maior número de empresas no ranking são o Reino Unido (140), a Alemanha (138), a França (89) correspondendo a mais de dois terços do investimento total. Seguem-se a Suécia (52), Holanda (41), Itália (37) e Finlândia (29). É de salientar que da lista global apenas 118 empresas são PME.

O decréscimo no investimento por parte de algumas das grandes empresas da UE afetou significativamente o nível de investimento em I&D do seu país. Como exemplo tem-se o caso da Nokia (-17,1%) ou da STMicroelectronics (-19,2%), que tiveram um impacto muito significativo sobre o investimento global da Finlândia (-11,6%).

No entanto, algumas das empresas listadas no painel sediadas em países da UE viram o seu investimento crescer acima da média mundial - Irlanda com 17 empresas (13,6%) e Itália (6,4%) - e acima da média da UE - Espanha com 4,4%.
Para a situação do investimento em I&D industrial a nível nacional, nesta listagem Portugal conta apenas com 4 empresas na lista internacional (enquanto a Espanha apresenta-se neste ranking com 17 empresas): Portugal Telecom (na posição 587), Bial (1126), CGD (1478) e EDP na posição 1661.

Foi na indústria automóvel e de componentes que se verificou um forte crescimento em I&D (+14,4% contra -2,6% nos EUA). As empresas europeias também apresentaram um desempenho superior ao das norte-americanas no setor da engenharia industrial, no setor aeroespacial e da defesa. A análise das tendências nos últimos dez anos mostra que os EUA continuam a aumentar a sua especialização em setores com utilização intensiva de I&D, como é o caso das TIC e da saúde.
As empresas no top 100 de investimento em I&D são responsáveis por uma importante parcela (cerca de 33%) de todas as patentes registadas nos EUA e UE.

A CE também elabora o ‘Inquérito europeu sobre as tendências do investimento na I&D industrial de 2014’ que se baseia numa amostra alargada de 186 das 1000 principais empresas sediadas na UE que investem em I&D.

Estas 186 empresas investiram cerca de 60 mil milhões de euros em I&D dos seus fundos próprios, correspondendo a 36% do total de investimentos em I&D das 1000 empresas do ranking. A principal conclusão do inquérito é que as empresas que responderam prevêm um aumento do investimento em I&D de 4,2 % por ano para o período 2014-16. As atividades relacionadas com as Tecnologias Facilitadoras Essenciais (fotónica, micro e nanotecnologias, materiais avançados, tecnologias de processamento emergentes e biotecnologia) são altamente diversificadas e geralmente concentradas em algumas empresas, sobretudo as dos setores de elevada e média intensidade em I&D.

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